Introdução
Num pais cuja cultura é, indubitavelmente, bastante devedora ao Catolicismo Romano, a compreensão do Protestantismo tornar-se-á mais clara se for feita uma comparação entre uma e outra das correntes cristãs. Assim, seguiremos o consabido principio pedagógico que estabelece a necessidade de, para chegar a adquirir um novo conhecimento, dever começar-se por conceitos já adquiridos.
Antes de falarmos das divergências existentes entre ambas as expressões da Fé Cristã, convém lembrar o que é mais importante: os seus pontos de concordância. Esses pontos podem resumir-se dizendo que católicos e protestantes aceitam os símbolos de Fé conhecidos por Credo de Niceia e Constantinopla (381 A.D.) e o Credo dos Apóstolos (também do século IV).
Alguns grupos protestantes nunca recitam qualquer Credo, mais por falta de hábito no uso de textos litúrgicos que por razões doutrinais. Mas as doutrinas nestes dois Credos enunciadas são de fundamento bíblico. Nem se põe nenhum problema aos evangélicos relativamente à expressão "creio na Igreja, una, santa, católica e apost6lica". A cultura mais elementar sabe que "católica" é a Igreja Universal, composta de todos os que professam a fé em Jesus Cristo, o Senhor. Assim, visto que aqueles dois credos encerram os princípios essenciais do Cristianismo, podemos dizer serem enormes os pontos de concordância entre o Catolicismo e o Protestantismo.
Duas expressões - uma realidade?
O Professor Franz J. Leenhardt, teólogo de Genebra, fazia recentemente esta análise: o Catolicismo e o Protestantismo são duas expressões da mesma realidade. Uma é expressão extrovertida e a outra a expressão introvertida. Leenhardt lembrava que o extrovertido vive dos olhos, do tocar, do apreender a realidade com os sentidos, e o introvertido vive dos ouvidos, da escuta, do apreender a realidade pela meditação. O Católico, extrovertido, precisa do ritual, do gesto, do movimento, da hierarquia, de tudo o que e exterior, incluindo as imagens, as aparições, enfim, o que cativa os olhos. O Protestante, introvertido, precisa da Palavra e nada mais. É uma análise sob muitos aspectos esclarecedora.
Temos pensado ao longo dos anos que o Catolicismo e o Protestantismo são a expressão dentro do Cristianismo de um fenómeno que se tem observado noutras religiões, especialmente na religião de que somos continuadores, a religião do Antigo Testamento. Referimo-nos ao fenómeno da tendência para o aparecimento dentro de uma religião de duas grandes correntes: a corrente sacerdotal e a corrente profética.
Em Israel os sacerdotes aparecem como os homens do culto, do ritual, que tendem ao conservadorismo, à defesa da tradição e a, na prática, substituírem a mensagem pelo seu invólucro, isto é, a substituírem a fé pela religião. Mas em Israel levantam-se uns homens, geralmente austeros, desmancha-prazeres, que interpelam os sacerdotes. Em nome de quê? Em nome da Palavra que lhes chega da parte de Deus. João Baptista é o último profeta, vestido com a maior sobriedade, comendo com a máxima frugalidade e anunciando uma palavra de julgamento da parte de Deus.
O Cristianismo tem elementos proféticos (Jesus começou por pregar e pregar exactamente uma mensagem parecida com a de João Baptista), mas tem também elementos sacerdotais (Jesus é apresentado no livro de Hebreus como o Sumo - Sacerdote que se apresentou a Si próprio como a vítima imaculada). Mas o facto que se pode observar na História é que a vertente sacerdotal, conservardora e hierárquica, tomou um grande, por vezes enorme, ascendente sobre a vertente profética. Esta, no entanto, nunca deixou de existir: os lolardos, os hussitas, os valdenses e em grande parte os primeiros franciscanos, foram expressões dessa vertente profética.
Cremos que se poderá reconhecer que na Igreja Católica-Romana e na Igreja Ortodoxa ficaram mais acentuados, e por vezes, hipervalorizados os elementos sacerdotais da Fé Cristã, e no Protestantismo, também com não raras sobrevalorizações, os elementos proféticos!
Não queremos resumir as diferenças a isto: o Catolicismo sendo a expressão sacerdotal do Cristianismo e o Protestantismo a sua expressão profética - mas cremos que não se pode negar a realidade destas duas correntes e da sua hegemonia num ou no outro ramo do Cristianismo. E no fundo encontramo-nos com o Professor Leenhardt, porque o sacerdote-tipo, católico-romano ou hindu ou de qualquer outra religião, é o homem da posse, do gesto, do exterior - é um extrovertido; e o profeta é o homem da escuta, do lugar ermo, da Palavra - introvertido.
O que mais escandaliza o protestante é o que ele considera ser a coisificação, a objectivação que o católico faz da Fé. E o que mais escandaliza o católico, parece, é o modo que ele considera demasiado pobre como o protestante adora, em templos despidos de ornamentos com um culto centrado na pregação, culto de liturgia pobre que mais se parece com uma conferência dirigida apenas à razão.
Vejamos, então, o que é que distingue o Catolicismo do Protestantismo.
O teólogo Karl Barth, protestante, disse que a diferença entre o Catolicismo e o Protestantismo era apenas a conjunção e. O Protestantismo diz: "Jesus Cristo"; o Catolicismo acrescenta: "e Maria". O Protestantismo afirma: "a Bíblia"; o Catolicismo junta: "e a Tradição". O Protestantismo declara: "a fé"; o Catolicismo diz: "e as obras".
Trata-se de uma caricatura, claro, mas, como todas as caricaturas, é bastante reveladora.
Pensamos que poderíamos apontar dez diferenças entre o Catolicismo e o Protestantismo, das quais três são fundamentais e sete secundárias e que são as seguintes:
Fonte de Revelação
Já citámos a palavra irónica de Karl Barth segundo o que para o Protestantismo a Revelação vem da Bíblia e o Catolicismo acrescenta: e pela Tradição.
A Reforma do século XVI fez-se sob este estribilho: Sola Scriptura, a Bíblia é a única e suficiente regra de fé e prática.
Quer dizer: segundo o ponto de vista da Reforma e dos seus herdeiros, seguir a Cristo implica submeter-se à vontade de Deus tal como ficou registada nas Sagradas Escrituras, do Antigo e Novo Testamento. O Protestantismo não pretende ser outra coisa senão o regresso à Bíblia. A interpelação que ele faz ao Catolicismo é o de ter doutrinas e práticas que não têm base escriturística e que, segundo o Protestantismo, não são, portanto, legitimamente cristãs. "Só é legitimo na vida cristã o que tiver apoio bíblico", diz uma corrente protestante. Outra, menos radical, fica por este princípio: "Só é legítimo na vida cristã o que não tem a oposição da Bíblia."
É verdade que há textos bíblicos de interpretação variável e por isso existe pluralidade de posições no Protestantismo, mas nenhuma doutrina e nenhuma Igreja pode reivindicar o carácter de cristã se não tiver como base textos da Escritura.
A Igreja Católica Romana, no entanto, afirma: Sendo certo que a Bíblia é a fonte de revelação por excelência, a Tradição é-o do mesmo modo.
A Tradição é a palavra dos Papas e dos Concílios Ecuménicos. O conteúdo da Bíblia, pela dificuldade de que se reveste a sua interpretação, segundo o Catolicismo, tem de ser completado e esclarecido pela luz que Deus dá à Igreja, através dos Papas, dos teólogos e dos Concílios. Na prática isto significa que é à Igreja que cabe a última palavra sobre a Escritura e é ela, portanto, que detém a autoridade.
A última palavra, a palavra segura a que o cristão deve submeter-se para viver sem erro nem confusão de espírito, é a palavra infalível da Igreja, pronunciada pelo seu Chefe Supremo, o Papa. O Papa é considerado infalível porque a Igreja é infalível. O conceito de infalibilidade já existia muitos séculos antes do I Concilio do Vaticano. Em 1870, a proclamação do dogma veio apenas precisar que essa infalibilidade da Igreja só podia ser expressa pelo Papa e apenas em casos especiais, ex-cathedra. Uma doutrina, um dogma, pronunciado ex-cathedra pelo Papa tem, segundo o Catolicismo, a mesma força que um texto da Escritura.
Mas a História do Cristianismo está aí para nos provar que o recurso a outro tipo de pretensa revelação que não à Bíblia, tem sido fonte de trágicos erros, desastrosa doutrina e muita perturbação. Só o Cristianismo da Bíblia, na sua simplicidade e pureza, tem provado ser capaz de trazer a libertação dos espíritos e o progresso das sociedades.A Igreja
Outra diferença muito importante entre o Catolicismo e o Protestantismo é a concepção que um e outro tem da Igreja.
Na Encíclica Mystici Corporis, de Pio XII, fala-se da Igreja como a "sociedade perfeita". Ela considera-se a continuação da encarnação de Cristo e identifica-se com o próprio Cristo. O Papa, "aquele que faz as vezes de Cristo na terra" (Enc. Mystici Corporis, §40), detém a infalibilidade de Cristo, que é também, a infalibilidade da Igreja.
Mas essa Igreja "sociedade perfeita" é aquela que tem como cabeça o Papa. Embora nos tempos mais recentes a Igreja de Roma reconheça a existência de outras Igrejas, ela continua a crer na indispensabilidade da união ao Papa e no decreto sobre a Constituição Dogmática sobre a Igreja, decretado no Vaticano II, afirma: "Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele ..." (1.8). E também: "Por conseguinte, não poderão salvar-se aqueles que se recusam a entrar ou a perseverar na Igreja Católica, sabendo que Deus a fundou por Jesus Cristo, como necessária à salvação." (2.14)
Mas qual a definição da Igreja? Eis como a define o Vaticano II: "É o organismo visível que Cristo constituiu e sustenta indefectivelmente sobre a terra, comunidade de fé, de esperança e de amor, por meio da qual comunica a todos a verdade e a graça. Contudo, sociedade dotada de órgãos hierárquicos e corpo místico de Cristo, assembleia visível e comunidade espiritual, Igreja terrena e Igreja já na posse dos bens celestes, não devem considerar-se coisas diversas, mas constituem uma realidade única e complexa em que se fundem dois elementos, o humano e o divino. Não é por isso, analogia inconsistente comparar a Igreja ao mistério da encarnação. Pois assim como a natureza assumida serve o verbo divino como órgão vivo de salvação, a Ele indissoluvelmente unida, de modo semelhante a estrutura social da Igreja serve ao Espírito de Cristo, que a vivifica, para fazer progredir o Seu Corpo Místico." (op.cit. 1.8, Documentos Conciliares, União Gráfica, Lisboa 1965).
O Protestantismo rejeita esta concepção da Igreja, que vê como usurpadora dos direitos divinos. Para o Protestantismo a Igreja é o conjunto de todos os que crêem em Jesus Cristo e no Seu nome foram baptizados.
Nunca, desde o século XVI, nenhuma Igreja protestante se afirmou como única Igreja ou como necessária à salvação ou como sociedade perfeita.
Uma definição de Igreja vinda já do século XVII dá-a como "a comunidade eleita para a vida eterna que o Filho de Deus reúne ao seu redor, de entre o género humano; que Ele forma pelo Seu Espírito e Palavra numa unidade de fé verdadeira e que Ele protege e mantém" (Catecismo de Heidelberg, questão 54).
Nesta definição da Igreja não há qualquer referência à organização. Isto porque o Protestantismo vê a organização e os ministérios eclesiais como instrumentos para a realização da missão e para a edificação da Igreja, não sendo nem a organização nem os ministros condição de salvação ou "matéria de fé".
O Protestantismo nunca diria, como se diz abusando de uma palavra de Inácio de Antioquia: "Onde está o Bispo está a Igreja", mas diria: "Onde está a verdadeira fé, aí há novo nascimento, e onde há novo nascimento, aí está a Igreja".
Comparando as duas concepções de Igreja, a católico-romana e a protestante, poderia dizer-se que numa predomina uma visão clerical e na outra uma visão laica. Numa o acento é posto na autoridade e em quem a detém, e na outra no Povo de Deus e na Palavra que o dirige.
O Homem
A terceira importante diferença entre o Catolicismo e o Protestantismo reside na ideia que têm do homem.
A Igreja Católica Romana nunca se desfez completamente da influência de Pelágio. Opondo-se a Santo Agostinho, o monge bretão Pelágio no século V, defendeu que o pecado original não tinha afectado senão Adão e Eva e que todos os homens depois deles só são responsáveis pelos seus próprios pecados e através de uma vida disciplinada podem agradar a Deus. A Igreja veio a condenar Pelágio, mas acabou por adoptar posições semi-pelagianas. Veja-se, por exemplo, esta proposição do Concílio de Trento: "Se alguém pretende que depois do pecado de Adão o livre arbítrio do homem foi destruído, que não é mais do que uma palavra, ou mesmo uma palavra sem realidade por detrás, ou ainda uma invenção introduzido por Satanás na Igreja, seja anátema." (Sessão IV, Can.5.)
A Igreja Católica Romana crê que a queda do homem afectou a imagem de Deus (imago Dei) nele existente mas não o tornou incapaz de manter uma acção importante. O homem tem dons naturais (razão, possibilidade de adquirir um conhecimento de Deus, do bem, de livre-arbítrio), e tem dons sobrenaturais - e estes sim, foram perdidos na queda, só pela graça podendo ser restaurados.
Isto explica porque o Catolicismo é mais positivo em relação a outras religiões e ao ateísmo, pois crê que em todo o lado pode haver alguma centelha, por pequena que for, da verdade divina.
O Protestantismo tem a posição de Santo Agostinho, ore que o homem se encontra numa situação de total degradação. Não é difícil ao leitor da Bíblia reconhecer que a posição, afinal, não é de Santo Agostinho mas é a de toda a Bíblia. A antropologia bíblica é extremamente negativa e pode ser resumida nesta palavra: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." (Rom.3:23)
Para o Protestantismo o homem só pode conhecer de Deus aquilo que o próprio Deus de Si disser. A razão humana é incapaz por si só de chegar a Deus - no que o Protestantismo foi, aliás, precedido em muitos séculos por Tertuliano, o apologista do século II. À chamada teologia natural, defendida pelo Catolicismo, o Protestantismo responde com um firme "não". (A theologia naturalis é o conjunto de conhecimentos que pretensamente se obtém acerca de Deus através da razão humana, sem a ajuda da revelação bíblica. Foi firmemente rejeitada pelos Reformadores do século XVI. Trata-se de um ramo da Filosofia e assim foi tratada pelos escolásticos.)
O Protestantismo não desconfia da razão apenas lhe nega a possibilidade de, sem a revelação das Escrituras, encontrar o caminho da salvação. Trata-se, no fundo, de preservar a soberania total de Deus e de aceitar esta palavra de Cristo: "Ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14, 6). Uma das provas de que o Protestantismo não despreza a razão está na contribuição cultural que os países de influência protestante têm dado.
Vejamos agora sete outras diferenças, profundamente relacionadas com as três que acabámos de referir.
Maria, Mãe de Jesus
Em 8 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou solenemente o famoso dogma da Imaculada Conceição de Maria, que reconhece como doutrina revelada da Igreja Católica Romana que a Bem-aventurada Mãe de Jesus foi, desde o primeiro momento da sua concepção, preservada de toda a mancha do pecado original.
Quase um século depois, um outro Papa, Pio XII, em 1 de Novembro de 1950, proclamou novo dogma mariano, o da Assunção de Maria. Segundo este dogma, a Bem-aventurada Maria teria sido assunta aos céus, em corpo e em espírito, beneficiando de um privilégio especial para que o seu corpo não sofresse a corrupção da morte.
O segundo dogma é consequência do primeiro: Se a Igreja Católica Romana crê que, por uma graça e um privilégio especiais, Maria ficou isenta do pecado original, era natural esperar que ela participasse também de um modo particular da atenção de Deus quando terminada a sua carreira terrestre.
É bem conhecido o lugar importantíssimo que Maria ocupa na piedade católico-romana e na sua teologia. Uma encíclica de há poucos anos dizia: "Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial." (Lumen Gentium, 66). Ilustração do lugar que Maria ocupa na Igreja Católica Romana é o pontificado de João Paulo II, que escolheu como lema a expressão Totus tuus, inteiramente teu, referido, deduz-se, a Maria, a quem é muito devotado.
Tão diferente é a atitude protestante em relação à mãe de Jesus que, se, por hipótese, alguém estivesse interessado em evitar a aproximação entre Roma e a Reforma, não poderia usar estratégia mais eficaz do que dar alento aos dogmas marianos. Se existir o perigo da "protestantização" da Igreja de Roma, de que falam os católicos mais conservadores, a melhor maneira de o combater será promover cada vez mais o culto de Maria, visto que o chamado perigo da "protestantização" da Igreja pode ser o crescente recurso no seio daquela Igreja ao principio protestante de referir a Bíblia como a única fonte de revelação. Ora, quando se promove o culto de Maria, dá-se um golpe discreto mas certeiro nesse principio, porque o culto de Maria está exclusivamente baseado na Tradição e não na Bíblia.
Mas não parece que o relançamento do culto de Maria tenha de ver com uma estratégia de defesa ou de ataque. Talvez o teólogo protestante italiano Giovanni Miegge tivesse razão quando, escrevendo por volta do ano da proclamação do Dogma da Assunção de Maria, atribuía o fenómeno do florescimento do marianismo nesses dias ao esforço que a Igreja Católica Romana fazia para recuperar as massas. "A pregação mariana presta-se particularmente a isso, com seu apelo a sentimentos simples e elementares. Maria, no seu carácter de mulher virgem e mãe, acumula em si as mais poderosas e universais emoções: a veneração submissa e nostálgica da criança sonolenta que há sempre em nós, desejosa de carinho e protecção; e também a atracção tanto mais violenta quanto mais sublimada e reprimida, a que o homem está sujeito na presença do eterno feminino." (A Virgem Maria, pág.13, São Paulo 1962)
Como já se disse, a devoção a Maria fundamenta-se na Tradição e não na Bíblia. Os que são conquistados para o culto de Maria são-no também para um maior apreço pela Tradição, que justifica esse culto, e acabam, por coerência, por aceitar também outras doutrinas e práticas que se apoiam mais na Tradição que na Escritura.
Mas impõe-se perguntar porque é que "as massas" sentem esta necessidade de se voltar para Maria? Porque é que surgiu na Igreja esta devoção mariana, devoção que, obviamente, não foi inventada por Pio IX nem por nenhum outro Papa, mas tem raízes fundas na história?
A resposta a estas questões poderá estar no carácter distante que a dogmática foi atribuindo a Deus e Jesus Cristo, e à natureza exageradamente nacionalista que o Cristianismo em muitos lugares assumiu. Deus aparece aos olhos do homem comum fundamentalmente como o Juiz, justo mas frio, e, por consequência, o crente experimenta a necessidade de uma mão protectora, feminina, na civilização violenta em que impera o macho, a mão da mãe, para aplacar a ira do Pai. Quando o Cristianismo perdeu o calor humano, o inconsciente colectivo inventou uma intermediária profundamente humana, misericordiosa, capaz de se comover, compreensiva e pronta a interceder sempre pelos pecadores.
O culto de Maria pode ser interpretado como uma advertência à Igreja, ou melhor, às Igrejas que esqueceram na sua pregação e ensino que o Deus revelado em Jesus Cristo é o Deus de misericórdia, pronto a perdoar ao arrependido, o Deus que se comove também, que busca o homem e o quer libertar (Lucas 19, 10). E deve, o culto de Maria, lembrar aos cristãos que o Cristianismo bíblico não se dirige apenas à razão, mas também ao sentimento, ao homem integral. O Protestantismo está certo quando denuncia o erro de prestar culto a Maria; mas não pode ficar satisfeito consigo próprio onde a sua pregação for de um moralismo (individual ou político-social) severo e frio e onde o culto não for uma festa. O êxito dos movimentos carismáticos no nosso tempo talvez tenha a mesma causa da aceitação do culto mariano, isto é, a frieza do ensino e da adoração de certos sectores do Cristianismo.
No Novo Testamento, Maria é proclamada como a "Bendita entre todas as mulheres" (Lucas 1, 28) por ter sido escolhida para ser mãe do Salvador, mas em nenhum lugar é revelado que lhe seja conferido uma situação de outro privilégio em relação aos seus irmãos e irmãs, nem ela, na sua humildade exemplar o esperava (Lucas 1, 48). Como se previsse o que se iria passar, a Escritura refere duas passagens que são claramente recusa do culto de Maria. A primeira é em João 2, 1-12, onde se narra o milagre da transformação da água em vinho. Quando Maria, talvez por ser íntima da casa, se apercebeu da falta de vinho na boda, disse-o a Jesus, e o Filho reagiu de um modo que os exegetas não sabem bem como interpretar ("Senhora, que tenho eu contigo?" ou "Que há entre mim e ti?"), mas que seguramente nada tem a ver com os poderes atribuídos a Maria. Mas mais importante é que nesse momento a Mãe de Jesus dá um conselho aos serventes cheio de consequências: "Fazei tudo quanto ele vos disser." (João 2, 5). Como todos os grandes crentes, Maria só pode indicar Cristo como Aquele que deve estar no centro da nossa fé e da nossa acção.
A outra passagem é em Lucas 11, 27-28. Jesus acabara de fazer um importante discurso e uma mulher, do meio da multidão, gritou: "Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que foste amamentados. Mas Jesus ripostou-lhe: "Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática."
Os Santos
Pode dizer-se quase o mesmo dos Santos que se disse de Maria. O Protestantismo não nega a realidade histórica de que alguns cristãos se elevaram, pelo estilo da sua vida, acima do vulgar. Embora segundo as Escrituras todos os Cristãos sejam chamados "santos", isto é, santificados pelo sacrifício de Cristo, seria pouco importante se a Igreja reservasse este termo para designar aos que tivessem vivido de um modo mais próximo do ideal cristão. Os protestantes em geral não têm relutância em referir-se a São Jerónimo, Santo Agostinho, São Francisco de Assis, etc. Mas têm relutância em aceitar o ensino segundo o qual, como recompensa pela sua santidade, os Santos terão junto de Deus uma atenção especial que lhes permitirá interceder pelos homens que vivem sobre a terra.
O Protestantismo rejeita tais crenças que espelham, no fundo, uma mentalidade forjada numa sociedade cruel onde os pobres e os fracos precisam de protectores e de influência junto dos poderosos. Uma tal concepção da Fé Cristã parece-nos bastante singela e distanciada do espírito da Bíblia. O imenso amor de Deus e a sua condição de Omnipresente não nos permite duvidar que
Ele está sempre junto de cada homem e mulher, crente ou não, pronto a socorrê-lo.
Na Idade Média criou-se esta teoria: cada ser humano tem o dever de produzir um determinado número de obras piedosas para entrar no céu. Alguns cristãos (os Santos) excedem o número dessas obras. Jesus excedeu-o de uma forma extraordinária. Com todo esse excesso, formou-se um "Tesouro" que pode ser usado a favor daqueles cujas obras piedosas são insuficientes ou nulas. É, como se vê, uma espécie de "banco" onde alguns têm "saldo positivo" que pode ser usado a favor dos de "saldo negativo", na solidariedade da fé. Quem movimenta a conta é a Igreja. Dai o seu poder de vender indulgências.
Uma tal concepção não tem defesa bíblica. Nela, este tipo de contabilidade não tem sentido porque, à excepção de Jesus Cristo, Filho de Deus, ninguém tem "saldo positivo" diante de Deus. Ele ama-nos imerecidamente. Mas não há motivos para alarme: a nossa melhor obra é a fé (João 6, 29), e se, com fé, fizermos o que pudermos, devemos ficar tranquilos. O cristão deve orientar a sua vida para a perfeição (Mateus 5, 48) - e viver do perdão de Deus (Romanos 1, 17).
Quanto à prática da adoração de imagens, um tanto relacionada com tudo isto, o Protestantismo rejeita-a porque está expressamente proibida pela Bíblia. No capitulo 20 do livro de Êxodo, encontramos os Dez Mandamentos, entre os quais este que o Catolicismo nem sempre cita: "Tu não farás imagem de escultura ... nem te prostrarás diante delas" (v.4-5).
O Protestantismo não compreende como é que, estando este texto tão claramente expresso na Bíblia, a adoração de imagens está tão difundida na Igreja Católica Romana. (Ver também Levítico 26:1; Salmo 115 e muitos outros textos.) A distinção que o Catolicismo faz entre latria e dulia não nos parece mudar nada ao problema.
O Ministério
Por ministério entende-se o conjunto de pessoas separadas para o serviço da Igreja: pregação, adoração, diaconia, etc.
No Novo Testamento, além do ministério dos apóstolos, dos profetas, dos que tinham dons de cura, há muitas referências a bispos e diáconos uma e outra palavra de uso secular. Em algumas igrejas do Novo Testamento havia um bispo - presbítero que presidia ao colégio dos bispos -presbíteros. É o que se pode deduzir de 1 Timóteo 5, 17. No século segundo era já prática corrente a existência de um ministério tripartido: um bispo que preside, um colégio de presbíteros e, na escala mais baixa, o colégio dos diáconos.
É esta a concepção hierárquica do ministério que a Igreja Católica Romana mantém e a que deve, forçoso é reconhecê-lo, muito da eficácia da sua organização. A Igreja de Inglaterra preservou igualmente o ministério tripartido, mas o Protestantismo em geral defende a manutenção do modelo mais evidente do Novo Testamento, isto é, o ministério do presbítero - bispo e o do diácono. Algumas igrejas protestantes reservam o titulo de bispo para o presbítero que preside à administração de uma área ou de toda a Igreja, mas recusando a ideia de hierarquia.
Todavia, não é na existência ou não do ministério tripartido que Roma e a Reforma mais divergem. Na verdade, um estudo que desde 1975 está a ser feito, entre certos sectores do Protestantismo, mostra que Igrejas que até agora só aceitam o ministério do presbítero e do diácono estão a encarar bem a ideia da aceitação do episcopado, mantendo-se apenas a recusa geral da concepção hierárquica. O que o Protestantismo tem rejeitado com maior firmeza é a ideia de que o ministro da nova dispensação pode ser chamado "sacerdote". Opondo-se a Roma, o Protestantismo afirma que depois de Jesus Cristo não há mais necessidade de sacerdotes, homens que sirvam de intermediários entre Deus e os homens, porque todos os cristãos têm acesso directo a Deus, são "um povo de sacerdotes" (1 Pedro 1, 9). Desde Lutero, Zuinglio e Calvino, os cristãos evangélicos negam a ideia de que, pela ordenação, ao ministro seja conferido um poder e um "caracter indelével". Crêem sim, que pela imposição das mãos, a Igreja apenas reconhece no ordenado um dom que já possuía antes, e conferido pelo próprio Deus.
O ministério é para a Igreja Católica Romana indispensável, porque é o ministério que tem poder para celebrar o sacrifício da Missa e é ele quem está habilitado para perdoar os pecados dos penitentes. Para o Protestantismo, a graça de Deus não depende dos homens; por isso afirma que o ministério apenas é necessário. O ministro protestante assume-se principalmente como animador da comunidade e pregador da Palavra de Deus. Como os bispos e diáconos do Novo Testamento, pode constituir família, já que o casamento pode ser tão santo como o celibato.O Papado
O Catolicismo, como vimos no capitulo 2, considera o Papado como elemento indispensável na Igreja. Sendo o sucessor de Pedro que segundo uma interpretação oficial daquela Igreja, foi o Príncipe dos Apóstolos e aquele a quem Jesus deu o "poder das chaves", a Igreja de Pedro é a verdadeira Igreja e não pode subsistir sem Pedro, isto é, sem o Papa.
Para o Protestantismo, o texto de Mateus 16:18: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarás a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" - embora seja susceptível de várias interpretações, não pode ter uma interpretação contrária à mensagem de todo o Novo Testamento, isto é, a de que Jesus Cristo é a rocha sobre a qual é fundada a Igreja. Santo Agostinho no século V tinha já feito esta interpretação: "Sobre esta pedra que tu confessaste, eu construirei a minha Igreja." Porque a pedra era Cristo, diz Agostinho (Petra enim erat Christus), sobre cujo fundamento o próprio Pedro foi edificado.
De qualquer modo, mesmo que se admitisse ter sido a Pedro conferido a missão de ser o Chefe do Colégio Apostólico, faltaria provar que esse cargo era hereditário - e que o herdeiro fosse o Bispo da cidade de Roma onde a pesquisa histórica não mostrou que o Apóstolo tivesse estado. É verdade que existe a tradição, vinda da uma época anterior a Eusébio, o primeiro historiador da Igreja, que fala da presença de Pedro em Roma. Talvez tenha feito uma visita à capital do Império, mas não ficou ali certamente os 25 anos que a tradição refere nem ali teria morrido.
No livro de Actos dos Apóstolos é bem evidente que Pedro tem na Igreja de Jerusalém um poder igual ao de Tiago e João e nada ficou escrito que nos permita crer ter sido Pedro o primeiro de uma sucessão ininterrupta de papas.
Papa, termo carinhoso para pai, foi um titulo dado nos primeiros séculos a Bispos de várias cidades e que o costume manteve em Roma. O papado, tal como existe hoje, é o produto de um processo histórico e que o Protestantismo considera dispensável, a não ser que o Papa venha a ser considerado um Presidente de Igreja Universal, sem outro ministério senão o de servir de elo de ligação entre as Igrejas regionais.Os Sacramentos
Católicos e Protestantes crêem que os Sacramentos são "sinais visíveis da graça invisível", instituídos por Jesus Cristo.
Mas o Catolicismo crê serem sete os Sacramentos: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Ordem, Matrimónio e Extrema Unção. O Protestantismo, como aliás muitos teólogos e Concílios antes da Reforma, afirma que Jesus Cristo apenas instituiu, segundo as Escrituras, dois Sacramentos: o Baptismo e a Santa Ceia ou Eucaristia. Na verdade, os restantes cinco sacramentos referidos pela Igreja Católica Romana não têm fundamento bíblico. Foram introduzidos gradualmente na Igreja ao longo dos séculos com a preocupação de acompanhar toda a vida do homem, do berço à campa e, se algumas vezes ultrapassou largamente o número sete, acabou por se fixar neste número, de sabor simbólico, no Concilio de Florença, em 1439.
Para além da diferença de número, há que referir a diferença de concepção do próprio Sacramento. Para o Protestantismo Deus está presente no Sacramento mas está-o igualmente na Pregação. É por isso que já alguns teólogos protestantes sugeriram que se falasse de três Sacramentos: o Baptismo, a Ceia e a Pregação.
Por outro lado, se para o Catolicismo o Sacramento, quando ministrado por um autêntico ministro, isto é, dentro da cadeia da sucessão apostólica, actua por si mesmo (ex opere operato), para o Protestantismo o Sacramento não depende do ministro, mas de Deus, e a sua eficácia realiza-se sempre no respeito da liberdade humana, isto é, a sua eficácia requer a resposta da fé. O pão e o vinho da Comunhão são presença do Corpo e Sangue de Cristo não por causa da palavra do ministro na epiclese, mas por causa da fé do que os recebe.
As Obras
Este ponto, ao contrário do que alguns pensam, não é daqueles em que haja grande diferença entre católicos e protestantes. O realce que se deu ao problema da fé e das obras e que levou os Reformadores a usarem o outro grito de guerra que era a Sola gratia tem de ver com polémica histórica própria daquela época e não deve ser extrapolado.
O Catolicismo crê como o Protestantismo que o homem só se pode salvar pela graça - ainda que o Catolicismo acrescente que as obras colaboram na salvação - e o Protestantismo de modo algum rejeita qualquer valor às obras, ainda que delas diga que não salvam o homem.
O Catolicismo ensina que as boas obras têm mérito quando são feitas "em estado de graça e para honrar a Deus"; o Protestantismo afirma que as obras são o sinal da realidade e da verdade da fé. Há aqui uma diferença: o Protestantismo nunca diz que as obras tenham mérito no processo da salvação. Mas há uma convergência final, na preocupação de não dissociar a graça das obras.
Mas é verdade que no Catolicismo medieval e no Catolicismo popular do nosso tempo persiste a ideia de que o homem com missas, ofertas à Igreja, peregrinações a lugares considerados sagrados, pode conquistar o favor divino, independentemente da sua fé e do seu comportamento. É verdade que os teólogos da Igreja de Roma e a Hierarquia têm um ponto de vista diferente; mas o Protestantismo reprova o silencio da voz oficial da Igreja Católica Romana em face dessa adulteração que o Catolicismo popular faz da mensagem cristã. Pois trata-se, segundo a Escritura, de uma verdadeira adulteração da Fé bíblica. Na Bíblia ninguém se pode aproximar de Deus sem fé, isto é sem uma entrega filial e confiante, inteiramente dependente da graça divina (Efésios 2, 8-10). Quem se aproxima de Deus com fé, aproxima-se humilde e de coração convertido. E isso sim, é importante para Deus, segundo a Bíblia, e não os sacrifícios, as atitudes exteriores apenas.
O Purgatório
Segundo o Manual de Teologia Dogmática do Padre Bujanda, cuja versão portuguesa era ainda há poucos anos usada nos Seminários católicos, o "Purgatório é o lugar onde as almas dos justos expiam os seus pecados antes de entrar no Céu" (pág. 543). Como adversários desta doutrina, o mesmo manual indica: "Negaram a existência do Purgatório os protestantes antigos; os modernos admitem-no, mas negam a possibilidade de socorrer com boas obras as almas que lá se encontram."
Trata-se certamente de confusão do autor, pois não sabemos de nenhum ramo do Protestantismo moderno que se distinga de um "Protestantismo antigo" nessa matéria. É uma doutrina em que Catolicismo e Protestantismo desde o século XVI nada têm em comum, já que o Protestantismo caracteriza-se principalmente pela adopção do principio de que só deve ser reconhecida como doutrina cristã a que tiver a aprovação das Santas Escrituras - e esta é uma doutrina que não goza dessa condição.
Os documentos católico-romanos costumam citar em defesa da existência do Purgatório um texto do Segundo Livro de Macabeus 12, 42-46, mas este livro, como outros produzidos no período que designamos do Antigo Testamento e que não estão na Bíblia, não é um livro canónico, quer dizer, não foi reconhecido como inspirado pelo Espírito Santo e não tem, por isso, valor normativo para a Igreja, embora a sua leitura possa ser benéfica do ponto de vista devocional.
A ideia de um lugar ou estado intermediário entre o Céu e o Inferno, começou a surgir quando a espantosa e libertadora mensagem evangélica da justificação total e gratuita que Deus faz apenas por meio da fé tropeçou no complicado aparelho jurídico - eclesiástico que se foi formando. A ousadia da confiança em Deus deu lugar à convicção da necessidade de redimir depois desta vida as transgressões cometidas. A partir do século VI a ideia já era acarinhada no seio da Igreja, e desde então a Igreja ensinou que os fiéis podem com boas obras livrar das penas do Purgatório as almas que lá se encontram. Entre as "boas obras", as mais conhecidas do crente comum são as missas de sufrágio que os fiéis mandam rezar.
Os cristãos evangélicos não oram pelos seus mortos nem celebram cultos pelas almas. Porque os que morreram em Cristo são já bem-aventurados, di-lo a Escritura (Apocalipse 14, 13), e pelos que morreram sem fé nada também é legitimo fazer: nem sequer especular sobre o seu destino, porque só Deus é Juiz. Ao cristão deve bastar esta palavra jubilosa de Cristo: "Na verdade, na verdade vos digo que, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (João 5, 24)
Não há que temer. A recusa da ideia do Purgatório e aceitação tranquila da promessa de Cristo, não é uma porta aberta à imoralidade, como já têm dito os que acham que todo o pecado precisa de ser punido. O cristão sabe disso. Mas sabe que Cristo recebeu em si a punição (Isaías, capítulo 53). Aceitar Cristo, aceitar o Seu perdão é a única maneira de ser purificado (1 João 1, 7). O maior dos pecadores que, sem ter tempo para mudar de vida, aceitasse ao morrer, com sinceridade, o perdão de Cristo, entraria, segundo as Escrituras, desde logo na bem-aventurança, sem passar por qualquer lugar intermédio (cf. Lucas 23, 39 - 43). Com total adequação se poderá dizer do amor de Jesus Cristo que "cobrirá uma multidão de pecados" (1 Pedro 4, 8).
Epílogo
É fácil perceber que, em vários aspectos, há hoje pensadores Católico-romanos que recusariam posições da sua Igreja. Quem lê um Louis Evely, um Juan Arias, um Gonçales Ruiz, um Hans Küng, como quem lê os autores católicos do livro Objecções ao Catolicismo Romano, terá que reconhecer que as divergências acima apontadas, não têm o apoio de todos.
Quererá isto dizer que a Igreja Católica está a protestantizar-se? Pensamos que o Protestantismo, porque procura ser fiel à Sagrada Escritura, acabou por demonstrar ao longo dos séculos a legitimidade das suas afirmações fundamentais. Quer dizer que graças ao facto de ter a Bíblia como ponto de referência, ele está muito actualizado. Quando o Catolicismo avança, avança no mesmo sentido que a Reforma apontou.
Com o II Concílio do Vaticano, convocado pelo Papa João XXIII, houve em muitos a esperança de que, finalmente, Catolicismo e Protestantismo iam deixar de ser antagonismos. "A Contra - Reforma acabou!" exclamou, afirma-se, o cardeal Bea, abraçando um teólogo protestante no encerramento daquele Concílio.
Mas, manda a verdade dizer, vinte anos depois do Vaticano II mantêm-se grandes barreiras entre o Catolicismo e o Protestantismo.
Reforma Protestante
Reforma Protestante
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A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século XVI por Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 teses,[1] protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas.[2]
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo.
Índice [esconder]
1 Pré-Reforma
2 Reforma
2.1 Na Alemanha, Suíça e França
2.2 No Reino Unido
2.3 Nos Países Baixos e na Escandinávia
2.4 Em outras partes da Europa
3 Conseqüências
3.1 Contra-reforma
3.2 Protestantismo
4 Comparação entre o Catolicismo e o Protestantismo no século XVI
5 Referências
6 Ver também
7 Ligações externas
[editar] Pré-Reforma
A Pré-Reforma foi o período anterior à Reforma Protestante no qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma iniciada por Martinho Lutero.
A Pré-Reforma tem suas origens em uma denominação cristã do século XII conhecida como Valdenses, que era formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu ao Cristianismo por volta de 1174. Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade e aos bens, que repartiu entre os pobres. Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, considerando ser a fonte de toda autoridade eclesiástica. Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica, já que negavam a supremacia de Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.[3]
John Wycliffe.No seguimento do colapso de instituições monásticas e da escolástica nos finais da Idade Média na Europa, acentuado pelo Cativeiro Babilônico da igreja no papado de Avignon, o Grande Cisma e o fracasso da conciliação, se viu no século XVI o fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos posteriores valores religiosos fundamentais.
No século XIV, o inglês John Wycliffe,[4] considerado como precursor da Reforma Protestante, levantou diversos questionamentos sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como "lolardos". Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período: Jan Hus. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como Hussitas.[5]
[editar] Reforma
[editar] Na Alemanha, Suíça e França
No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517. A 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas.[6] Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.[7]
Martinho Lutero, aos 46 anos de idade.Essas teses condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por toda a Europa.[8]
Após diversos acontecimentos, em junho de 1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero, a partir da publicação das suas 95 Teses. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia. Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.[9] Finalmente, em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de 1521, a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.[10]
Extensão da Reforma Protestante na Europa.Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos. Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas igrejas e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião". Seu casamento com a ex-freira cisterciense Catarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Com estes e outros atos consumou-se o rompimento definitivo com a Igreja Romana.[11] Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma.[12] Autoridades de várias regiões do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,[13] substituindo-os por religiosos com formação luterana.[14]
Toda essa rebelião ideológica resultou também em rebeliões armadas, com destaque para a Guerra dos camponeses (1524-1525). Esta guerra foi, de muitas maneiras, uma resposta aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala em Flandres (1321-1323), na França (1358), na Inglaterra (1381-1388), durante as guerras hussitas do século XV, e muitas outras até o século XVIII. A revolta foi incitada principalmente pelo seguidor de Lutero, Thomas Münzer,[14] que comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada,[14] Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores e servos" era vontade divina,[14] motivo pelo qual eles romperam,[15] sendo que Lutero condenou Münzer e essa revolta.[16]
O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox.Em 1530 foi apresentada na Dieta imperial convocada pelo Imperador Carlos V, realizada em abril desse ano, a Confissão de Augsburgo, escrita por Felipe Melanchton [17] com o apoio da Liga de Esmalcalda. Os representantes católicos na Dieta resolveram preparar uma refutação ao documento luterano em agosto, a Confutatio Pontificia (Confutação), que foi lida na Dieta. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem que sua Confissão havia sido refutada. A reação luterana surgiu na forma da Apologia da Confissão de Augsburgo, que estava pronta para ser apresentada em setembro do mesmo ano, mas foi rejeitada pelo Imperador. A Apologia foi publicada por Felipe Melanchton no fim de maio de 1531, tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a Confissão de Augsburgo, em Esmalcalda, em 1537.[18]
Ao mesmo tempo em que ocorria uma reforma em um sentido determinado, alguns grupos protestantes realizaram a chamada Reforma Radical. Queriam uma reforma mais profunda. Foram parte importante dessa reforma radical os Anabatistas, cujas principais características eram a defesa da total separação entre igreja e estado e o "novo batismo" [19] (que em grego é anabaptizo).[20]
João Calvino.Enquanto na Alemanha a reforma era liderada por Lutero, Na França e na Suíça a Reforma teve como líderes João Calvino e Ulrico Zuínglio .
João Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto como um representante importante do movimento protestante.[21] Vítima das perseguições aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em 1533 [22] onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se um centro do protestantismo europeu e João Calvino permanece desde então como uma figura central da história da cidade e da Suíça. Calvino publicou as Institutas da Religião Cristã,[23] que são uma importante referência para o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas.[24]
Os problemas com os huguenotes somente concluíram quando o Rei Henry IV, um ex-huguenote, emitiu o Édito de Nantes, declarando tolerância religiosa e prometendo um reconhecimento oficial da minoria protestante, mas sob condições muito restritas. O catolicismo se manteve como religião oficial estatal e as fortunas dos protestantes franceses diminuíram gradualmente ao longo do próximo século, culminando na Louis XIV do Édito de Fontainebleau, que revogou o Édito de Nantes e fez do catolicismo única religião legal na França. Em resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederick William de Brandemburgo declarou o Édito de Potsdam, dando passagem livre para franceses huguenotes refugiados e status de isenção de impostos a eles durante 10 anos.
Ulrico Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Zuínglio não deixou igrejas organizadas, mas as suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas. A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique, levando a mudanças significativas na vida civil e em assuntos de estado em Zurique.[25]
[editar] No Reino Unido
O curso da Reforma foi diferente na Inglaterra. Desde muito tempo atrás havia uma forte corrente anticlerical, tendo a Inglaterra já visto o movimento Lollardo, que inspirou os Hussitas na Boémia. No entanto, ao redor de 1520 os lollardos já não eram uma força ativa, ou pelo menos um movimento de massas.
Henrique VIII.Embora Henrique VIII tivesse defendido a Igreja Católica com o livro Assertio Septem Sacramentorum (Defesa dos Sete Sacramentos), que contrapunha as 95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do casamento.[26] Perante a recusa do Papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no Parlamento em novembro de 1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o Anglicanismo. Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados, perseguidos [27] e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes,[28] muitos importantes opositores foram mortos, tais como Thomas More, o Bispo John Fischer e alguns sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos. Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI em 1547, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta diferenciando o anglicanismo ainda mais do catolicismo.[29]
Seguiu-se uma breve reação católica durante o reinado de Maria I (1553-1558). De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação com Roma, consagrada em 1554, quando o Parlamento votou o regresso à obediência ao Papa.[26] Um consenso começou a surgir durante o reinado de Elizabeth I. Em 1559, Elizabeth I retornou ao anglicanismo com o restabelecimento do Ato de Supremacia e do Livro de Orações de Eduardo VI. Através da Confissão dos Trinta e Nove Artigos (1563), Elizabeth alcançou um compromisso entre o protestantismo e o catolicismo: embora o dogma se aproximasse do calvinismo, só admitindo como sacramentos o Batismo e a Eucaristia, foi mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimônias religiosas.
John Knox.A Reforma na Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Católica (episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a ecclesia anglicanae, ou seja, A Igreja cristã na Inglaterra e não como uma derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. A Reforma Anglicana buscou ser a "via média" entre o catolicismo e o protestantismo.[30]
Em 1561 apareceu uma confissão de fé com uma Exortação à Reforma da Igreja modificando seu sistema de liderança, pelo qual nenhuma igreja deveria exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras, e ninguém deveria exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de eleição. Esse sistema, considerado "separatista" pela Igreja Anglicana, ficou conhecido como Congregacionalismo.[31] Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de uma igreja congregacional, entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de Londres. Por volta de 1570 ele publicou um manifesto intitulado As Verdadeiras Marcas da Igreja de Cristo.[32] Em 1580 Robert Browne, um clérigo anglicano que se tornou separatista, junto com o leigo Robert Harrison, organizou em Norwich uma congregação cujo sistema era congregacionalista,[33] sendo um claro exemplo de igreja desse sistema.
Na Escócia, John Knox (1505-1572), que tinha estudado com João Calvino em Genebra, levou o Parlamento da Escócia a abraçar a Reforma Protestante em 1560, sendo estabelecido o Presbiterianismo. A primeira Igreja Presbiteriana, a Church of Scotland (ou Kirk), foi fundada como resultado disso.[34]
[editar] Nos Países Baixos e na Escandinávia
Erasmo de Roterdão.A Reforma nos Países Baixos, ao contrário de muitos outros países, não foi iniciado pelos governantes das Dezessete Províncias, mas sim por vários movimentos populares que, por sua vez, foram reforçados com a chegada dos protestantes refugiados de outras partes do continente. Enquanto o movimento Anabatista gozava de popularidade na região nas primeiras décadas da Reforma, o calvinismo, através da Igreja Reformada Holandesa, tornou a fé protestante dominante no país desde a década de 1560 em diante. No início de agosto de 1566, uma multidão de protestantes invadiu a Igreja de Hondschoote na Flandres (atualmente Norte da França) com a finalidade de destruir das imagens católicas,[35][36][37] esse incidente provocou outros semelhantes nas províncias do norte e sul, até Beeldenstorm, em que calvinistas invadiram igrejas e outros edifícios católicos para destruir estátuas e imagens de santos em toda a Holanda, pois de acordo com os calvinistas, estas estátuas representavam culto de ídolos. Duras perseguições aos protestantes pelo governo espanhol de Felipe II contribuíram para um desejo de independência nas províncias, o que levou à Guerra dos Oitenta Anos e eventualmente, a separação da zona protestante (atual Holanda, ao norte) da zona católica (atual Bélgica, ao sul).[34]
Teve grande importância durante a Reforma um teólogo holandês: Erasmo de Roterdã. No auge de sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido nas discussões sobre a Reforma. Inicialmente, Erasmo se simpatizou com os principais pontos da crítica de Lutero, descrevendo-o como "uma poderosa trombeta da verdade do evangelho" e admitindo que, "É claro que muitas das reformas que Lutero pede são urgentemente necessárias.".[38] Lutero e Erasmo demonstraram admiração mútua, porém Erasmo hesitou em apoiar Lutero devido a seu medo de mudanças na doutrina. Em seu Catecismo (intitulado Explicação do Credo Apostólico, de 1533), Erasmo tomou uma posição contrária a Lutero por aceitar o ensinamento da "Sagrada Tradição" não escrita como válida fonte de inspiração além da Bíblia, por aceitar no cânon bíblico os livros deuterocanônicos e por reconhecer os sete sacramentos.[39] Estas e outras discordâncias, como por exemplo, o tema do Livre arbítrio fizeram com que Lutero e Erasmo se tornassem opositores.
Catedral luterana em Helsinque, Finlândia.Na Dinamarca, a difusão das idéias de Lutero deveu-se a Hans Tausen. Em 1536 [40] na Dieta de Copenhaga, o rei Cristiano III aboliu a autoridade dos bispos católicos, tendo sido confiscados os bens das igrejas e dos mosteiros. O rei atribuiu a Johann Bugenhagen, discípulo de Lutero, a responsabilidade de organizar uma Igreja Luterana nacional.[41] A Reforma na Noruega e na Islândia foi uma conseqüência da dominação da Dinamarca sobre estes territórios; assim, logo em 1537 ela foi introduzida na Noruega e entre 1541 e 1550 [40] na Islândia, tendo assumido neste último território características violentas.
Na Suécia, o movimento reformista foi liderado pelos irmãos Olaus Petri e Laurentius Petri. Teve o apoio do rei Gustavo I Vasa,[42] que rompeu com Roma em 1525, na Dieta de Vasteras. O luteranismo, então, penetrou neste país estabelecendo-se em 1527.[40] Em 1593, a Igreja sueca adotou a Confissão de Augsburgo. Na Finlândia, as igrejas faziam parte da Igreja sueca até o início do século XIX, quando foi formada uma igreja nacional independente, a Igreja Evangélica Luterana da Finlândia.
[editar] Em outras partes da Europa
Na Hungria, a disseminação do protestantismo foi auxiliada pela minoria étnica alemã, que podia traduzir os escritos de Lutero. Enquanto o Luteranismo ganhou uma posição entre a população de língua alemã, o Calvinismo se tornou amplamente popular entre a etnia húngara.[43] Provavelmente, os protestantes chegaram a ser maioria na Hungria até o final do século XVI, mas os esforços da Contra-Reforma no século XVII levaram uma maioria do reino de volta ao catolicismo.[44]
Fortemente perseguida, a Reforma praticamente não penetrou em Portugal e Espanha. Ainda assim, uma missão francesa enviada por João Calvino se estabeleceu em 1557 numa das ilhas da Baía de Guanabara, localizada no Brasil, então colônia de Portugal. Ainda que tenha durado pouco tempo, deixou como herança a Confissão de Fé da Guanabara.[45] Na Espanha, as idéias reformadas influíram em dois monges católicos: Casiodoro de Reina, que fez a primeira tradução da Bíblia para o idioma espanhol, e Cipriano de Valera, que fez sua revisão,[46] originando a conhecida como Biblia Reina-Valera.[47]
[editar] Conseqüências
[editar] Contra-reforma
Ver artigo principal: Contra-Reforma
Massacre de São Bartolomeu.Imediatamente após o início da Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana decidiu tomar medidas para frear o avanço da Reforma. Realizou-se, então, o Concílio de Trento (1545-1563),[48] que resultou no início da Contra-Reforma ou Reforma Católica,[49] na qual os Jesuítas tiveram um papel importante.[50] A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Católica foram igualmente determinantes para evitar que as idéias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos.[51]
O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu: "Com o Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada "indivíduo"". Segundo Bernard Cottret, "A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no Cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz mais respeito ao indivíduo do que à comunidade",[52] diferente da pregação católica que defende a salvação na igreja.[53]
O principal acontecimento da contra-reforma foi a Massacre da noite de São Bartolomeu. As matanças, organizadas pela casa real francesa, começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70.000 e 100.000 protestantes franceses (chamados huguenotes).[54]
[editar] Protestantismo
Ver artigo principal: Protestantismo
Um dos pontos de destaque da reforma é o fato de ela ter possibilitado um maior acesso à Bíblia, graças às traduções feitas por vários reformadores (entre eles o próprio Lutero) a partir do latim para as línguas nacionais.[55] Tal liberdade fez com que fossem criados diversos grupos independentes, conhecidos como denominações. Nas primeiras décadas após a Reforma Protestante, surgiram diversos grupos, destacando o Luteranismo e as Igrejas Reformadas ou calvinistas (Presbiterianismo e Congregacionalismo). Nos séculos seguintes, surgiram outras denominações reformadas, com destaque para os Batistas e os Metodistas.
A seguir, uma tabela ilustrando o surgimento a traves dos séculos das diferentes correntes ou ramos do Protestantismo.
Ramos do Protestantismo.
[editar] Comparação entre o Catolicismo e o Protestantismo no século XVI
Igreja Livro Sagrado Salvação humana Sacramentos Rito religioso Principais áreas de influência européia
Católica A Bíblia é a fonte de fé, mas devia ser interpretada pelos padres da Igreja. A tradição católica também é uma fonte de fé, assim como o Magistério da Igreja. Salvação pela fé com o auxílio das obras. São sete: Batismo, Crisma, Eucaristia, Matrimônio, Penitência, ordem e Unção dos doentes. Missa solene em latim. Espanha, Portugal, Itália, sul da Alemanha, maioria da França, maioria da Irlanda.
Luterana A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé em Deus. São dois: Batismo e Eucaristia. Culto simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais. Norte da Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia.
Calvinista A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação. São dois: Batismo e Eucaristia. Culto bem simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais. Suíça, Países Baixos, parte da França (huguenotes), Inglaterra (puritanos), Escócia (presbiterianos).
Anglicana A Bíblia é a fonte principal de fé. Devia ser interpretada pela Igreja (tradição) e permitia-se seu livre exame (razão). Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação. Para os anglicanos o Batismo e a Eucaristia foram os dois sacramentos instituídos por Jesus Cristo. Os demais ritos sacramentais da Igreja também são aceitos, apesar de não terem sido instituídos por Cristo, mas são reconhecidos por serem, em parte, estados de vida aprovados nas Escrituras: a Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio e a Unção dos enfermos. Culto conservando a forma católica (liturgia, hierarquia da Igreja). Uso da língua nacional (inglês). Inglaterra.
Referências
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A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século XVI por Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 teses,[1] protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas.[2]
Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.
O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo.
Índice [esconder]
1 Pré-Reforma
2 Reforma
2.1 Na Alemanha, Suíça e França
2.2 No Reino Unido
2.3 Nos Países Baixos e na Escandinávia
2.4 Em outras partes da Europa
3 Conseqüências
3.1 Contra-reforma
3.2 Protestantismo
4 Comparação entre o Catolicismo e o Protestantismo no século XVI
5 Referências
6 Ver também
7 Ligações externas
[editar] Pré-Reforma
A Pré-Reforma foi o período anterior à Reforma Protestante no qual se iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma iniciada por Martinho Lutero.
A Pré-Reforma tem suas origens em uma denominação cristã do século XII conhecida como Valdenses, que era formada pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu ao Cristianismo por volta de 1174. Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e começou a pregá-la ao povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo, renunciou à sua atividade e aos bens, que repartiu entre os pobres. Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, considerando ser a fonte de toda autoridade eclesiástica. Eles reuniam-se em casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à perseguição da Igreja Católica, já que negavam a supremacia de Roma e rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.[3]
John Wycliffe.No seguimento do colapso de instituições monásticas e da escolástica nos finais da Idade Média na Europa, acentuado pelo Cativeiro Babilônico da igreja no papado de Avignon, o Grande Cisma e o fracasso da conciliação, se viu no século XVI o fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos posteriores valores religiosos fundamentais.
No século XIV, o inglês John Wycliffe,[4] considerado como precursor da Reforma Protestante, levantou diversos questionamentos sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como "lolardos". Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período: Jan Hus. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como Hussitas.[5]
[editar] Reforma
[editar] Na Alemanha, Suíça e França
No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517. A 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas.[6] Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.[7]
Martinho Lutero, aos 46 anos de idade.Essas teses condenavam a "avareza e o paganismo" na Igreja, e pediam um debate teológico sobre o que as indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por toda a Europa.[8]
Após diversos acontecimentos, em junho de 1518 foi aberto um processo por parte da Igreja Romana contra Lutero, a partir da publicação das suas 95 Teses. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia. Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.[9] Finalmente, em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge Domini" e, em janeiro de 1521, a bula "Decet Romanum Pontificem" excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano. Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro de 1522.[10]
Extensão da Reforma Protestante na Europa.Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos monásticos. Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas igrejas e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião". Seu casamento com a ex-freira cisterciense Catarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Com estes e outros atos consumou-se o rompimento definitivo com a Igreja Romana.[11] Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma.[12] Autoridades de várias regiões do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,[13] substituindo-os por religiosos com formação luterana.[14]
Toda essa rebelião ideológica resultou também em rebeliões armadas, com destaque para a Guerra dos camponeses (1524-1525). Esta guerra foi, de muitas maneiras, uma resposta aos discursos de Lutero e de outros reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala em Flandres (1321-1323), na França (1358), na Inglaterra (1381-1388), durante as guerras hussitas do século XV, e muitas outras até o século XVIII. A revolta foi incitada principalmente pelo seguidor de Lutero, Thomas Münzer,[14] que comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada,[14] Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores e servos" era vontade divina,[14] motivo pelo qual eles romperam,[15] sendo que Lutero condenou Münzer e essa revolta.[16]
O Muro dos Reformadores. Da esquerda à direita, estátuas de Guilherme Farel, João Calvino, Teodoro de Beza e John Knox.Em 1530 foi apresentada na Dieta imperial convocada pelo Imperador Carlos V, realizada em abril desse ano, a Confissão de Augsburgo, escrita por Felipe Melanchton [17] com o apoio da Liga de Esmalcalda. Os representantes católicos na Dieta resolveram preparar uma refutação ao documento luterano em agosto, a Confutatio Pontificia (Confutação), que foi lida na Dieta. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem que sua Confissão havia sido refutada. A reação luterana surgiu na forma da Apologia da Confissão de Augsburgo, que estava pronta para ser apresentada em setembro do mesmo ano, mas foi rejeitada pelo Imperador. A Apologia foi publicada por Felipe Melanchton no fim de maio de 1531, tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a Confissão de Augsburgo, em Esmalcalda, em 1537.[18]
Ao mesmo tempo em que ocorria uma reforma em um sentido determinado, alguns grupos protestantes realizaram a chamada Reforma Radical. Queriam uma reforma mais profunda. Foram parte importante dessa reforma radical os Anabatistas, cujas principais características eram a defesa da total separação entre igreja e estado e o "novo batismo" [19] (que em grego é anabaptizo).[20]
João Calvino.Enquanto na Alemanha a reforma era liderada por Lutero, Na França e na Suíça a Reforma teve como líderes João Calvino e Ulrico Zuínglio .
João Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto como um representante importante do movimento protestante.[21] Vítima das perseguições aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em 1533 [22] onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se um centro do protestantismo europeu e João Calvino permanece desde então como uma figura central da história da cidade e da Suíça. Calvino publicou as Institutas da Religião Cristã,[23] que são uma importante referência para o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas.[24]
Os problemas com os huguenotes somente concluíram quando o Rei Henry IV, um ex-huguenote, emitiu o Édito de Nantes, declarando tolerância religiosa e prometendo um reconhecimento oficial da minoria protestante, mas sob condições muito restritas. O catolicismo se manteve como religião oficial estatal e as fortunas dos protestantes franceses diminuíram gradualmente ao longo do próximo século, culminando na Louis XIV do Édito de Fontainebleau, que revogou o Édito de Nantes e fez do catolicismo única religião legal na França. Em resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederick William de Brandemburgo declarou o Édito de Potsdam, dando passagem livre para franceses huguenotes refugiados e status de isenção de impostos a eles durante 10 anos.
Ulrico Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Zuínglio não deixou igrejas organizadas, mas as suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas. A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique, levando a mudanças significativas na vida civil e em assuntos de estado em Zurique.[25]
[editar] No Reino Unido
O curso da Reforma foi diferente na Inglaterra. Desde muito tempo atrás havia uma forte corrente anticlerical, tendo a Inglaterra já visto o movimento Lollardo, que inspirou os Hussitas na Boémia. No entanto, ao redor de 1520 os lollardos já não eram uma força ativa, ou pelo menos um movimento de massas.
Henrique VIII.Embora Henrique VIII tivesse defendido a Igreja Católica com o livro Assertio Septem Sacramentorum (Defesa dos Sete Sacramentos), que contrapunha as 95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do casamento.[26] Perante a recusa do Papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no Parlamento em novembro de 1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo assim o Anglicanismo. Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados, perseguidos [27] e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes,[28] muitos importantes opositores foram mortos, tais como Thomas More, o Bispo John Fischer e alguns sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos. Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI em 1547, os protestantes viram-se em ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta diferenciando o anglicanismo ainda mais do catolicismo.[29]
Seguiu-se uma breve reação católica durante o reinado de Maria I (1553-1558). De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação com Roma, consagrada em 1554, quando o Parlamento votou o regresso à obediência ao Papa.[26] Um consenso começou a surgir durante o reinado de Elizabeth I. Em 1559, Elizabeth I retornou ao anglicanismo com o restabelecimento do Ato de Supremacia e do Livro de Orações de Eduardo VI. Através da Confissão dos Trinta e Nove Artigos (1563), Elizabeth alcançou um compromisso entre o protestantismo e o catolicismo: embora o dogma se aproximasse do calvinismo, só admitindo como sacramentos o Batismo e a Eucaristia, foi mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimônias religiosas.
John Knox.A Reforma na Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Católica (episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como a ecclesia anglicanae, ou seja, A Igreja cristã na Inglaterra e não como uma derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. A Reforma Anglicana buscou ser a "via média" entre o catolicismo e o protestantismo.[30]
Em 1561 apareceu uma confissão de fé com uma Exortação à Reforma da Igreja modificando seu sistema de liderança, pelo qual nenhuma igreja deveria exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras, e ninguém deveria exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de eleição. Esse sistema, considerado "separatista" pela Igreja Anglicana, ficou conhecido como Congregacionalismo.[31] Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de uma igreja congregacional, entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de Londres. Por volta de 1570 ele publicou um manifesto intitulado As Verdadeiras Marcas da Igreja de Cristo.[32] Em 1580 Robert Browne, um clérigo anglicano que se tornou separatista, junto com o leigo Robert Harrison, organizou em Norwich uma congregação cujo sistema era congregacionalista,[33] sendo um claro exemplo de igreja desse sistema.
Na Escócia, John Knox (1505-1572), que tinha estudado com João Calvino em Genebra, levou o Parlamento da Escócia a abraçar a Reforma Protestante em 1560, sendo estabelecido o Presbiterianismo. A primeira Igreja Presbiteriana, a Church of Scotland (ou Kirk), foi fundada como resultado disso.[34]
[editar] Nos Países Baixos e na Escandinávia
Erasmo de Roterdão.A Reforma nos Países Baixos, ao contrário de muitos outros países, não foi iniciado pelos governantes das Dezessete Províncias, mas sim por vários movimentos populares que, por sua vez, foram reforçados com a chegada dos protestantes refugiados de outras partes do continente. Enquanto o movimento Anabatista gozava de popularidade na região nas primeiras décadas da Reforma, o calvinismo, através da Igreja Reformada Holandesa, tornou a fé protestante dominante no país desde a década de 1560 em diante. No início de agosto de 1566, uma multidão de protestantes invadiu a Igreja de Hondschoote na Flandres (atualmente Norte da França) com a finalidade de destruir das imagens católicas,[35][36][37] esse incidente provocou outros semelhantes nas províncias do norte e sul, até Beeldenstorm, em que calvinistas invadiram igrejas e outros edifícios católicos para destruir estátuas e imagens de santos em toda a Holanda, pois de acordo com os calvinistas, estas estátuas representavam culto de ídolos. Duras perseguições aos protestantes pelo governo espanhol de Felipe II contribuíram para um desejo de independência nas províncias, o que levou à Guerra dos Oitenta Anos e eventualmente, a separação da zona protestante (atual Holanda, ao norte) da zona católica (atual Bélgica, ao sul).[34]
Teve grande importância durante a Reforma um teólogo holandês: Erasmo de Roterdã. No auge de sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido nas discussões sobre a Reforma. Inicialmente, Erasmo se simpatizou com os principais pontos da crítica de Lutero, descrevendo-o como "uma poderosa trombeta da verdade do evangelho" e admitindo que, "É claro que muitas das reformas que Lutero pede são urgentemente necessárias.".[38] Lutero e Erasmo demonstraram admiração mútua, porém Erasmo hesitou em apoiar Lutero devido a seu medo de mudanças na doutrina. Em seu Catecismo (intitulado Explicação do Credo Apostólico, de 1533), Erasmo tomou uma posição contrária a Lutero por aceitar o ensinamento da "Sagrada Tradição" não escrita como válida fonte de inspiração além da Bíblia, por aceitar no cânon bíblico os livros deuterocanônicos e por reconhecer os sete sacramentos.[39] Estas e outras discordâncias, como por exemplo, o tema do Livre arbítrio fizeram com que Lutero e Erasmo se tornassem opositores.
Catedral luterana em Helsinque, Finlândia.Na Dinamarca, a difusão das idéias de Lutero deveu-se a Hans Tausen. Em 1536 [40] na Dieta de Copenhaga, o rei Cristiano III aboliu a autoridade dos bispos católicos, tendo sido confiscados os bens das igrejas e dos mosteiros. O rei atribuiu a Johann Bugenhagen, discípulo de Lutero, a responsabilidade de organizar uma Igreja Luterana nacional.[41] A Reforma na Noruega e na Islândia foi uma conseqüência da dominação da Dinamarca sobre estes territórios; assim, logo em 1537 ela foi introduzida na Noruega e entre 1541 e 1550 [40] na Islândia, tendo assumido neste último território características violentas.
Na Suécia, o movimento reformista foi liderado pelos irmãos Olaus Petri e Laurentius Petri. Teve o apoio do rei Gustavo I Vasa,[42] que rompeu com Roma em 1525, na Dieta de Vasteras. O luteranismo, então, penetrou neste país estabelecendo-se em 1527.[40] Em 1593, a Igreja sueca adotou a Confissão de Augsburgo. Na Finlândia, as igrejas faziam parte da Igreja sueca até o início do século XIX, quando foi formada uma igreja nacional independente, a Igreja Evangélica Luterana da Finlândia.
[editar] Em outras partes da Europa
Na Hungria, a disseminação do protestantismo foi auxiliada pela minoria étnica alemã, que podia traduzir os escritos de Lutero. Enquanto o Luteranismo ganhou uma posição entre a população de língua alemã, o Calvinismo se tornou amplamente popular entre a etnia húngara.[43] Provavelmente, os protestantes chegaram a ser maioria na Hungria até o final do século XVI, mas os esforços da Contra-Reforma no século XVII levaram uma maioria do reino de volta ao catolicismo.[44]
Fortemente perseguida, a Reforma praticamente não penetrou em Portugal e Espanha. Ainda assim, uma missão francesa enviada por João Calvino se estabeleceu em 1557 numa das ilhas da Baía de Guanabara, localizada no Brasil, então colônia de Portugal. Ainda que tenha durado pouco tempo, deixou como herança a Confissão de Fé da Guanabara.[45] Na Espanha, as idéias reformadas influíram em dois monges católicos: Casiodoro de Reina, que fez a primeira tradução da Bíblia para o idioma espanhol, e Cipriano de Valera, que fez sua revisão,[46] originando a conhecida como Biblia Reina-Valera.[47]
[editar] Conseqüências
[editar] Contra-reforma
Ver artigo principal: Contra-Reforma
Massacre de São Bartolomeu.Imediatamente após o início da Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana decidiu tomar medidas para frear o avanço da Reforma. Realizou-se, então, o Concílio de Trento (1545-1563),[48] que resultou no início da Contra-Reforma ou Reforma Católica,[49] na qual os Jesuítas tiveram um papel importante.[50] A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Católica foram igualmente determinantes para evitar que as idéias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos.[51]
O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu: "Com o Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada "indivíduo"". Segundo Bernard Cottret, "A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no Cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz mais respeito ao indivíduo do que à comunidade",[52] diferente da pregação católica que defende a salvação na igreja.[53]
O principal acontecimento da contra-reforma foi a Massacre da noite de São Bartolomeu. As matanças, organizadas pela casa real francesa, começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70.000 e 100.000 protestantes franceses (chamados huguenotes).[54]
[editar] Protestantismo
Ver artigo principal: Protestantismo
Um dos pontos de destaque da reforma é o fato de ela ter possibilitado um maior acesso à Bíblia, graças às traduções feitas por vários reformadores (entre eles o próprio Lutero) a partir do latim para as línguas nacionais.[55] Tal liberdade fez com que fossem criados diversos grupos independentes, conhecidos como denominações. Nas primeiras décadas após a Reforma Protestante, surgiram diversos grupos, destacando o Luteranismo e as Igrejas Reformadas ou calvinistas (Presbiterianismo e Congregacionalismo). Nos séculos seguintes, surgiram outras denominações reformadas, com destaque para os Batistas e os Metodistas.
A seguir, uma tabela ilustrando o surgimento a traves dos séculos das diferentes correntes ou ramos do Protestantismo.
Ramos do Protestantismo.
[editar] Comparação entre o Catolicismo e o Protestantismo no século XVI
Igreja Livro Sagrado Salvação humana Sacramentos Rito religioso Principais áreas de influência européia
Católica A Bíblia é a fonte de fé, mas devia ser interpretada pelos padres da Igreja. A tradição católica também é uma fonte de fé, assim como o Magistério da Igreja. Salvação pela fé com o auxílio das obras. São sete: Batismo, Crisma, Eucaristia, Matrimônio, Penitência, ordem e Unção dos doentes. Missa solene em latim. Espanha, Portugal, Itália, sul da Alemanha, maioria da França, maioria da Irlanda.
Luterana A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé em Deus. São dois: Batismo e Eucaristia. Culto simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais. Norte da Alemanha, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia.
Calvinista A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação. São dois: Batismo e Eucaristia. Culto bem simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais. Suíça, Países Baixos, parte da França (huguenotes), Inglaterra (puritanos), Escócia (presbiterianos).
Anglicana A Bíblia é a fonte principal de fé. Devia ser interpretada pela Igreja (tradição) e permitia-se seu livre exame (razão). Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação. Para os anglicanos o Batismo e a Eucaristia foram os dois sacramentos instituídos por Jesus Cristo. Os demais ritos sacramentais da Igreja também são aceitos, apesar de não terem sido instituídos por Cristo, mas são reconhecidos por serem, em parte, estados de vida aprovados nas Escrituras: a Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio e a Unção dos enfermos. Culto conservando a forma católica (liturgia, hierarquia da Igreja). Uso da língua nacional (inglês). Inglaterra.
Referências
o que é que distingue o Catolicismo do Protestantismo.
Introdução
Num pais cuja cultura é, indubitavelmente, bastante devedora ao Catolicismo Romano, a compreensão do Protestantismo tornar-se-á mais clara se for feita uma comparação entre uma e outra das correntes cristãs. Assim, seguiremos o consabido principio pedagógico que estabelece a necessidade de, para chegar a adquirir um novo conhecimento, dever começar-se por conceitos já adquiridos.
Antes de falarmos das divergências existentes entre ambas as expressões da Fé Cristã, convém lembrar o que é mais importante: os seus pontos de concordância. Esses pontos podem resumir-se dizendo que católicos e protestantes aceitam os símbolos de Fé conhecidos por Credo de Niceia e Constantinopla (381 A.D.) e o Credo dos Apóstolos (também do século IV).
Alguns grupos protestantes nunca recitam qualquer Credo, mais por falta de hábito no uso de textos litúrgicos que por razões doutrinais. Mas as doutrinas nestes dois Credos enunciadas são de fundamento bíblico. Nem se põe nenhum problema aos evangélicos relativamente à expressão "creio na Igreja, una, santa, católica e apost6lica". A cultura mais elementar sabe que "católica" é a Igreja Universal, composta de todos os que professam a fé em Jesus Cristo, o Senhor. Assim, visto que aqueles dois credos encerram os princípios essenciais do Cristianismo, podemos dizer serem enormes os pontos de concordância entre o Catolicismo e o Protestantismo.
Duas expressões - uma realidade?
O Professor Franz J. Leenhardt, teólogo de Genebra, fazia recentemente esta análise: o Catolicismo e o Protestantismo são duas expressões da mesma realidade. Uma é expressão extrovertida e a outra a expressão introvertida. Leenhardt lembrava que o extrovertido vive dos olhos, do tocar, do apreender a realidade com os sentidos, e o introvertido vive dos ouvidos, da escuta, do apreender a realidade pela meditação. O Católico, extrovertido, precisa do ritual, do gesto, do movimento, da hierarquia, de tudo o que e exterior, incluindo as imagens, as aparições, enfim, o que cativa os olhos. O Protestante, introvertido, precisa da Palavra e nada mais. É uma análise sob muitos aspectos esclarecedora.
Temos pensado ao longo dos anos que o Catolicismo e o Protestantismo são a expressão dentro do Cristianismo de um fenómeno que se tem observado noutras religiões, especialmente na religião de que somos continuadores, a religião do Antigo Testamento. Referimo-nos ao fenómeno da tendência para o aparecimento dentro de uma religião de duas grandes correntes: a corrente sacerdotal e a corrente profética.
Em Israel os sacerdotes aparecem como os homens do culto, do ritual, que tendem ao conservadorismo, à defesa da tradição e a, na prática, substituírem a mensagem pelo seu invólucro, isto é, a substituírem a fé pela religião. Mas em Israel levantam-se uns homens, geralmente austeros, desmancha-prazeres, que interpelam os sacerdotes. Em nome de quê? Em nome da Palavra que lhes chega da parte de Deus. João Baptista é o último profeta, vestido com a maior sobriedade, comendo com a máxima frugalidade e anunciando uma palavra de julgamento da parte de Deus.
O Cristianismo tem elementos proféticos (Jesus começou por pregar e pregar exactamente uma mensagem parecida com a de João Baptista), mas tem também elementos sacerdotais (Jesus é apresentado no livro de Hebreus como o Sumo - Sacerdote que se apresentou a Si próprio como a vítima imaculada). Mas o facto que se pode observar na História é que a vertente sacerdotal, conservardora e hierárquica, tomou um grande, por vezes enorme, ascendente sobre a vertente profética. Esta, no entanto, nunca deixou de existir: os lolardos, os hussitas, os valdenses e em grande parte os primeiros franciscanos, foram expressões dessa vertente profética.
Cremos que se poderá reconhecer que na Igreja Católica-Romana e na Igreja Ortodoxa ficaram mais acentuados, e por vezes, hipervalorizados os elementos sacerdotais da Fé Cristã, e no Protestantismo, também com não raras sobrevalorizações, os elementos proféticos!
Não queremos resumir as diferenças a isto: o Catolicismo sendo a expressão sacerdotal do Cristianismo e o Protestantismo a sua expressão profética - mas cremos que não se pode negar a realidade destas duas correntes e da sua hegemonia num ou no outro ramo do Cristianismo. E no fundo encontramo-nos com o Professor Leenhardt, porque o sacerdote-tipo, católico-romano ou hindu ou de qualquer outra religião, é o homem da posse, do gesto, do exterior - é um extrovertido; e o profeta é o homem da escuta, do lugar ermo, da Palavra - introvertido.
O que mais escandaliza o protestante é o que ele considera ser a coisificação, a objectivação que o católico faz da Fé. E o que mais escandaliza o católico, parece, é o modo que ele considera demasiado pobre como o protestante adora, em templos despidos de ornamentos com um culto centrado na pregação, culto de liturgia pobre que mais se parece com uma conferência dirigida apenas à razão.
Vejamos, então, o que é que distingue o Catolicismo do Protestantismo.
O teólogo Karl Barth, protestante, disse que a diferença entre o Catolicismo e o Protestantismo era apenas a conjunção e. O Protestantismo diz: "Jesus Cristo"; o Catolicismo acrescenta: "e Maria". O Protestantismo afirma: "a Bíblia"; o Catolicismo junta: "e a Tradição". O Protestantismo declara: "a fé"; o Catolicismo diz: "e as obras".
Trata-se de uma caricatura, claro, mas, como todas as caricaturas, é bastante reveladora.
Pensamos que poderíamos apontar dez diferenças entre o Catolicismo e o Protestantismo, das quais três são fundamentais e sete secundárias e que são as seguintes:
Num pais cuja cultura é, indubitavelmente, bastante devedora ao Catolicismo Romano, a compreensão do Protestantismo tornar-se-á mais clara se for feita uma comparação entre uma e outra das correntes cristãs. Assim, seguiremos o consabido principio pedagógico que estabelece a necessidade de, para chegar a adquirir um novo conhecimento, dever começar-se por conceitos já adquiridos.
Antes de falarmos das divergências existentes entre ambas as expressões da Fé Cristã, convém lembrar o que é mais importante: os seus pontos de concordância. Esses pontos podem resumir-se dizendo que católicos e protestantes aceitam os símbolos de Fé conhecidos por Credo de Niceia e Constantinopla (381 A.D.) e o Credo dos Apóstolos (também do século IV).
Alguns grupos protestantes nunca recitam qualquer Credo, mais por falta de hábito no uso de textos litúrgicos que por razões doutrinais. Mas as doutrinas nestes dois Credos enunciadas são de fundamento bíblico. Nem se põe nenhum problema aos evangélicos relativamente à expressão "creio na Igreja, una, santa, católica e apost6lica". A cultura mais elementar sabe que "católica" é a Igreja Universal, composta de todos os que professam a fé em Jesus Cristo, o Senhor. Assim, visto que aqueles dois credos encerram os princípios essenciais do Cristianismo, podemos dizer serem enormes os pontos de concordância entre o Catolicismo e o Protestantismo.
Duas expressões - uma realidade?
O Professor Franz J. Leenhardt, teólogo de Genebra, fazia recentemente esta análise: o Catolicismo e o Protestantismo são duas expressões da mesma realidade. Uma é expressão extrovertida e a outra a expressão introvertida. Leenhardt lembrava que o extrovertido vive dos olhos, do tocar, do apreender a realidade com os sentidos, e o introvertido vive dos ouvidos, da escuta, do apreender a realidade pela meditação. O Católico, extrovertido, precisa do ritual, do gesto, do movimento, da hierarquia, de tudo o que e exterior, incluindo as imagens, as aparições, enfim, o que cativa os olhos. O Protestante, introvertido, precisa da Palavra e nada mais. É uma análise sob muitos aspectos esclarecedora.
Temos pensado ao longo dos anos que o Catolicismo e o Protestantismo são a expressão dentro do Cristianismo de um fenómeno que se tem observado noutras religiões, especialmente na religião de que somos continuadores, a religião do Antigo Testamento. Referimo-nos ao fenómeno da tendência para o aparecimento dentro de uma religião de duas grandes correntes: a corrente sacerdotal e a corrente profética.
Em Israel os sacerdotes aparecem como os homens do culto, do ritual, que tendem ao conservadorismo, à defesa da tradição e a, na prática, substituírem a mensagem pelo seu invólucro, isto é, a substituírem a fé pela religião. Mas em Israel levantam-se uns homens, geralmente austeros, desmancha-prazeres, que interpelam os sacerdotes. Em nome de quê? Em nome da Palavra que lhes chega da parte de Deus. João Baptista é o último profeta, vestido com a maior sobriedade, comendo com a máxima frugalidade e anunciando uma palavra de julgamento da parte de Deus.
O Cristianismo tem elementos proféticos (Jesus começou por pregar e pregar exactamente uma mensagem parecida com a de João Baptista), mas tem também elementos sacerdotais (Jesus é apresentado no livro de Hebreus como o Sumo - Sacerdote que se apresentou a Si próprio como a vítima imaculada). Mas o facto que se pode observar na História é que a vertente sacerdotal, conservardora e hierárquica, tomou um grande, por vezes enorme, ascendente sobre a vertente profética. Esta, no entanto, nunca deixou de existir: os lolardos, os hussitas, os valdenses e em grande parte os primeiros franciscanos, foram expressões dessa vertente profética.
Cremos que se poderá reconhecer que na Igreja Católica-Romana e na Igreja Ortodoxa ficaram mais acentuados, e por vezes, hipervalorizados os elementos sacerdotais da Fé Cristã, e no Protestantismo, também com não raras sobrevalorizações, os elementos proféticos!
Não queremos resumir as diferenças a isto: o Catolicismo sendo a expressão sacerdotal do Cristianismo e o Protestantismo a sua expressão profética - mas cremos que não se pode negar a realidade destas duas correntes e da sua hegemonia num ou no outro ramo do Cristianismo. E no fundo encontramo-nos com o Professor Leenhardt, porque o sacerdote-tipo, católico-romano ou hindu ou de qualquer outra religião, é o homem da posse, do gesto, do exterior - é um extrovertido; e o profeta é o homem da escuta, do lugar ermo, da Palavra - introvertido.
O que mais escandaliza o protestante é o que ele considera ser a coisificação, a objectivação que o católico faz da Fé. E o que mais escandaliza o católico, parece, é o modo que ele considera demasiado pobre como o protestante adora, em templos despidos de ornamentos com um culto centrado na pregação, culto de liturgia pobre que mais se parece com uma conferência dirigida apenas à razão.
Vejamos, então, o que é que distingue o Catolicismo do Protestantismo.
O teólogo Karl Barth, protestante, disse que a diferença entre o Catolicismo e o Protestantismo era apenas a conjunção e. O Protestantismo diz: "Jesus Cristo"; o Catolicismo acrescenta: "e Maria". O Protestantismo afirma: "a Bíblia"; o Catolicismo junta: "e a Tradição". O Protestantismo declara: "a fé"; o Catolicismo diz: "e as obras".
Trata-se de uma caricatura, claro, mas, como todas as caricaturas, é bastante reveladora.
Pensamos que poderíamos apontar dez diferenças entre o Catolicismo e o Protestantismo, das quais três são fundamentais e sete secundárias e que são as seguintes:
Católicos vs. Protestantes: por que há tanta hostilidade?
Católicos vs. Protestantes: por que há tanta hostilidade?
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Pergunta: "Católicos vs. Protestantes: por que há tanta hostilidade?"
Resposta: Esta é uma pergunta simples, mas de resposta complicada, pois há vários graus e motivos para hostilidade entre quaisquer dois grupos religiosos. Esta batalha particular tem suas raízes na história. Graus de reação vão desde desacordo amigável (como refletido nos vários diálogos ecumênicos produzidos entre os dois grupos), a perseguições abertas e assassinato de protestantes nas mãos de Roma. Os ensinamentos da Reforma que identificam o papa como a Besta do Apocalipse e/ou o Catolicismo Romano como o Mistério de Babilônia ainda são comuns entre os protestantes. Claramente, qualquer um com esta visão não vai simpatizar com Roma tão cedo.
Hoje, por exemplo, a maioria da hostilidade vem da natureza humana ao lidar com discórdias fundamentais a respeito de verdades eternas. Os ânimos se exaltam nos assuntos mais importantes da vida, e a fé que se abraça (ou pelo menos, assim deveria ser) é a coisa mais importante. Muitos protestantes pensam que os católicos romanos ensinam um evangelho de obras que não pode salvar, ao passo que os católicos romanos pensam que os protestantes ensinam um “Cristianismo fácil”, que requer nada mais do que uma explosão emocional causada por uma pregação manipuladora. Os protestantes culpam os católicos por adorar a Maria e os católicos pensam que os protestantes são aparentemente insensíveis demais para entender as distinções que Roma fez em relação a isto. Tais caricaturas são freqüentemente difíceis de vencer.
Atrás dos pontos de discórdia sobre o papel da fé e obras, os sacramentos, o cânone da Escritura, o papel sacerdotal, orações a santos e todos os pontos que dizem respeito a Maria e ao papa, etc., esconde-se a maior ruptura entre o Catolicismo Romano e o Protestantismo: o ponto que diz respeito à autoridade. Como se responde a esta questão da autoridade é o que vai, geralmente, resolver tudo o mais. No que diz respeito a decidir questões teológicas sobre dogmas católicos definidos, não há muito a se discutir no lado católico, pois uma vez que Roma se pronuncia, está decidido. Este é um problema quando se tenta debater com um católico romano: a razão e as Escrituras não são a autoridade final dos católicos; eles se recolhem à “zona de conforto” da autoridade católica romana.
Assim, muitos dos argumentos entre um protestante e um católico vão girar em torno da “interpretação pessoal” que se tem a respeito das Escrituras como contra os “ensinamentos oficiais da Igreja Católica Romana”. Os católicos afirmam que, com sucesso evitam os problemas legítimos da interpretação pessoal por sua confiança nas suas tradições. Mas isto simplesmente faz a pergunta retroceder um passo. A verdade é que tanto a Igreja Católica Romana quanto a Protestante devem, no final, confiar em suas habilidades de raciocínio (para escolher sua autoridade) e seus dotes de interpretação (para entender o que ensina a autoridade) para que determinem no que irão acreditar. Os protestantes simplesmente são mais inclinados a admitir que este é o caso.
Ambos os lados podem também ser ardentemente leais à fé de suas famílias ou da igreja na qual cresceram sem pensar muito em argumentos doutrinários. Obviamente há muitas razões possíveis, e apesar de não devermos nos dividir sobre questões secundárias, ambos os lados concordam que devemos nos dividir no que diz respeito a questões primárias. Além disto, podemos discordar e adorar onde nos achamos em maior sintonia. No que diz respeito ao Catolicismo Romano e Protestantismo, as diferenças são simplesmente grandes demais para serem ignoradas. Contudo, isto não dá direito a caricaturas ou julgamentos ignorantes: ambos os lados precisam ser honestos em suas análises e tentar não ir além daquilo que Deus já revelou
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Pergunta: "Católicos vs. Protestantes: por que há tanta hostilidade?"
Resposta: Esta é uma pergunta simples, mas de resposta complicada, pois há vários graus e motivos para hostilidade entre quaisquer dois grupos religiosos. Esta batalha particular tem suas raízes na história. Graus de reação vão desde desacordo amigável (como refletido nos vários diálogos ecumênicos produzidos entre os dois grupos), a perseguições abertas e assassinato de protestantes nas mãos de Roma. Os ensinamentos da Reforma que identificam o papa como a Besta do Apocalipse e/ou o Catolicismo Romano como o Mistério de Babilônia ainda são comuns entre os protestantes. Claramente, qualquer um com esta visão não vai simpatizar com Roma tão cedo.
Hoje, por exemplo, a maioria da hostilidade vem da natureza humana ao lidar com discórdias fundamentais a respeito de verdades eternas. Os ânimos se exaltam nos assuntos mais importantes da vida, e a fé que se abraça (ou pelo menos, assim deveria ser) é a coisa mais importante. Muitos protestantes pensam que os católicos romanos ensinam um evangelho de obras que não pode salvar, ao passo que os católicos romanos pensam que os protestantes ensinam um “Cristianismo fácil”, que requer nada mais do que uma explosão emocional causada por uma pregação manipuladora. Os protestantes culpam os católicos por adorar a Maria e os católicos pensam que os protestantes são aparentemente insensíveis demais para entender as distinções que Roma fez em relação a isto. Tais caricaturas são freqüentemente difíceis de vencer.
Atrás dos pontos de discórdia sobre o papel da fé e obras, os sacramentos, o cânone da Escritura, o papel sacerdotal, orações a santos e todos os pontos que dizem respeito a Maria e ao papa, etc., esconde-se a maior ruptura entre o Catolicismo Romano e o Protestantismo: o ponto que diz respeito à autoridade. Como se responde a esta questão da autoridade é o que vai, geralmente, resolver tudo o mais. No que diz respeito a decidir questões teológicas sobre dogmas católicos definidos, não há muito a se discutir no lado católico, pois uma vez que Roma se pronuncia, está decidido. Este é um problema quando se tenta debater com um católico romano: a razão e as Escrituras não são a autoridade final dos católicos; eles se recolhem à “zona de conforto” da autoridade católica romana.
Assim, muitos dos argumentos entre um protestante e um católico vão girar em torno da “interpretação pessoal” que se tem a respeito das Escrituras como contra os “ensinamentos oficiais da Igreja Católica Romana”. Os católicos afirmam que, com sucesso evitam os problemas legítimos da interpretação pessoal por sua confiança nas suas tradições. Mas isto simplesmente faz a pergunta retroceder um passo. A verdade é que tanto a Igreja Católica Romana quanto a Protestante devem, no final, confiar em suas habilidades de raciocínio (para escolher sua autoridade) e seus dotes de interpretação (para entender o que ensina a autoridade) para que determinem no que irão acreditar. Os protestantes simplesmente são mais inclinados a admitir que este é o caso.
Ambos os lados podem também ser ardentemente leais à fé de suas famílias ou da igreja na qual cresceram sem pensar muito em argumentos doutrinários. Obviamente há muitas razões possíveis, e apesar de não devermos nos dividir sobre questões secundárias, ambos os lados concordam que devemos nos dividir no que diz respeito a questões primárias. Além disto, podemos discordar e adorar onde nos achamos em maior sintonia. No que diz respeito ao Catolicismo Romano e Protestantismo, as diferenças são simplesmente grandes demais para serem ignoradas. Contudo, isto não dá direito a caricaturas ou julgamentos ignorantes: ambos os lados precisam ser honestos em suas análises e tentar não ir além daquilo que Deus já revelou
Qual a diferença entre católicos e protestantes?
Qual a diferença entre católicos e protestantes?
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Pergunta: "Qual a diferença entre católicos e protestantes?"
Resposta: Há várias diferenças importantes entre católicos e protestantes. Apesar das tentativas, através dos últimos anos, de se achar coisas em comum entre os dois grupos, o fato é que as diferenças continuam existindo, e elas são tão importantes hoje como foram no começo da Reforma Protestante. Segue-se um rápido resumo de algumas das mais importantes diferenças:
Uma das primeiras grandes diferenças entre o Catolicismo e o Protestantismo é a questão da suficiência e autoridade das Escrituras. Os protestantes crêem que somente a Bíblia é a única fonte da revelação especial de Deus à humanidade, e como tal ela ensina a nós tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado. Os protestantes vêem a Bíblia como o padrão pelo qual todo o comportamento cristão deverá ser medido. Comumente se refere a esta crença como Sola Scriptura e é uma das “Cinco Solas” (sola é a palavra latina para “única”) que veio da Reforma Protestante como resumo de algumas diferenças importantes entre os católicos e protestantes.
Apesar de haver muitos versos na Bíblia que estabelecem sua autoridade e sua suficiência em todas as questões de fé e prática, um dos mais claros é II Timóteo 3:16-17, onde vemos que “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” Os católicos, por outro lado, rejeitam a doutrina da Sola Scriptura e não crêem que somente a Bíblia seja suficiente. Eles crêem que tanto a Bíblia quanto a sagrada tradição católica romana igualmente se combinam no Cristianismo. Muitas doutrinas católicas romanas, tais como a do purgatório, orações aos santos, adoração ou veneração a Maria, etc, têm pouca ou nenhuma base nas Escrituras, mas são baseadas apenas nas tradições da Igreja Católica Romana. Essencialmente, a posição da Igreja Católica Romana de negar a Sola Scriptura e sua insistência em que tanto a Bíblia quanto suas “Tradições Sagradas” se equivalem em autoridade enfraquece a suficiência, autoridade e integridade da Bíblia. A visão que se tem das Escrituras está na raiz de muitas, se não todas, as diferenças entre católicos e protestantes.
Outra grande diferença entre Catolicismo e Protestantismo é a que diz respeito à posição e autoridade do papa. De acordo com o Catolicismo, o papa é o “vicário de Cristo” (vicário significa substituto), e toma o lugar de Jesus como o líder visível da Igreja. Como tal ele tem a capacidade de falar ex cathedra (com autoridade em assuntos de fé e prática), e quando ele o faz, seus ensinamentos são considerados como não passíveis de erro, devendo ser obedecidos por todos os cristãos. Por outro lado, os protestantes crêem que nenhum ser humano está livre de erros e que somente Cristo é o líder da igreja. Os católicos confiam na sucessão apostólica como uma forma de tentar estabelecer a autoridade do papa. Mas os protestantes crêem que a autoridade da igreja não vem da sucessão apostólica, mas sim da Palavra de Deus. O poder espiritual e a autoridade não estão nas mãos de simples homens, mas na própria Palavra de Deus registrada nas Escrituras. Apesar de o Catolicismo ensinar que somente a Igreja Católica pode, de forma apropriada e correta, interpretar a Bíblia, os protestantes crêem que a Bíblia ensina que Deus enviou o Santo Espírito para habitar todos os cristãos renascidos, dando a eles capacidade para que compreendam a mensagem da Bíblia.
Isto pode ser claramente visto em passagens como João 14:16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” (Veja também João 14:26 e I João 2:27). Apesar de o Catolicismo ensinar que somente a Igreja Católica Romana tem a autoridade e poder de interpretar a Bíblia, o Protestantismo reconhece a doutrina bíblica do sacerdócio de todos os crentes, e que cristãos individuais podem confiar no Espírito Santo para que os guie em ler e interpretar a Bíblia por si mesmos.
A terceira maior diferença entre o Catolicismo e Protestantismo é como a pessoa é salva. Outra das “cinco solas” da reforma era a Sola Fide (somente pela fé), que afirma a doutrina bíblica da justificação somente pela graça, através somente da fé, por causa somente de Cristo (Efésios 2:8-10). Contudo, de acordo com o Catolicismo Romano, o homem não pode ser salvo somente pela fé, somente em Cristo. Eles ensinam que o Cristianismo deve confiar na fé mais “obras de mérito” para salvação. Os Sete Sacramentos são essenciais à doutrina Romana Católica de salvação, que são: Batismo, Crisma, A Eucaristia, Penitência, Extrema-unção, Ordem e Matrimônio. Os protestantes crêem que baseados na fé apenas em Cristo, os crentes são justificados por Deus, quando todos os seus pecados são pagos por Cristo na cruz e Sua justiça é a eles imputada. Os católicos, por outro lado, crêem que a justiça de Cristo é concedida ao crente pela “graça através da fé”, mas em si mesma não é suficiente para justificar o crente. O crente deve “suplementar” a justiça de Cristo a ele concedida com obras meritórias.
Católicos e protestantes também discordam no que significa ser justificado perante Deus. Para os católicos, a justificação envolve que se seja feito justo e santo. Eles crêem que a fé em Cristo é apenas o início da salvação, e que a pessoa deve fazer que isto cresça com boas obras, pois “o homem deve fazer por merecer a graça de Deus da justificação e eterna salvação”. Logicamente que esta visão de justificação contradiz o claro ensinamento das Escrituras em passagens como Romanos 4:1-12; Tito 3:3-7, assim como muitas outras. Por outro lado, os protestantes fazem distinção entre o ato único de justificação (quando somos declarados justos e santos por Deus com base em nossa fé na expiação de Cristo na cruz), e santificação (o processo contínuo de ser justificado que continua através de nossas vidas na terra). Apesar de os protestantes reconhecerem que as obras são importantes, eles crêem que estas são o resultado ou fruto da salvação, mas nunca o meio para ela. Os católicos misturam justificação e santificação em um processo contínuo, que leva à confusão sobre como se é salvo.
A quarta grande diferença entre católicos e protestantes tem a ver com o que acontece após a morte do homem. Enquanto ambos crêem que os incrédulos passarão a eternidade no inferno, há diferenças significantes e importantes no que diz respeito ao que acontece aos crentes. Por causa de suas tradições da igreja e sua confiança em livros não-canônicos, os católicos desenvolveram a doutrina do purgatório. O purgatório, de acordo com a Enciclopédia Católica, é um “lugar ou condição de punição temporal para aqueles que, deixando esta vida na graça de Deus, não estão totalmente livres de faltas menores, ainda não pagaram totalmente a reparação devida por suas transgressões”. Por outro lado, os protestantes crêem que por sermos justificados por Cristo apenas, e que a justiça de Cristo é a nós imputada, quando morremos, iremos direto para o céu para estarmos na presença do Senhor (II Coríntios 5:6-10 e Filipenses 1:23).
Ainda mais perturbadora do que a doutrina católica do purgatório é o fato de que eles crêem que o homem deve ou mesmo pode pagar ou compensar por seu próprio pecado. Isto, juntamente com a concepção errônea de que a Bíblia ensina sobre como o homem é justificado perante Deus, resulta em uma baixa visão da suficiência e eficiência da expiação de Cristo na cruz. Colocando de forma simples, o ponto de vista sobre a salvação da Igreja Católica Romana implica que a expiação de Cristo na cruz não foi pagamento suficiente pelos pecados daqueles que Nele crêem, e que até mesmo um crente deve expiar ou pagar por seus próprios pecados, tanto através de atos de penitência como passando tempo no purgatório. Mas a Bíblia ensina repetidas vezes que somente a morte de Cristo pode satisfazer ou aplacar a ira de Deus contra os pecadores (Romanos 3:25; Hebreus 2:17; I João 2:2; I João 4:10). Nossas obras de justiça nada podem acrescentar ao que Cristo já realizou.
Apesar de haver muitas outras diferenças entre o que os católicos e protestantes crêem, estas quatro diferenças devem servir para estabelecer que há sérias diferenças entre os dois. Da mesma forma como os Judeus que disseram que os cristãos gentios deveriam obedecer à lei do Velho Testamento para serem salvos, sobre os quais Paulo escreveu em Gálatas, os católicos, fazendo as obras necessárias para que sejam justificados por Deus, terminam tendo um evangelho totalmente diferente. As diferenças entre os católicos e os evangélicos protestantes são importantes e significativas.
Oramos para que Deus abra os olhos de qualquer pessoa que esteja lendo este artigo, e que esteja colocando sua fé ou confiança nos ensinamentos da Igreja Católica. Esperamos que todas as pessoas compreendam e creiam que suas “obras de justiça” não são capazes de os justificar, ou santificar (Isaías 64:6). Oramos para que todos, ao contrário, coloquem sua fé somente no fato de que “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue.” (Romanos 3:24-25a). Deus nos salva “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna (Tito 3:5-7).
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Pergunta: "Qual a diferença entre católicos e protestantes?"
Resposta: Há várias diferenças importantes entre católicos e protestantes. Apesar das tentativas, através dos últimos anos, de se achar coisas em comum entre os dois grupos, o fato é que as diferenças continuam existindo, e elas são tão importantes hoje como foram no começo da Reforma Protestante. Segue-se um rápido resumo de algumas das mais importantes diferenças:
Uma das primeiras grandes diferenças entre o Catolicismo e o Protestantismo é a questão da suficiência e autoridade das Escrituras. Os protestantes crêem que somente a Bíblia é a única fonte da revelação especial de Deus à humanidade, e como tal ela ensina a nós tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado. Os protestantes vêem a Bíblia como o padrão pelo qual todo o comportamento cristão deverá ser medido. Comumente se refere a esta crença como Sola Scriptura e é uma das “Cinco Solas” (sola é a palavra latina para “única”) que veio da Reforma Protestante como resumo de algumas diferenças importantes entre os católicos e protestantes.
Apesar de haver muitos versos na Bíblia que estabelecem sua autoridade e sua suficiência em todas as questões de fé e prática, um dos mais claros é II Timóteo 3:16-17, onde vemos que “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” Os católicos, por outro lado, rejeitam a doutrina da Sola Scriptura e não crêem que somente a Bíblia seja suficiente. Eles crêem que tanto a Bíblia quanto a sagrada tradição católica romana igualmente se combinam no Cristianismo. Muitas doutrinas católicas romanas, tais como a do purgatório, orações aos santos, adoração ou veneração a Maria, etc, têm pouca ou nenhuma base nas Escrituras, mas são baseadas apenas nas tradições da Igreja Católica Romana. Essencialmente, a posição da Igreja Católica Romana de negar a Sola Scriptura e sua insistência em que tanto a Bíblia quanto suas “Tradições Sagradas” se equivalem em autoridade enfraquece a suficiência, autoridade e integridade da Bíblia. A visão que se tem das Escrituras está na raiz de muitas, se não todas, as diferenças entre católicos e protestantes.
Outra grande diferença entre Catolicismo e Protestantismo é a que diz respeito à posição e autoridade do papa. De acordo com o Catolicismo, o papa é o “vicário de Cristo” (vicário significa substituto), e toma o lugar de Jesus como o líder visível da Igreja. Como tal ele tem a capacidade de falar ex cathedra (com autoridade em assuntos de fé e prática), e quando ele o faz, seus ensinamentos são considerados como não passíveis de erro, devendo ser obedecidos por todos os cristãos. Por outro lado, os protestantes crêem que nenhum ser humano está livre de erros e que somente Cristo é o líder da igreja. Os católicos confiam na sucessão apostólica como uma forma de tentar estabelecer a autoridade do papa. Mas os protestantes crêem que a autoridade da igreja não vem da sucessão apostólica, mas sim da Palavra de Deus. O poder espiritual e a autoridade não estão nas mãos de simples homens, mas na própria Palavra de Deus registrada nas Escrituras. Apesar de o Catolicismo ensinar que somente a Igreja Católica pode, de forma apropriada e correta, interpretar a Bíblia, os protestantes crêem que a Bíblia ensina que Deus enviou o Santo Espírito para habitar todos os cristãos renascidos, dando a eles capacidade para que compreendam a mensagem da Bíblia.
Isto pode ser claramente visto em passagens como João 14:16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” (Veja também João 14:26 e I João 2:27). Apesar de o Catolicismo ensinar que somente a Igreja Católica Romana tem a autoridade e poder de interpretar a Bíblia, o Protestantismo reconhece a doutrina bíblica do sacerdócio de todos os crentes, e que cristãos individuais podem confiar no Espírito Santo para que os guie em ler e interpretar a Bíblia por si mesmos.
A terceira maior diferença entre o Catolicismo e Protestantismo é como a pessoa é salva. Outra das “cinco solas” da reforma era a Sola Fide (somente pela fé), que afirma a doutrina bíblica da justificação somente pela graça, através somente da fé, por causa somente de Cristo (Efésios 2:8-10). Contudo, de acordo com o Catolicismo Romano, o homem não pode ser salvo somente pela fé, somente em Cristo. Eles ensinam que o Cristianismo deve confiar na fé mais “obras de mérito” para salvação. Os Sete Sacramentos são essenciais à doutrina Romana Católica de salvação, que são: Batismo, Crisma, A Eucaristia, Penitência, Extrema-unção, Ordem e Matrimônio. Os protestantes crêem que baseados na fé apenas em Cristo, os crentes são justificados por Deus, quando todos os seus pecados são pagos por Cristo na cruz e Sua justiça é a eles imputada. Os católicos, por outro lado, crêem que a justiça de Cristo é concedida ao crente pela “graça através da fé”, mas em si mesma não é suficiente para justificar o crente. O crente deve “suplementar” a justiça de Cristo a ele concedida com obras meritórias.
Católicos e protestantes também discordam no que significa ser justificado perante Deus. Para os católicos, a justificação envolve que se seja feito justo e santo. Eles crêem que a fé em Cristo é apenas o início da salvação, e que a pessoa deve fazer que isto cresça com boas obras, pois “o homem deve fazer por merecer a graça de Deus da justificação e eterna salvação”. Logicamente que esta visão de justificação contradiz o claro ensinamento das Escrituras em passagens como Romanos 4:1-12; Tito 3:3-7, assim como muitas outras. Por outro lado, os protestantes fazem distinção entre o ato único de justificação (quando somos declarados justos e santos por Deus com base em nossa fé na expiação de Cristo na cruz), e santificação (o processo contínuo de ser justificado que continua através de nossas vidas na terra). Apesar de os protestantes reconhecerem que as obras são importantes, eles crêem que estas são o resultado ou fruto da salvação, mas nunca o meio para ela. Os católicos misturam justificação e santificação em um processo contínuo, que leva à confusão sobre como se é salvo.
A quarta grande diferença entre católicos e protestantes tem a ver com o que acontece após a morte do homem. Enquanto ambos crêem que os incrédulos passarão a eternidade no inferno, há diferenças significantes e importantes no que diz respeito ao que acontece aos crentes. Por causa de suas tradições da igreja e sua confiança em livros não-canônicos, os católicos desenvolveram a doutrina do purgatório. O purgatório, de acordo com a Enciclopédia Católica, é um “lugar ou condição de punição temporal para aqueles que, deixando esta vida na graça de Deus, não estão totalmente livres de faltas menores, ainda não pagaram totalmente a reparação devida por suas transgressões”. Por outro lado, os protestantes crêem que por sermos justificados por Cristo apenas, e que a justiça de Cristo é a nós imputada, quando morremos, iremos direto para o céu para estarmos na presença do Senhor (II Coríntios 5:6-10 e Filipenses 1:23).
Ainda mais perturbadora do que a doutrina católica do purgatório é o fato de que eles crêem que o homem deve ou mesmo pode pagar ou compensar por seu próprio pecado. Isto, juntamente com a concepção errônea de que a Bíblia ensina sobre como o homem é justificado perante Deus, resulta em uma baixa visão da suficiência e eficiência da expiação de Cristo na cruz. Colocando de forma simples, o ponto de vista sobre a salvação da Igreja Católica Romana implica que a expiação de Cristo na cruz não foi pagamento suficiente pelos pecados daqueles que Nele crêem, e que até mesmo um crente deve expiar ou pagar por seus próprios pecados, tanto através de atos de penitência como passando tempo no purgatório. Mas a Bíblia ensina repetidas vezes que somente a morte de Cristo pode satisfazer ou aplacar a ira de Deus contra os pecadores (Romanos 3:25; Hebreus 2:17; I João 2:2; I João 4:10). Nossas obras de justiça nada podem acrescentar ao que Cristo já realizou.
Apesar de haver muitas outras diferenças entre o que os católicos e protestantes crêem, estas quatro diferenças devem servir para estabelecer que há sérias diferenças entre os dois. Da mesma forma como os Judeus que disseram que os cristãos gentios deveriam obedecer à lei do Velho Testamento para serem salvos, sobre os quais Paulo escreveu em Gálatas, os católicos, fazendo as obras necessárias para que sejam justificados por Deus, terminam tendo um evangelho totalmente diferente. As diferenças entre os católicos e os evangélicos protestantes são importantes e significativas.
Oramos para que Deus abra os olhos de qualquer pessoa que esteja lendo este artigo, e que esteja colocando sua fé ou confiança nos ensinamentos da Igreja Católica. Esperamos que todas as pessoas compreendam e creiam que suas “obras de justiça” não são capazes de os justificar, ou santificar (Isaías 64:6). Oramos para que todos, ao contrário, coloquem sua fé somente no fato de que “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue.” (Romanos 3:24-25a). Deus nos salva “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, Que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna (Tito 3:5-7).
nisto cremos
Qual a declaração de fé de GotQuestions.org?
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Seção 1: A Bíblia
Acreditamos que a Bíblia, composta do Antigo e Novo Testamentos, é a inspirada, infalível e autoritária Palavra de Deus (Mateus 5:18; 2 Timóteo 3:16-17). Em fé acreditamos que a Bíblia é inerrante em seus escritos originais, inspirada por Deus e a autoridade completa e final para conduta e doutrina (2 Timóteo 3:16-17). Mesmo usando os estilos individuais dos autores humanos, o Espírito Santo os guiou perfeitamente para garantir que escrevessem exatamente o que Deus queria, sem erros ou omissões (2 Pedro 1:21).
Seção 2: Deus
Cremos em um Deus, que é o Criador de tudo que há (Deuteronômio 6:4; Colossenses 1:16), o qual revelou-se em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo (2 Coríntios 13:14), ao mesmo tempo sendo apenas um em seu ser, essência e glória (João 10:30). Deus é eterno (Salmos 90:2), infinito (1 Timóteo 1:17) e soberano (Salmos 93:1). Deus é onisciente (Salmos 139:1-6), onipresente (Salmo 139:7-13), onipotente (Apocalipse 19:6) e imutável (Malaquias 3:6). Deus é santo (Isaías 6:3), justo (Deuteronômio 32:4) e reto (Êxodo 9:27). Deus é amor (1 João 4:8), gracioso (Efésios 2:8), misericordioso (1 Pedro 1:3) e bom (Romanos 8:28).
Seção 3: Jesus Cristo
Acreditamos na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Deus encarnado, Deus em forma humana, a expressa imagem do Pai, que, sem deixar de ser Deus, se fez homem para que pudesse então demonstrar quem Deus é, assim como providenciar o meio de salvação para a humanidade (Mateus 1:21; João 1:18, Colossenses 1:15).
Acreditamos que Jesus Cristo foi concebido do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria; que Ele é verdadeiramente e plenamente Deus e ao mesmo tempo verdadeiramente e plenamente homem; que Ele viveu uma vida perfeita e sem pecado; que todos os Seus ensinamentos são verdadeiros (Isaías 14; Mateus 1:23). Acreditamos que o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz por toda a humanidade (1 João 2:2) como um sacrifício substitucionário (Isaías 53:5-6). Afirmamos que Sua morte é suficiente para fornecer salvação para todos os que O recebem como Salvador (João 1:12, Atos 16:31); que nossa justificação é fundamentada no derramamento de Seu sangue (Romanos 5:9; Efésios 1:17), e que é comprovada pela sua ressurreição literal e física dos mortos (Mateus 28:6; 1 Pedro 1:3).
Acreditamos que o Senhor Jesus Cristo ascendeu ao Céu em Seu corpo glorificado (Atos 1:9-10) e está agora sentado à direita de Deus como nosso Sumo Sacerdote e Advogado (Romanos 8:34, Hebreus 7:25).
Seção 4: O Espírito Santo
Acreditamos na divindade e personalidade do Espírito Santo (Atos 5:3-4). Ele regenera os pecadores (Tito 3:5) e habita nos fiéis (Romanos 8:9). Ele é o agente pelo qual Cristo batiza todos os crentes em Seu corpo (1 Coríntios 12:12-14). Ele é o selo através do qual o Pai garante a salvação dos fiéis até o dia da redenção (Efésios 1:13-14). Ele é o Mestre Divino que ilumina os corações e mentes dos crentes à medida que estudam a Palavra de Deus (1 Coríntios 2:9-12).
Acreditamos que o Espírito Santo é soberano e o único responsável pela distribuição dos dons espirituais (1 Coríntios 12:11). Acreditamos que os dons miraculosos do Espírito, enquanto não estejam foram da habilidade do Espírito de realização, não mais funcionam como no início do desenvolvimento da igreja (1 Coríntios 12:4-11; 2 Coríntios 12:12; Efésios 2:20; 4:7-12).
Seção 5: Anjos e Demônios
Acreditamos na realidade e personalidade dos anjos. Nós acreditamos que Deus criou os anjos para serem Seus servos e mensageiros (Neemias 9:6; Salmos 148:2; Hebreus 1:14).
Acreditamos na existência e personalidade de Satanás e seus demônios. Satanás é um anjo caído do céu que levou um grupo de anjos a rebelar-se contra Deus (Isaías 14:12-17; Ezequiel 28:12-15). Ele é o grande inimigo de Deus e do homem, e os demônios são seus agentes no mal. Ele e seus demônios serão eternamente punidos no lago de fogo (Mateus 25:41; Apocalipse 20:10).
Seção 6: Humanidade
Acreditamos que a humanidade passou a existir através da criação direta de Deus e que a humanidade é exclusivamente feita à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). Acreditamos que toda a humanidade, em virtude da queda de Adão, herdou uma natureza pecaminosa; que todos os seres humanos escolhem pecar (Romanos 3:23); e que todo o pecado é extremamente ofensivo a Deus (Romanos 6:23). A humanidade é absolutamente incapaz de corrigir seu estado caído e pecaminoso (Efésios 2:1-5,12).
Seção 7: Salvação
Acreditamos que a salvação é um dom da graça de Deus através da fé na obra completa de Jesus Cristo na cruz (Efésios 2:8-9). A morte de Cristo realizou por completo a justificação através da fé, assim como a redenção do pecado. Cristo morreu em nosso lugar (Romanos 5:8-9) e carregou os nossos pecados no Seu próprio corpo (1 Pedro 2:24).
Acreditamos que a salvação é recebida apenas através da graça, apenas através da fé em Cristo e só nEle. Boas obras e obediência são resultados da salvação, e não exigências para a salvação. Devido à grandeza, suficiência e perfeição do sacrifício de Cristo, todos aqueles que têm verdadeiramente recebido a Cristo como Salvador estão eternamente seguros na salvação, a qual é protegida pelo poder de Deus e garantida e selada em Cristo para sempre (João 6:37-40 ; 10:27-30; Romanos 8:1, 38-39; Efésios 1:13-14; 1 Pedro 1:5; Judas 24). Assim como a salvação não pode ser recebida através de boas obras, ela também não precisa de boas obras para ser mantida ou sustentada. Boas obras e vidas transformadas são resultados inevitáveis da salvação (Tiago 2).
Seção 8: A Igreja
Acreditamos que a Igreja, o Corpo de Cristo, é um organismo espiritual composto de todos os crentes da presente era (1 Coríntios 12:12-14; 2 Coríntios 11:2; Efésios 1:22-23, 5:25-27). Acreditamos nas ordenanças do batismo do crente por imersão em água como um testemunho de Cristo e da sua identificação com Ele; e da Ceia do Senhor como uma lembrança da morte de Cristo e do Seu sangue derramado (Mateus 28:19-20; Atos 2 :41-42, 18:8, 1 Coríntios 11:23-26). Através da igreja, crentes devem ser ensinados a obedecer ao Senhor e a testemunhar sobre a sua fé em Cristo como Salvador; e honrá-lO com uma vida santa. Acreditamos na Grande Comissão como a principal missão da Igreja. É a obrigação de todos os crentes de ser um testemunho, através de palavra e ação, das verdades da Palavra de Deus. O evangelho da graça de Deus é para ser pregado para todo o mundo (Mateus 28:19-20; Atos 1:8, 2 Coríntios 5:19-20).
Seção 9: Coisas por vir
Acreditamos na bem-aventurada esperança (Tito 2:13), na vinda pessoal e iminente do Senhor Jesus Cristo para arrebatar Seus santos (1 Tessalonicenses 4:13-18). Acreditamos no retorno visível e corporal de Cristo à terra com Seus santos para estabelecer Seu prometido reino milenar (Zacarias 14:4-11; 1 Tessalonicenses 1:10; Apocalipse 3:10, 19:11-16, 20:1 -6). Acreditamos na ressurreição física de todos os homens- dos santos à alegria e felicidade eterna sobre a Nova Terra, e dos ímpios ao castigo eterno no lago de fogo (Mateus 25:46, João 5:28-29; Apocalipse 20:5 -6, 12/13).
Acreditamos que as almas dos fiéis são, no momento da morte, ausentes do corpo e presentes com o Senhor, onde aguardam a sua ressurreição, quando espírito, alma e corpo são reunificados para serem glorificados para sempre com o Senhor (Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:8, Filipenses 1:23, 3:21, 1 Tessalonicenses 4:16-17). Acreditamos que as almas dos incrédulos permanecem, após a morte, em miséria consciente até sua ressurreição, quando, com a alma e o corpo reunificados, aparecerão no julgamento do grande Trono Branco e serão lançados no lago de fogo para sofrer castigo eterno (Mateus 25:41-46; Marcos 9:43-48, Lucas 16:19-26; 2 Tessalonicenses 1:7-9; Apocalipse 20:11-15).
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Seção 1: A Bíblia
Acreditamos que a Bíblia, composta do Antigo e Novo Testamentos, é a inspirada, infalível e autoritária Palavra de Deus (Mateus 5:18; 2 Timóteo 3:16-17). Em fé acreditamos que a Bíblia é inerrante em seus escritos originais, inspirada por Deus e a autoridade completa e final para conduta e doutrina (2 Timóteo 3:16-17). Mesmo usando os estilos individuais dos autores humanos, o Espírito Santo os guiou perfeitamente para garantir que escrevessem exatamente o que Deus queria, sem erros ou omissões (2 Pedro 1:21).
Seção 2: Deus
Cremos em um Deus, que é o Criador de tudo que há (Deuteronômio 6:4; Colossenses 1:16), o qual revelou-se em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo (2 Coríntios 13:14), ao mesmo tempo sendo apenas um em seu ser, essência e glória (João 10:30). Deus é eterno (Salmos 90:2), infinito (1 Timóteo 1:17) e soberano (Salmos 93:1). Deus é onisciente (Salmos 139:1-6), onipresente (Salmo 139:7-13), onipotente (Apocalipse 19:6) e imutável (Malaquias 3:6). Deus é santo (Isaías 6:3), justo (Deuteronômio 32:4) e reto (Êxodo 9:27). Deus é amor (1 João 4:8), gracioso (Efésios 2:8), misericordioso (1 Pedro 1:3) e bom (Romanos 8:28).
Seção 3: Jesus Cristo
Acreditamos na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Deus encarnado, Deus em forma humana, a expressa imagem do Pai, que, sem deixar de ser Deus, se fez homem para que pudesse então demonstrar quem Deus é, assim como providenciar o meio de salvação para a humanidade (Mateus 1:21; João 1:18, Colossenses 1:15).
Acreditamos que Jesus Cristo foi concebido do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria; que Ele é verdadeiramente e plenamente Deus e ao mesmo tempo verdadeiramente e plenamente homem; que Ele viveu uma vida perfeita e sem pecado; que todos os Seus ensinamentos são verdadeiros (Isaías 14; Mateus 1:23). Acreditamos que o Senhor Jesus Cristo morreu na cruz por toda a humanidade (1 João 2:2) como um sacrifício substitucionário (Isaías 53:5-6). Afirmamos que Sua morte é suficiente para fornecer salvação para todos os que O recebem como Salvador (João 1:12, Atos 16:31); que nossa justificação é fundamentada no derramamento de Seu sangue (Romanos 5:9; Efésios 1:17), e que é comprovada pela sua ressurreição literal e física dos mortos (Mateus 28:6; 1 Pedro 1:3).
Acreditamos que o Senhor Jesus Cristo ascendeu ao Céu em Seu corpo glorificado (Atos 1:9-10) e está agora sentado à direita de Deus como nosso Sumo Sacerdote e Advogado (Romanos 8:34, Hebreus 7:25).
Seção 4: O Espírito Santo
Acreditamos na divindade e personalidade do Espírito Santo (Atos 5:3-4). Ele regenera os pecadores (Tito 3:5) e habita nos fiéis (Romanos 8:9). Ele é o agente pelo qual Cristo batiza todos os crentes em Seu corpo (1 Coríntios 12:12-14). Ele é o selo através do qual o Pai garante a salvação dos fiéis até o dia da redenção (Efésios 1:13-14). Ele é o Mestre Divino que ilumina os corações e mentes dos crentes à medida que estudam a Palavra de Deus (1 Coríntios 2:9-12).
Acreditamos que o Espírito Santo é soberano e o único responsável pela distribuição dos dons espirituais (1 Coríntios 12:11). Acreditamos que os dons miraculosos do Espírito, enquanto não estejam foram da habilidade do Espírito de realização, não mais funcionam como no início do desenvolvimento da igreja (1 Coríntios 12:4-11; 2 Coríntios 12:12; Efésios 2:20; 4:7-12).
Seção 5: Anjos e Demônios
Acreditamos na realidade e personalidade dos anjos. Nós acreditamos que Deus criou os anjos para serem Seus servos e mensageiros (Neemias 9:6; Salmos 148:2; Hebreus 1:14).
Acreditamos na existência e personalidade de Satanás e seus demônios. Satanás é um anjo caído do céu que levou um grupo de anjos a rebelar-se contra Deus (Isaías 14:12-17; Ezequiel 28:12-15). Ele é o grande inimigo de Deus e do homem, e os demônios são seus agentes no mal. Ele e seus demônios serão eternamente punidos no lago de fogo (Mateus 25:41; Apocalipse 20:10).
Seção 6: Humanidade
Acreditamos que a humanidade passou a existir através da criação direta de Deus e que a humanidade é exclusivamente feita à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). Acreditamos que toda a humanidade, em virtude da queda de Adão, herdou uma natureza pecaminosa; que todos os seres humanos escolhem pecar (Romanos 3:23); e que todo o pecado é extremamente ofensivo a Deus (Romanos 6:23). A humanidade é absolutamente incapaz de corrigir seu estado caído e pecaminoso (Efésios 2:1-5,12).
Seção 7: Salvação
Acreditamos que a salvação é um dom da graça de Deus através da fé na obra completa de Jesus Cristo na cruz (Efésios 2:8-9). A morte de Cristo realizou por completo a justificação através da fé, assim como a redenção do pecado. Cristo morreu em nosso lugar (Romanos 5:8-9) e carregou os nossos pecados no Seu próprio corpo (1 Pedro 2:24).
Acreditamos que a salvação é recebida apenas através da graça, apenas através da fé em Cristo e só nEle. Boas obras e obediência são resultados da salvação, e não exigências para a salvação. Devido à grandeza, suficiência e perfeição do sacrifício de Cristo, todos aqueles que têm verdadeiramente recebido a Cristo como Salvador estão eternamente seguros na salvação, a qual é protegida pelo poder de Deus e garantida e selada em Cristo para sempre (João 6:37-40 ; 10:27-30; Romanos 8:1, 38-39; Efésios 1:13-14; 1 Pedro 1:5; Judas 24). Assim como a salvação não pode ser recebida através de boas obras, ela também não precisa de boas obras para ser mantida ou sustentada. Boas obras e vidas transformadas são resultados inevitáveis da salvação (Tiago 2).
Seção 8: A Igreja
Acreditamos que a Igreja, o Corpo de Cristo, é um organismo espiritual composto de todos os crentes da presente era (1 Coríntios 12:12-14; 2 Coríntios 11:2; Efésios 1:22-23, 5:25-27). Acreditamos nas ordenanças do batismo do crente por imersão em água como um testemunho de Cristo e da sua identificação com Ele; e da Ceia do Senhor como uma lembrança da morte de Cristo e do Seu sangue derramado (Mateus 28:19-20; Atos 2 :41-42, 18:8, 1 Coríntios 11:23-26). Através da igreja, crentes devem ser ensinados a obedecer ao Senhor e a testemunhar sobre a sua fé em Cristo como Salvador; e honrá-lO com uma vida santa. Acreditamos na Grande Comissão como a principal missão da Igreja. É a obrigação de todos os crentes de ser um testemunho, através de palavra e ação, das verdades da Palavra de Deus. O evangelho da graça de Deus é para ser pregado para todo o mundo (Mateus 28:19-20; Atos 1:8, 2 Coríntios 5:19-20).
Seção 9: Coisas por vir
Acreditamos na bem-aventurada esperança (Tito 2:13), na vinda pessoal e iminente do Senhor Jesus Cristo para arrebatar Seus santos (1 Tessalonicenses 4:13-18). Acreditamos no retorno visível e corporal de Cristo à terra com Seus santos para estabelecer Seu prometido reino milenar (Zacarias 14:4-11; 1 Tessalonicenses 1:10; Apocalipse 3:10, 19:11-16, 20:1 -6). Acreditamos na ressurreição física de todos os homens- dos santos à alegria e felicidade eterna sobre a Nova Terra, e dos ímpios ao castigo eterno no lago de fogo (Mateus 25:46, João 5:28-29; Apocalipse 20:5 -6, 12/13).
Acreditamos que as almas dos fiéis são, no momento da morte, ausentes do corpo e presentes com o Senhor, onde aguardam a sua ressurreição, quando espírito, alma e corpo são reunificados para serem glorificados para sempre com o Senhor (Lucas 23:43; 2 Coríntios 5:8, Filipenses 1:23, 3:21, 1 Tessalonicenses 4:16-17). Acreditamos que as almas dos incrédulos permanecem, após a morte, em miséria consciente até sua ressurreição, quando, com a alma e o corpo reunificados, aparecerão no julgamento do grande Trono Branco e serão lançados no lago de fogo para sofrer castigo eterno (Mateus 25:41-46; Marcos 9:43-48, Lucas 16:19-26; 2 Tessalonicenses 1:7-9; Apocalipse 20:11-15).
mariolatria
INTRODUÇÃO
O presente livro - como se pode inferir de seu título, somado ao fato de que tem por autor um Pastor evangélico - exibe o conceito protestante sobre o marianismo (isto é, o culto a Maria), bem como emite o parecer dos católicos a respeito do tratamento que o protestantismo dispensa à mãe de Jesus. Demonstra-se neste tomo que, segundo os evangélicos, o culto que a Igreja Católica presta a Maria não é uma prática legítima, que tenha sido ordenada por Cristo e praticada pelos apóstolos, mas sim, uma abominável inovação (embora milenar), cuja extirpação se faz imprescindível, sob pena de não qualificar-se como Igreja de Cristo, ou de descaracterizar-se como tal, qualquer instituição que ouse fazê-lo. E o faz recorrendo à literatura da Igreja Católica, às obras protestantes, à História Universal, etc. Sem falar das citações de segunda mão, respaldamos-nos em 60 obras, e mais de 50 autores, como se vê, consultando as REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS que jazem nas últimas páginas deste texto. Salta à vista, então, que também recorremos à Bíblia, já que a mesma é fonte histórica - pois historia o cristianismo em sua gênese - e é base comum aos dois segmentos cristãos em questão, cujos distintos tratos para com Maria, após serem apreciados por este autor, passam a ser expostos neste modesto compêndio que o respeitável leitor me confere a indulgente honra de apreciar.
Apesar das inúmeras controvérsias entre o catolicismo e o protestantismo sobre Maria, há algo em comum nestas duas confissões religiosas, acerca da mãe de Jesus. Por exemplo, tais quais os católicos, os protestantes não negam que Maria, sendo virgem, concebeu pelo Espírito Santo e deu à luz Jesus. Todos (católicos e protestantes) temos para com ela inestimável apreço. Que ela está no paraíso celestial, que é bem-aventurada, bendita entre as mulheres, etc., não há divergência. Mas os católicos inferem que os evangélicos estão aquém do devido para com Maria. Alguns clérigos da Igreja Católica asseveram que a odiamos e lhe denegrimos. Por outro lado, os evangélicos sustentam que o marianismo extrapola o limite bíblico, é idolatria, e, portanto, pecado para a morte, isto é, uma prática que priva da comunhão com Deus e conduz ao inferno. Entre outras razões, o porquê dessa polêmica reside no fato de o catolicismo, diferentemente do protestantismo, sustentar a respeito de Maria o que se segue: a) Recorrendo a ela, somos mais depressa atendidos e salvos, do que recorrendo a Jesus; b) enquanto Jesus tem por ofício julgar e punir, ela recebeu do Pai o ofício de nos socorrer e nos aliviar, ou seja, nos salvar; c) ela morreu para nos salvar, já ressuscitou dentre os mortos, e foi assunta ao céu em corpo e alma, onde nos advogada junto ao justo Juiz - Jesus; d) depois de assunta ao céu, reapareceu a muitas pessoas em diferentes lugares em derredor do mundo; e) algumas de suas estátuas se revelaram fenomenais, chegando a chorar, sangrar, sorrir, exalar fragrância, e até falar; f) que o seu coração é o caminho que nos conduz a Deus; g) Outras crenças: Ela seria: Imaculada; Mãe de Deus; Nossa Senhora; Rainha do Universo; nossa única Advogada; nosso único Refúgio; nossa Auxiliadora e Protetora; Mediadora entre Deus e os homens; credora de Deus (por tê-lo tido no ventre, o dado à luz, amamentado...); digna de especial e singular culto (culto este, visto como intrínseco ao cristianismo); Co-redentora da humanidade; cheia de graça; perpetuamente virgem; superior a todas as demais criaturas (homens, anjos, arcanjos, querubins, serafins, etc.); a porta da salvação... Esta polêmica merece ser apreciada e sondada, e o fazemos aqui. Do começo ao fim deste tratado, em todos os seus capítulos e subcapítulos, virão à baila as diferenças doutrinárias entre católicos e protestantes no que concerne à pessoa da mãe de Jesus. Sim, discorremos aqui sobre o culto que à Maria tributam os católicos, culto este conhecido pelos nomes de marianismo e hiperdulia.
Todos sabemos que não há verdades conflitantes entre si. Ninguém ignora que quando há duas ou mais opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, que no mínimo uma é inexata. E, como ninguém se deleita em ser vítima do engano, certamente este trabalho vai interessar tanto aos católicos, quanto aos protestantes, já que escrutina com perspicácia, não se prendendo, pois, a uma crença cega; antes, submete tudo ao crivo da pesquisa científica, permitindo que se extraia daí conclusões razoáveis, capazes de serem confirmadas por todos os pensantes. E, sendo assim, deve interessar aos intelectuais (antropólogos, sociólogos, filósofos, psicólogos, psicanalistas, teólogos, historiadores, etc.) que, numa atitude filosófica se debruçam sobre as questões religiosas.
Pesquisar no intuito de obter e fornecer informações exatas (logo, vazias de preconceito) sobre o tema ora em lide, para que meus leitores vejam por si mesmos de que lado está a verdade, é o que empreendi quando me lancei às pesquisas que me renderam o presente opúsculo; e crendo que atingi este alvo nestas páginas, exponho-as ao juízo de meus leitores. Estes, creio eu, certamente verão que minha pronunciação é imparcial e despida de preconceito; sendo, por isso mesmo, capaz de satisfazer às exigências do bom senso. Que Deus "sopre" no "nariz" deste singelo opúsculo e lhe dê vida, para que o mesmo seja uma ofensiva do Céu aos redutos de Satanás, arrebatando de lá os reféns do engano religioso! Que destas humildes páginas o caro leitor possa haurir bênçãos espirituais que redundem na glória de Deus, edificação da Igreja e salvação das almas, é o anelo deste autor! Partamos, portanto, aos capítulos que se seguem, e apreciemos o que O Culto a Maria à Luz da Bíblia e da História tem a nos dizer.
Boa leitura!
O autor.
OBSERVAÇÕES:
1) Ao término de todos os capítulos, constam, de persi, suas respectivas Notas Referenciais;
2) As citações bíblicas, salvo outras indicações, são extraídas da Bíblia Sagrada. Trad. pelo Pastor João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil. Ed. Revista e Corrigida, 1995.
CAPÍTULO I
O CULTO A MARIA
1.1. A Igreja Católica cultua a Maria
Segundo o catolicismo, Maria deve ser cultuada, tanto direta, quanto indiretamente, conforme a seguir exposto:
1.1.1. Culto direto
Na Igreja Católica “A Santíssima Virgem ‘é legitimamente honrada com um culto especial, [...] inteiramente singular’” [...].[1] [...] “os fiéis devem venerar [...] a memória ‘primeiramente da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo’ ”.[2] A esse culto “especial e singular” (conhecido por marianismo), que os católicos devotam a Maria, a Igreja Católica chama de hiperdulia (de hiper+dulia). Dulia designa o culto que os católicos prestam aos Santos e aos anjos; e hiper salienta a magnitude e singularidade desse culto. A hiperdulia reserva-se, por isso, a Maria. Aurélio diz deste vocábulo o seguinte: [...] “Forma especial e excelente de culto aos santos, reservada, por isso, a Nossa Senhora: ‘O culto a Maria _ a hiperdulia _ quase constitui uma religião à parte no decorrer dos séculos XII e XIII.’ (Guedes de Miranda, Eu e o Tempo, p. 17) [...]”.[3] E o Padre Dom Estêvão Bettencourt confirma: "A eminência do culto a Maria foi expressa pelo Concílio de Nicéia II, em 787, mediante o termo 'hyperdulia' (superveneração), ao passo que os demais Santos são cultuados em 'dulia' (veneração)".[4]
É de domínio público que os protestantes crêem que o culto a Maria é transgressão da Lei de Deus, o único que, na ótica evangélica, merece culto. Representando o parecer dos evangélicos típicos, os autores John Ankerberg e John Weldon pronunciam contra o culto a Maria, dizendo que a hiperdulia não é uma doutrina genuinamente cristã, e tacham-na de “especial adoração” a Maria.[5] Deste parecer evangélico, porém, os clérigos católicos discordam, pois sustentam que não devotam a Maria o culto de adoração, devido somente à Trindade, mas sim, um culto menor, do qual disseram: “Este culto [...] difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo”.[6] E: [...] “adoração [...] só compete a Deus” [...].[7] E, segundo o Instituto Cristão de Pesquisas, a esse culto maior, que os católicos dizem tributar só a Deus, a cúpula católica dá o nome de latria.[8] De fato, o Vaticano II garante que o culto a Maria “de nenhum modo diminui o culto latrêutico dado a Deus Pai por Cristo no Espírito”.[9] Deste modo fica claro que, segundo os clérigos católicos, o que eles chamam de culto a Maria, não extrapola os limites da veneração que lhe é devida, ficando, por isso, aquém do supremo culto de adoração só cabível a Deus. Sim, o clero católico também prega que realmente é pecado grave adorar a Maria. E como os protestantes se portam diante desse argumento católico? Os que não possuem formação teológica (e são a maioria), retrucam que o verbo venerar é sinônimo de adorar, e que, portanto, os católicos adoram, sim, a Maria. Pelo menos parcialmente, esta réplica me parece inconsistente, visto que a Bíblia nos manda venerar o matrimônio: “Venerado seja entre todos o matrimônio” [...] (Epístola aos Hebreus, cap. 13, v. 4). Este texto bíblico prova que o verbo venerar pode (dependendo do contexto) se referir ao respeito, reverência, consideração, estima, e assim por diante, que se deve a tudo que é louvável. Logo, não é errado venerar a Maria. Não há sequer um evangélico típico que não venere a mãe de Jesus. Um verdadeiro evangélico venera Maria, venera os pais, venera a pátria, venera os idosos, venera o cônjuge, etc. Mas, paralelamente, crêem os protestantes que os católicos extrapolam os limites bíblicos naquilo que chamam de veneração a Maria. E justificam esta postura teológica, alegando que é possível venerar a Maria sem ajoelhar-se diante de suas estátuas e/ou estampas, cantar-lhe louvores, acender-lhe velas, chamá-la de medianeira entre Deus e os homens, nossa única advogada, nosso único refúgio, nosso único asilo, porta do Céu, Rainha dos anjos, Nossa Senhora, Co-redentora, etc.
1.1.2. Culto indireto
Pregam os líderes espirituais dos católicos que o culto que eles prestam às imagens de Maria, na verdade é dirigido a esta, e não àquelas. Aclarando: Os católicos cultuam à mãe de Jesus através das imagens dela. Neste caso, cultuar a uma imagem de Maria, é cultuar à mãe de Jesus indiretamente. Veja o seguinte fragmento:
O culto cristão de imagens [...] se dirige ao modelo original, e “quem venera uma imagem, venera nela a pessoa que nela está pintada”. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus: O culto da religião não se dirige às imagens, em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens [...]. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem [...]. O culto às imagens sagradas está fundamentado no mistério da encarnação do Verbo de Deus. [10]
Este argumento não demove os protestantes, da sua decisão de não cultuar a criatura alguma - quer direta, quer indiretamente -, e o retrucam assim: Qualquer culto, cujo objeto não seja (exclusiva e diretamente) a Trindade, é idolatria, isto é, culto a ídolo. Esses cultos (culto aos Santos, aos anjos e a Maria, quer direta, quer indiretamente) são, na melhor das hipóteses, desnecessários, já que os profetas e os apóstolos, bem como todos os cristãos do Século I, passaram muito bem sem os mesmos, conforme atestam a Bíblia e a História secular. Aliás, veremos adiante que alguns teólogos católicos também pensam assim.
1.2. O clero católico não adora a Maria?!
Há pouco, anotamos que os clérigos católicos pregam que realmente só Deus é digno de adoração, e que, por isso mesmo, também não adoram a Maria, mas que tão-somente lhe prestam culto. E ainda explicam que esse culto é sinônimo de veneração. Mas o Pastor Tony Armani, representando a opinião evangélica, rebate: [...] “a Bíblia rejeita esse tipo de [...] veneração [...] definitivamente repudiada por Jesus Cristo: ‘... Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto’ (Mateus 4. 10)”.[11] Sim, Armani recorre ao fato de a Bíblia dizer que só a Deus se pode prestar culto, bem como adorar, como prova de que o clero católico está equivocado. Aos protestantes parece, pois, que dizer “cultuo a Maria, mas adoro só a Deus”, é tão inusitado quanto dizer “adoro a Maria, mas cultuo só a Deus”.
Há diferença entre adorar e cultuar? "Não, mil vezes não!" diria qualquer protestante típico. Tanto na nossa língua portuguesa, como nos idiomas originais da Bíblia (hebraico e grego), o verbo adorar é sinônimo de cultuar. Eis as provas de que assim é:
A) Em Português: Aurélio define adorar, de diversas maneiras, entre as quais, Render culto a (divindade) e prestar culto de adoração.[12]
Certamente o leitor não ignora que frases, orações e até palavras, devem ser consideradas à luz do contexto. E esta regra não admite exceção. Por este motivo, o mesmo Aurélio nos diz que estas palavras podem ainda significar amar extremamente, gostar muitíssimo de, etc. Por conseguinte, das frases adoro maçã e cultuo às letras, não se depreende o ato religioso de adoração;
B) Em Hebraico: Demonstro a seguir, que o visto acima em relação aos vocábulos adorar e cultuar em Português, se vê também (como já fiz constar) nos idiomas em que a Bíblia foi escrita. Eis as provas: Vine nos diz que adorar (do hebraico sãhãh), pode tratar-se do ato de adorar (a Deus), ou simplesmente se referir ao ato de se curvar diante de um superior ou soberano, como Davi e Rute respectivamente se curvaram diante de Saul e Boaz (1 Samuel, cap. 24. v. 8; Rute, cap. 2. v. 10).[13]
C) Em Grego: O mesmo Vine, sob o verbete adorar, às pp. 374-375, fornece uma lista de cinco verbos e três substantivos gregos, relacionados com a devoção a Deus. Referindo-se ao último substantivo (portanto, ao oitavo vocábulo da série, a saber, threskeia), nos inteira tratar-se da palavra traduzida por culto em Colossenses, cap. 2. v. 18, onde se proíbe prestar culto aos anjos. Isto esclarece que, de acordo com renomados dicionaristas, não há qualquer diferença entre adorar e cultuar. Estas palavras, tanto nas línguas originais da Bíblia (Hebraico e Grego), quanto em Português, variam de significado de acordo com o todo das frases em que forem inseridas, oscilando entre adorar (ou cultuar) a Deus e homenagear (ou reverenciar) a um soberano, ou a uma pessoa superior. Embora, como já observado acima, tenhamos a palavra dulia, que, também dependendo do contexto, trata do serviço sagrado prestado a Deus. Logo, os católicos poderiam até, à guisa de subterfúgio, dizer que não prestam a Maria a adoração suprema, devida só a Deus, mas sim, uma adoração menor, a qual, embora compatível com sua elevada dignidade de Mãe de Deus, é, entretanto, inferior à adoração latrêutica tributável exclusivamente à Santíssima Trindade. Mas simplesmente dizer que não adoram a Maria é, na concepção evangélica, subestimar a inteligência dos que divergimos desse tipo de culto. Sim - questiona o protestantismo -, se o ato de ajoelhar-se aos pés das estátuas de Maria, dirigir-lhe rezas, acender-lhe velas, cantar-lhe hinos de louvores, conferir-lhe funções e títulos próprios do Senhor Jesus Cristo (Senhorio, Mediação entre Deus e nós, Advocacia dos pecadores, Refúgio, Porta do Céu, Escada do Paraíso, Estrela da Manhã, Arca da salvação, Co-redenção dos pecadores, etc.), não é adorá-la, que falta ainda? O que os católicos entendem por adoração?
A cúpula católica reconhece, segundo me consta, que adorar e venerar são (dependendo do contexto, é claro) termos equivalentes entre si. Senão, veja este exemplo:
[...]“exprimimos a nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho,... dobrando os joelhos, ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor. ‘A Igreja católica [...] professa este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia [...] conservando com o máximo cuidado as hóstias [...] expondo-as aos fiéis para que as venerem com solenidade, levando-as em procissão’ ”.[14]
Vimos que as palavras adorar e venerar são alternadas por eles como equivalentes entre si. Será que isso se deu por um lapso? Se sim, mais cedo ou mais tarde, é provável que esse “erro” sofra “correção”.
Afinal, pode ou não pode venerar a Maria? Ora, até o caro leitor é digno de veneração, se entendemos esta palavra como sinônimo de respeito, reverência, estima, apreço... Mas no catolicismo, como bem o confessou o Padre Dom Estêvão Bettencourt supracitado, a Maria dá-se uma superveneração, sinônimo de hyperdulia, cujas definições já sabemos. Vimos que de acordo com o catolicismo, esta superveneração a Maria é um culto especial, inteiramente singular, aquém do devido a Deus, mas além do que se presta não só aos demais seres humanos, como também superior à devoção cabível aos demais Santos. Sim, leitor, no jargão católico, a “veneração” prestada a Maria, está além do respeito recíproco que deve haver entre nós, bem como supera a veneração abordada no livro bíblico Epístola aos Hebreus, cap. 13, v. 4, ultrapassando até mesmo a veneração que devemos aos demais Santos: João, Paulo, Ana, Pedro, Hulda, Moisés, etc. E considerando que os clérigos católicos sabem, como já provamos acima, que venerar pode ser sinônimo de adorar (visto terem confessado que os católicos devem venerar a hóstia, à qual não negam o culto de adoração), a frase "não adoramos a Maria, mas só a cultuamos ou veneramos", soa aos ouvidos dos protestantes como meras parolas. Os protestantes observam, então, em que consiste isso que os católicos chamam de veneração a Maria, e rejeitam-na, por julgarem que a mesma é equivalente à adoração que a Bíblia manda tributar só a Deus. O argumento evangélico é que se deveras os católicos não adoram a Maria, então não adoram a Jesus também; e se adoram a Deus, então adoram a Maria. Relembramos que não encontramos em toda a Bíblia, nenhum servo de Deus, prestando a qualquer criatura (quer humana, quer angelical; quer já tenho morrido, quer esteja viva), esses cultos que os católicos rotulam de dulia e hiperdulia.
Concluímos que as palavras adorar e cultuar podem ser usadas, tanto no âmbito religioso, quanto no secular; e que não têm, de per si, nenhuma diferença. Isto é, no âmbito religioso, tanto adorar,como cultuar referem-se à homenagem que se presta a Deus, ou aos deuses. Já no âmbito secular, estes dois vocábulos significam "gostar muito de", "ter em alta estima", "reverenciar", etc. E que tipo de culto a Igreja Católica tributa a Maria? Secular ou religioso? Religioso, é claro. Aliás, confessam os clérigos dessa religião, que esse culto é intrínseco ao culto cristão, como veremos mais adiante. E nem precisariam fazer essa confissão, já que é tão óbvio que assim o consideram. Atentemos para o fato de que nem mesmo os demais Santos, que não são cultuados pelos católicos na mesma intensidade que Maria (a esta, hiperdulia; àqueles, dulia), são cultuados no sentido secular desta palavra. Bem, pelo menos a mim, os católicos jamais prestaram hiperdulia, nem tampouco dulia.
1.3. A origem e a data do culto a Maria
Quanto à origem e data do marianismo, vejamos a exposição abaixo:
1.3.1. Controvérsia entre os católicos
Há controvérsias entre os teólogos católicos quanto à idade e origem do culto a Maria. Por exemplo, a Bíblia apologética nos informa que o livro católico O Culto a Maria Hoje (elaborado por diversos teólogos, sob a liderança do teólogo católico Wolfgang Beinert), reconhece que essa prática era desconhecida dos cristãos primitivos: [...] “Não podemos dizer que a veneração dos santos _ e muito menos a da Mãe de Cristo _ faça parte do patrimônio original”.[15] Esta pronunciação, da qual não divergem os protestantes, não se harmoniza com o que foi definido no decurso do Concílio Vaticano II, ocorrido na década de sessenta do século XX (cujas decisões estão em pleno vigor, já que depois disso não houve outro concílio ecumênico), visto que neste Sínodo, referindo-se ao culto a Maria se disse com todas as letras: “Este culto [...] sempre existiu na Igreja” [...].[16] Não há, portanto, unanimidade entre os teólogos católicos, quanto à origem e data do culto a Maria e aos demais Santos. O Vaticano II garante que esse culto sempre existiu na Igreja. No entanto, os teólogos católicos autores de O Culto a Maria Hoje asseveram que “Não podemos dizer que a veneração [...] da Mãe de Cristo [...] faça parte do patrimônio original”. E agora José?
O fato de BEINERT dizer que os cristãos primitivos não veneravam a Maria e aos demais Santos, nos ajuda a entender que no vocabulário católico, o conceito de venerar não é o mesmo que ter em alta estima, reverenciar, respeitar, homenagear, etc.; visto ser óbvio que os cristãos sempre reverenciaram a Maria, a Moisés, a Abraão, aos apóstolos... Logo, no livro em questão no presente subcapítulo, venerar é mais que homenagear. Refere-se ao culto que os católicos prestam aos Santos, classificados em dulia e hiperdulia.
Quem está certo, o Concílio Vaticano II, que sustenta que o culto a Maria sempre existiu na Igreja, ou Beinert e sua equipe que asseveram que o culto a Maria é inovação? No próximo subcapítulo respondo a esta pergunta, mostrando que Beinert e sua equipe não estão equivocados, pois veremos que os elaboradores de O Culto a Maria Hoje têm renomados autores, bem como a História Universal, a seu favor. Eles não estão sós. E eu me uno a eles e aos autores que os ombreiam.
1.3.2. O marianismo à luz da História Universal
Constam de diversos compêndios, que no ano 313 d.C., o imperador Constantino I fez do cristianismo a religião oficial (de fato, e não de direito) do Império Romano. Ao fazer isso, concedeu ao cristianismo inúmeras vantagens. A Igreja, a partir daí, de perseguida tornou-se a religião da moda, de status e rentável. Assim, muitos pagãos interesseiros se tornaram cristãos de fachadas. Esse horroroso quadro piorou, quando Constantino II, O Jovem, que sucedeu Constantino I, “decretou a pena de morte e o confisco de propriedade, para todos os adoradores de ídolos” [...].[17] O Imperador Teodósio I, que oficializou (agora de direito, e não apenas de fato) o cristianismo em 380 d.C., deu continuidade à intolerância religiosa encabeçada por Constantino II, obrigando os pagãos a se tornarem cristãos.[18] Veja ratificação a seguir:
Teodósio [...] suprimiu o culto pagão em todos os lugares e de maneira absoluta. Os [...] funcionários receberam por toda a parte ordem de perseguir o culto pagão; os cristãos fanáticos tiveram toda a liberdade de o combater pela violência. Assim desapareceu o paganismo [...].[19]
E a junção desses dois fatores (as regalias que a partir de Constantino I foram conferidas à Igreja, somadas ao triste fato de que o cristianismo tornou-se religião imposta pela força imperial) fizeram do cristianismo a religião da maioria. Mas esses “cristãos” conservaram uma boa porção das crenças pagãs. Eles saíram do paganismo, mas o paganismo não saiu deles. Conseqüentemente, sincretizaram o paganismo com o cristianismo, implantando no seio da Igreja o culto a Maria. Culto este que, segundo parece, alguns “cristãos” do Egito já vinham praticando, como ato isolado, desde o século III, pois já oravam a Maria nestes termos: “‘A vós recorremos, Santa Mãe de Deus’” [...].[20] Aclarando: Esse casamento do cristianismo com o paganismo, de que falamos, se deu assim: Os pagãos cultuavam a muitos deuses e desusas. Essas divindades tinham, de per si, sua (s) especialidade (s) definida (s). Seus respectivos pontos geográficos de ação, também eram circunscritos: Minerva – deusa latina da sabedoria; Hermes – deus grego da eloqüência, do comércio, dos ladrões, e o mensageiro dos deuses. Era também o deus da cultura física; Diana - deusa da caça, que os romanos identificaram com a Ártemis grega; Apolo – deus grego da luz, das artes, e da adivinhação; Osíris – deus do antigo Egito, protetor dos mortos, etc.[21] Ao se tornarem “cristãos” à força e/ou por razões escusas, os pagãos substituíram o antigo culto aos deuses, pelo culto aos anjos e aos grandes vultos do cristianismo: os apóstolos, Maria, e outros. Segundo renomados autores, até mesmo as estátuas dos deuses foram reaproveitadas no culto a Maria e aos demais Santos. Não é, pois (segundo tais eruditos), por mera coincidência que os Santos católicos também têm suas respectivas funções: Santo Antônio - casamenteiro; São José – padroeiro da boa morte; Santa Edwiges - padroeira dos endividados, etc. Note ainda, que similarmente aos deuses dos pagãos, os Santos católicos também têm seus pontos geográficos mais ou menos delimitados: São Sebastião – padroeiro do Rio de Janeiro; Nossa Senhora do Guadalupe – padroeira da América Latina e, em particular, do México; Nossa Senhora de Fátima – padroeira de Portugal; Nossa Senhora Aparecida – padroeira do Brasil, etc. E, quanto ao culto a Maria, nenhum historiador ignora a adoração que os pagãos prestavam a uma deusa conhecida por Grande Mãe. O culto a essa deusa converteu-se em culto à Mãe de Deus. Eis a seguir algumas transcrições que ratificam o que afirmamos:
A fim de aumentar o prestígio do sistema eclesiástico apóstata, os pagãos foram recebidos dentro das igrejas independente da regeneração pela fé, e foram permitidos abertamente reter seus signos pagãos e símbolo. [22]
O édito de tolerância de Constantino, que tornou o cristianismo, a religião preferida, atraiu a afluência de milhares de adeptos das religiões pagãs. Essas pessoas foram portadoras de muitas de suas crenças, superstições e devoções pagãs. Sua adoração a Ísis, Isthar, Diana, Atena, etc., foi transferida a Maria. Dedicaram-lhe estátuas e se ajoelharam diante delas, orando como haviam feito antes às deusas pagãs. Às imagens de seus antigos deuses eram dados agora nomes de santos.[23]
Então, esses “cristãos” nominais levaram suas práticas pagãs para a Igreja de Roma [...]. Aos poucos as imagens pagãs foram substituídas por imagens cristãs; os deuses pagãos, substituídos pelos deuses cristãos (os santos bíblicos) e, na esteira desse sincretismo religioso, a Santa Maria surgiu como “Mãe de Deus”, “Senhora”, “Sempre Virgem”, “Concebida sem pecado”, Assunta aos céus”, “Mediadora e Advogada”, Co-Redentora.[24]
O historiador Severino Vicente da Silva, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), disse:
As deusas celtas foram absorvidas pela figura de Maria. Onde houve anteriormente à chegada do cristianismo um culto mais organizado em torno de uma divindade feminina, Maria surge como uma intermediária entre as culturas que se chocam; [25]
A historiadora Claudete Ribeiro de Araújo, do Centro de Estudos de História da Igreja na América Latina, também asseverou: [...] “o culto mariano nasceu [...] como substituto da adoração à Grande Mãe, um (sic) figura que pode ser encontrada em várias religiões e culturas pagãs" (Ibidem); e o famoso historiador Chantepie de la Saussaye registrou:
Tudo o que [o paganismo] continha, quanto a elementos vivos, passara ao cristianismo, que, desde então, abundantemente provido de pensamentos e de fórmulas greco-romanas, se encontrava em condições de desempenhar a sua missão no mundo. (SAUSSAYE, 1940:820);
Não destoando dos peritos supracitados, sustentou o Instituto Cristão de Pesquisas (ICP): “Dessa forma, o culto aos santos e a Maria substituiu o dos deuses e deusas do paganismo”.[26]
Os pagãos foram tão meticulosos ao casar o paganismo com o cristianismo, que conferiram auréolas ou círculos às imagens de Maria e outros Santos, assim como às imagens de Cristo, do mesmo modo que antes haviam feito aos seus deuses: “Os pagãos colocavam um círculo ou auréola ao redor da cabeça daqueles que eram ‘deuses’ em suas pinturas. Esta prática continuou [...] na [...] igreja romanística” (WOODROW, 1966:37).
1.3.3. O clero católico sabe
Os clérigos católicos não negam que o culto aos santos vem do paganismo, e que se deve a isso a semelhança existente entre os deuses e os santos católicos, o que reforça a sólida base sobre a qual nos apoiamos, e nos poupa da necessidade de provarmos a veracidade de nossas fontes. Entremos então na seara católica, e coletemos de lá uma amostra da aquiescência do seu clero, sobre este assunto. Ei-la:
Tornou-se fácil transferir para os mártires cristãos as concepções que os antigos conservaram concernente aos seus heróis. Esta transferência foi promovida pelos numerosos casos nos quais os santos cristãos tornaram-se os sucessores das divindades locais, e o culto cristão suplantou o antigo culto local. Isto explica o grande número de semelhanças entre deuses e santos (WOODROW, 1966:35, citando The Catholic Enciclopedia, v. IX, pp. 130-131. Grifo nosso).
A palavra heróis, constante do último texto supra transcrito, refere-se aos deuses do paganismo: [...] "'herói' no sentido pagão [...] de grandes vultos humanos divinizados" [27]
1.4. A exegese de hiperdulia
“Dulia” é palavra grega, a língua original na qual se escreveu o Novo Testamento. Trata-se do verbo grego douléuõ, e significa servir. Disse o apóstolo Paulo: [...] “sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Romanos, cap. 12. v. 11, grifo nosso). Neste caso, o gerúndio servindo é a tradução de douleuôn. Aqui se manda, pois, servir ao Senhor. Logo, a Bíblia manda prestar dulia a Deus. E, sendo assim, neste caso este vocábulo trata da nossa submissão ao Senhorio de Cristo. Deste modo, o que a Bíblia nos manda prestar a Deus, na Igreja Católica se presta aos Santos e aos anjos, como já demonstramos. E, como Maria merece uma devoção especial e inteiramente singular, dulia fica aquém do devido, por cujo motivo lhe tributam hiperdulia. O que a Bíblia nos manda tributar a Deus, o clero católico acha que está aquém dos méritos de Maria? Estaria ela acima do próprio Deus? Julgue o leitor e tire suas próprias conclusões.
1.5. “Deus mandou fazer imagens”
É do conhecimento de todos os leitores da Bíblia que, segundo a mesma, Deus proibiu confeccionar imagem de escultura, assim como também mandou fabricá-las. Está escrito: “Não farás para ti imagem de escultura [...]. Não as adorarás, nem lhes darás culto” [...].[28] Amiúde os protestantes recorrem a este texto e outros correlatos, em repúdio ao culto às imagens, culto este incentivado pelos líderes católicos. Estes, porém, recorrem ao seguinte argumento:
[...] o texto de êxodo 20. 4-5 não era uma proibição absoluta, mas condicionada por circunstâncias em que vivia o povo de Israel, haja vista que o próprio Deus mandou que se confeccionassem imagens sagradas (Êx 25. 17-18; 1 Rs 6.23-29; 7. 23-28; 1 Cr 228-13). (Bíblia Apologética. Op. cit., p. 101).
Entretanto, em resposta a esse argumento, a mesma Bíblia Apologética, representando a opinião evangélica, responde que
[...] Se os filhos de Israel tivessem [...] cultuado esses objetos [...], Deus mandaria destruí-las. Foi isso que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (2 Rs 18.4) (Ibidem, p. 102).
Isto prova que os evangélicos também entendem que a proibição constante de Êxodo, cap. 20, vv. 4-5 diz respeito à confecção de imagens dos deuses, para fins de culto a estes. E que, é exclusivamente neste sentido, que tais imagens devem ser desdenhadas. Mas os pagãos que se fingiram de convertidos ao cristianismo no século IV, muito longe de desdenhar tais imagens, adaptaram-nas ao culto cristão, como já documentamos. E assim permanece até hoje, como vimos. Isto posto - crêem os protestantes -, o culto às imagens de Maria transgride sim, o prescrito em Êxodo, cap. 20, vv. 4-5, quanto às imagens dos ídolos. Esta postura evangélica é científica, visto estar tão bem calcada na História, que a própria Igreja Católica não ousou negar, como vimos enquanto apreciávamos um fragmento pinçado da The Catholic Enciclopedia, op. cit.). Ora, fica estabelecido uma vez por todas, que os protestantes não discordam do uso de imagens em si, mas sim, do emprego das mesmas no culto, principalmente se esse culto não for rendido exclusivamente a Deus. Deste modo, claro está que as estátuas de Getúlio Vargas, Tiradentes, Marcílio Dias, e outros vultos nacionais não sofrem o repúdio dos protestantes. Certamente, se nos dias apostólicos existissem máquinas fotográficas, e se os apóstolos tivessem sido fotografados, nenhum protestante hesitaria possuir uma foto deles. Igualmente, se algum contemporâneo dos apóstolos, tivesse esculpido estátuas ou desenhado imagens que deveras contivessem seus traços, que tais ícones seriam estimados pelos evangélicos, como também veneram as fotos de seus parentes e amigos, bem como reverenciam as estátuas e bustos de seus patrícios, cujo patriotismo os destacou. Talvez desdenhassem tais ícones (refiro-me às inexistentes estátuas e fotos dos apóstolos), por temer estar induzindo outrem à idolatria, e não por acreditar que tal ato fosse em si mesmo, pecado.
Dissemos que “talvez desdenhassem tais ícones, por temer estar induzindo outrem à idolatria”. É razoável supormos isso? Cremos que sim, pelo seguinte: Se estátuas feitas por quem não conheceu os apóstolos (e portanto, não trazem seus traços físicos), já são tão cultuadas, que não fariam aos retratos de Maria, de Cristo, dos apóstolos, e outros grandes vultos do cristianismo, se tais fotos, estátuas e desenhos existissem?
1.6. Imagens fenomenais
Que dizem os católicos sobre os fenômenos atribuídos às imagens de Maria? Vejamos:
1.6.1. Posição oficial
Há muitas provas de que os pagãos atribuíam às estátuas de seus deuses intrigantes fenômenos. Referindo-se esses ídolos, a Bíblia Apologética op. cit., observa que [os pagãos] “Acreditavam [...] que a divindade se fazia presente por meio dessa prática” (Ibidem). Ademais, consta da Bíblia que os pagãos criam que a imagem da deusa Diana havia descido de Júpiter (Atos dos Apóstolos, cap. 19, v. 35). Estes fatos históricos nos ajudam a entender, que também neste aspecto o marianismo perpetua uma prática pagã, já que às imagens de Maria se atribuem notáveis fenômenos. Obras oficiais da Igreja Católica, como é o caso do livro Maria, Por que Choras?, impresso sob o imprimatur do Reverendíssimo Eugene J. Driscoll, nos dizem que as estátuas de Maria têm chorado, sangrado, sorrido, exalado fragrância, e até falado.[29] Em abono a essa fé católica - de atribuir o sobrenatural às imagens de Maria -, fé esta que os protestantes tacham de superstição e pecado de idolatria, o dito livro Maria, Por que Choras? registra as seguintes palavras do Papa João Paulo II: “Se a virgem chora, isto quer dizer que tem seus motivos” (Ibidem, p.1). Num panfleto católico, em poder deste autor, distribuído pelos promotores da campanha católica Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis, afirma-se textualmente que os olhos da estátua de Nossa Senhora de Fátima “já choraram milagrosamente 14 vezes!”. Consta no verso do dito panfleto, fac-símile de uma carta remetida pelo Cardeal Sílvio Oddi, ao Reverendíssimo Cônego José Luiz Marinho Villac, ardoroso apoio do Vaticano, pelo empenho desse Cônego na coordenação da supracitada campanha. E estas informações de primeira mão, nos impelem a crer, que o ex-Padre Aníbal não foi, necessariamente, fantasioso (ou até mesmo mentiroso), quando registrou às páginas 13-14 de seu livro A Senhora Aparecida, que a estátua de Nossa Senhora Aparecida teria (segundo crença católica difundida até por clérigos) fugido da casa do devoto Felipe Pedroso, rumo ao alto de uma colina. Desta colina trouxeram-na em vão, visto que para lá regressou ela. Donde inferiram que Nossa Senhora queria que ali se construísse para si uma capelinha. O que tudo se executou com muita presteza!
1.6.2. Controvérsia entre os católicos sobre as imagens de Maria
Bem, vimos que a posição oficial da Igreja Católica quanto aos prodígios atribuídos às imagens de Maria, é que tais ícones realmente podem chorar, sorrir, sangrar, exalar perfume, falar. Assim pensava o Papa João Paulo II, bem como ainda pensam expoentes membros do clero católico, como é o caso dos Reverendíssimos Sílvio Oddi, José Luiz Marinho Villac, Albert J. Hebert e Eugene J. Driscoll, como acima exarado. Mas nem todos os católicos pensam assim. Até mesmo entre o alto clero católico há quem pense diferente. Entre estes, há os que suspeitam tanto da sinceridade, como da intelectualidade dos que crêem nessas coisas. Por exemplo, o cardeal-arcebispo Dom Aloísio Lorscheider, afirmou destemidamente: “Eu não acredito em imagem de Nossa Senhora que chora. Os bobos correm atrás disso pois não sabem quantas mutretas há por trás de coisas assim” (ANKERBERG e WELDON, 1997:81, Apêndice, citando a revista Veja, de 22, mai. 1991, p. 32, grifo nosso). Esta ousada declaração é comprometedora, pois assim esse cardeal põe em xeque a idoneidade de expoentes clérigos da mesma envergadura que ele, que piamente confessam crer na autenticidade desse fenômeno. Aliás, Dom Aloísio abalou as estruturas da própria Igreja Católica, já que a crença no fenômeno por ele rebatido, visto por ele como bobagens e/ou mutretas, não é exclusiva dos leigos, nem tampouco próprio dos católicos não–praticantes (e por isso, mal informados), pela qual não seja justo, portanto, que a Igreja responda; mas reconhecido oficialmente pela Igreja Católica, como já demonstramos, quando nos reportamos ao livro Maria Por que Choras?, e ao panfleto com o Brasão do Vaticano, sustentando que a estátua de Nossa Senhora de Fátima já chorou 14 vezes. Bem, se os que crêem nisso são bobos que ignoram as mutretas que há por trás dessas coisas, que pensa Dom Aloísio do Cardeal Sílvio Oddi, do Reverendo Albert J. Hebert, do Cônego José Luiz Marinho Villac, do Bispo Eugene J. Driscoll, e, sobretudo, de Sua Santidade João Paulo II? Estes expoentes líderes católicos são bobos ou mutreteiros? Bem, só Dom Aloísio pode responder a estes questionamentos.
1.7. Ela faz milagres?
É de domínio público que inúmeras pessoas alegam ter recebido bênçãos mil, mediante a intercessão de Maria. O Dr. Aníbal (ex-padre) asseverou que tais milagres, quando não são auto-sugestão, ou mentira, são obra do diabo.[30] E realmente há diversas passagens bíblicas que atestam que Satanás também opera milagres (2Tessalonicensse, cap. 2. v.9; Êxodo, caps. 7-8; Mateus, cap. 7, vv. 21-23; Atos dos Apóstolos, cap. 26, v. 18; 2 Coríntios, cap. 11, v.14; 2Tessalonicenses, cap. 2, v. 9, etc.). Deve ser por isso que este pensamento predomina entre os evangélicos. Contudo, há protestantes que admitem a possibilidade de Deus ter atendido a tais rezas, “por não levar em conta a ignorância do adorador da ‘santa’”. Este autor ouviu um ex-Padre dizer isso num de seus sermões. Os que esposam esse parecer também se julgam fundamentados na Bíblia, a qual, segundo interpretam, diz que Deus não tem em conta os tempos da ignorância (Atos dos Apóstolos, cap. 17, v. 30). Com quem está a razão? É o diabo quem faz tais milagres, é auto-sugestão, é mentira, ou é Deus? Bem, já que há divergência entre os evangélicos quanto a isso, é de se esperar que o leitor se interesse em saber a minha opinião pessoal sobre este assunto. E é com enorme prazer que lhe informo que penso tal qual o ex-Padre Aníbal.
1.8. Avaliando o teor do culto a Maria
Já fizemos constar que os clérigos católicos confessam que não prestam a Maria o culto supremo do qual só Deus é digno. O Vaticano II garante que o culto a Maria “de nenhum modo diminui o culto latrêutico dado a Deus Pai por Cristo no Espírito”. É, pois, de se esperar que exaremos o que os protestantes dizem disso. Vejamos, então, as considerações abaixo:
a) [O Rosário, segundo o dicionarista Aurélio] “é uma enfiada de 165 contas, correspondentes ao número de 150 ave-marias e 15 padre-nossos” [...];[31]
b) [...] O Terço é assim chamado porque o número de suas contas corresponde a um terço do Rosário. Logo, ele é uma enfiada de 55 contas, correspondentes ao número de 50 ave-marias e 5 padre-nossos. Nestes dois exemplos [...], a Cristo coube apenas menos de um décimo da devoção a Maria [...] (Ibidem);
c) [...] Se o leitor ainda não notou, note e verá que a grande maioria das estampas religiosas afixadas nos carros dos católicos, é de Maria” [...] (Ibidem);
d) [...] nos últimos [...] anos os católicos têm intensificado a distribuição de folhetos evangelísticos. Vários desses panfletos já nos foram presenteados [...]. E por mais incrível que possa parecer, mais de 90% dos folhetos que ganhamos não enfatizam o nome de Jesus; antes falam de Maria. O nome Jesus [...] é mencionado de passagem. Ele não é o personagem central da mensagem (Ibidem).
O clero católico sustenta que “‘A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão’”.[32] Isto significa que, de acordo com a fé católica, não existe cristianismo sem marianismo. Ou seja, o culto a Maria não é opcional. Você pode ser católico sem ser devoto de São José, ou de Santo Agostinho, ou de São Sebastião... Mas nunca será verdadeiro católico, sem ser devoto de Maria, visto que o marianismo é intrínseco ao culto cristão. Estou interpretando mal? Não me parece. E posso provar que não estou só. Ombreia-me um dos maiores teólogos católicos, a saber, o Padre Dom Estêvão Bettencourt: [...] “a devoção a Maria não é facultativa, ao passo que a devoção a São Francisco ou São bento o é”.[33] E o porquê disso reside no fato de que segundo a Igreja Católica, Maria é o pescoço que liga o corpo à cabeça, isto é, que liga a Igreja a Cristo. Eis as provas: 1) "A plenitude da graça estava em Cristo como sendo nossa cabeça; estava em Maria por ser ela medianeira entre Cristo e nós, tal como o pescoço transmite ao corpo a vida que vem da cabeça" (LIGÓRIO, Afonso Maria de. Glórias de Maria. Aparecida do Norte: Editora Santuário. 19 ed. 2005, p. 25); 2) O Papa Leão XIII observou numa encíclica em 1892, que “[...] nada nos é concedido senão por Maria. Como ao Pai celeste só chegamos por meio do Filho, assim semelhantemente só por meio de Maria, chegamos ao Filho” (Ibidem, nota de rodapé).
Observação: Tanto as Bíblias católicas, quanto as Bíblias evangélicas traduzem a última parte de Mateus cap. 4, v. 10, de duas maneiras: “só a ele prestarás culto” e “só a ele servirás”. Quanto a este exemplo, ambas as traduções estão corretas, visto que, neste caso, servir refere-se à prestação de serviço sagrado a Deus, o que implica em adoração ou culto. Outra tradução possível, seria: “Diante do Senhor, teu Deus, te prostrarás e só a Ele prestarás santo serviço”.
NOTAS REFERENTES AO CAPÍTULO I
1 Catecismo da Igreja Católica. Petrópolis e São Paulo: Vozes e Loyola, 1993, p. 274,
grifo nosso.
2 Compêndio do Vaticano II. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 103, grifo nosso.
3 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S. A., 1986, p. 897.
4. BETTENCOURT, Estêvão. Católicos Perguntam. Santo André: O Mensageiro de
Santo Antônio. 2004, p. 103.
5 ANKERBERG, John e WELDON, John. Os Fatos Sobre o Catolicismo Romano. Porto
Alegre: Obra Missionária Chamada da Meia-Noite, 1997, pp. 66-74.
6 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., pp. 111-112.
7 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., p. 561.
8 Bíblia Apologética. São Paulo: ICP Editora, 2000, p. 101.
9 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 102 (Grifo nosso).
10 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., pp. 561-562 (O grifo não é nosso).
11 ARMANI, Tony. O que todos devem saber sobre o catolicismo romano. São Paulo:
Press Abba, 2000, p. 33 (Ggrifo nosso).
12 FERREIRA:1986, p. 49.
13 VINE, W. e UNGER, Merril F. e WHITE JR, William. Dicionário Vine. Rio de Janeiro:
Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 2003, p. 31.
14 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., pp. 380-381. Grifo nosso).
15 Bíblia Apologética. Op. cit., p. 102. Citando BEINERT, Wolfgang, et all. O culto a
Maria Hoje. 3 ed. São Paulo: Edições Paulinas. 1980, p. 33.
16 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 111.
17 HURLBUT, Jesse Lyman. História da igreja cristã. São Paulo: Vida, 1995, P. 80.
18 NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 11
ed., 2000, pp. 83-84.
19 SAUSSAYE, Chantepie de la. et al. História das religiões. Lisboa: Inquérito, 1940,
pp. 819-820.
20 BITTENCOURT, Estêvão. “Polêmica cega”. Pergunte e Responderemos. Rio de
Janeiro, Lúmen Christi, mar. 2003, pp. 136-138.
21 KOOGAN, Abrahão e HOUAISS, Antônio. Enciclopédia e Dicionário. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1993, pp. 948, 1130, 1245, 1377, 1419.
22 WOODROW, Ralph. Babilônia: a Religião dosMmistérios. Recife: Associação
Evangelística, 1966, p. 51 (Grifo nosso).
23 JETER, Hugh P. Será Mesmo Cristão o Catolicismo Romano?. 2 ed. Rio de Janeiro:
Betel. 2000, p. 73 (Grifo nosso).
24 COSTA, Airton Evangelista da. A verdade Sobre Maria. A. D. Santos Editora. 2004,
pp. 13-14.
25 ARTONI, Camila e NOGUEIRA, Pablo. “A Face Feminina de Deus”. Galileu. São
Paulo: Globo, 149, dez. 2003, pp. 18-26.
26 Instituto Cristão de Pesquisas. Série Apologética. São Paulo: 2002, v. I, p. 74.
27 (BOYER, Horlando. Heróis da fé. Rio de Janeiro: CPAD. 31 ed. 2005, p. v).
28 Bíblia sagrada. Trad. Padre Antônio Pereira de Figueiredo. São Paulo: Novo Brasil
Editora Ltda. Êxodo, cap. 20. vv. 4 e 5. s.d.
29 HEBERT, Albert J. Maria, Por que Choras? Rio de Janeiro: Edições Louva-a-Deus.
3 ed. 1991, pp. 1, 3, 34, 36.
30 REIS, Aníbal Pereira dos. Milagres e Cura Divina. São Paulo: Caminho de Damasco,
1975, p.35.
31 SANTANA, Joel. A “Virgem” Maria É uma Deusa? Rio de Janeiro: Voz Evangélica,
2002, p. 22.
32 Catecismo da Igreja Católica, op. cit., p. 274, grifo nosso.
33 BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Católicos Perguntam. Santo André: O
Mensageiro de Santo Antônio, 2004, p. 103.
CAPÍTULO II
MARIA – A RIVAL DA SANTÍSSIMA TRINDADE?!
A Igreja Católica reconhece que a devoção que ela rende a Maria, nem sempre foi inferior à devoção que se deve tributar a Deus, mas sim, que ela (Maria) já foi mais adorada do que o próprio Deus. Eis as provas:
2.1. Maria – a rival do Pai?
Referindo-se ao Concílio Vaticano II, que transcorreu durante os anos sessentas, diz um livro oficial da Igreja Católica, lançado sob o imprimatur de Dom Joviano de Lima Júnior, Bispo de São Carlos, SP: “Então o Concílio colocou a Santíssima Trindade acima dos santos. Jesus passou a ocupar o centro das devoções”.[34] Sendo assim, o clero católico não nega que pelo menos até à década de 1960, os católicos punham os Santos acima da Santíssima Trindade. E, naturalmente, o mesmo se pode dizer de Maria, já que ela nunca esteve abaixo dos demais Santos, na ótica católica: [...] “exaltada [...] acima de todos os anjos e homens”.[35] E será que o dito Concílio conseguiu reconduzir Maria ao seu devido lugar, ou seja, a uma posição inferior à de Deus? Parece-me que não, pelo seguinte:
A) O Padre Salvador Carrillo Alday, fez menção ao que ele chamou de “[...] uma devoção séria e centralizada na Santíssima Virgem Maria”.[36] Perguntam os evangélicos: Uma devoção centralizado em Maria, tem no seu centro a pessoa de Deus? Quem ainda está no centro: Deus ou Maria? O Padre Alday assevera que é Maria, e, segundo me consta, ele não está equivocado;
B) O apóstolo Paulo dizia: “Se Deus é por nós quem será contra nós?” (Romanos, cap. 8. v. 31). Mas certo livro oficial da Igreja Católica, que não foi recolhido após o Concílio Vaticano II, antes vem tendo novas edições (a edição em nosso poder veio a lume em 2005), diz:
a) “Se Maria é por nós, quem será contra nós?”;[37] b) [...] “ao império de Maria todos estão sujeitos, até o próprio Deus” (Ibidem, p. 152);
2.2. Maria –a rival do Filho?!
A devoção que os católicos praticantes prestam a Maria é tão acentuada, que não hesitam atribuir-lhe diversos dos títulos que a Bíblia só confere a Cristo.
Vimos no primeiro tópico deste capítulo, que um livro oficial da Igreja Católica afirma sem rodeios que o Concílio Vaticano II reparou o erro que os católicos vinham cometendo, ao colocarem Maria acima de Deus: “Então [Jesus] passou a ocupar o centro das devoções” (CECHINATO, 2001:428. Grifo nosso). Ora, se esse erro foi removido, então ele existia. Logo, não tenho que provar que havia tal erro, visto que o clero católico já deu as mãos à palmatória. Contudo, vou exibir abaixo algumas provas de que na Igreja Católica Maria estava e está, ora acima de Cristo, ora ao mesmo nível que Ele. Dificilmente ela é posta um pouquinho abaixo dEle. Os fatos a seguir trazidos à tona, reforçam o que já provamos acima: que no catolicismo Maria era e é o centro das atrações, como bem o disse o Padre Alday. Sim, continuemos a ver os fatos, pois falam por si mesmos, e são irrefutáveis:
2.2.1. Maria estava acima de Cristo?
O ex-padre Charles Chiniquy conta que ele pregava, quando era padre, que não devemos ir a Cristo, visto que o Rei Jesus está irado. Segundo palavras suas, ele ensinava que é a Maria que devemos recorrer.[38]
Martino Lutero registrou que foi isso que ele aprendeu na Igreja Católica. Disse ele: “Estremecia e tornava-me pálido ao ouvir alguém mencionar o nome de Cristo, porque fui ensinado a considerá-lo como um juiz encolerizado. Fomos ensinados [...] que é necessário [...] clamar a Maria para desviar de nós a ira de Cristo”.[39]
Talvez se pergunte: “Será que os ex-Padres Charles Chiniquy e Martinho Lutero falaram a verdade?” Respondo a esta possível pergunta com as seguintes interrogações: Por que não? Julga-se impossível que a Igreja Católica tenha ensinado isso? Mas agorinha não provei que o clero católico confessa que Maria esteve sim, acima de Cristo? E o fato de os clérigos católicos não terem recolhido o livro Glórias de Maria (livro este que põe Maria não só em pé de igualdade com o Senhor, mas acima Dele), não é, porventura, prova esmagadora de que eles não só o faziam, mas que ainda o fazem? Ora, posto que o réu não só confessa o crime, mas o comete diante dos nossos olhos, temos ainda carência de testemunhas? Estas perguntas trazem suas respectivas respostas no seu próprio bojo. Contudo, que os que nos conferem a honra de nos ler, decidam por si mesmos quanto a como responder a essas perguntas, e que o façam com conhecimento de causa, à base das informações que ora damos, bem como à luz da razão que nos é comum: [...] "a razão se refere a uma realidade que é a mesma para todos" [...]. [40]
2.2.2. Maria ainda estaria cima de Cristo
Eis as provas: Há diversas provas de que na Igreja Católica Maria continua num patamar nada inferior ao de Cristo. Ei-las: O clero católico proclama alto e bom som que quem tem por ofício nos socorrer e aliviar, é Maria. A Cristo coube outras incumbências: julgar e punir: “O Eterno Pai deu ao Filho o ofício de julgar e punir, e à Mãe o ofício de socorrer e aliviar os miseráveis” (LIGÓRIO, 2005:37, op. cit.). E este não é um ato isolado, pois goza da aquiescência de todo o clero, já que o senhor Afonso, muito longe de ser repreendido, exonerado, e excomungado, foi é canonizado e elevado a Doutor da Igreja. E, como se não bastasse tamanha cumplicidade, aprovaram o seu referido livro Glórias de Maria (o que é confessado à página 13 do mesmo), e estão traduzindo-o para os mais diversos idiomas, prefaciando-o com sobejos elogios, recomendando a sua leitura, e editando-o. Sim, o exemplar desse livro em meu poder, é publicado pela Editora Santuário, que, como já sabemos, é uma das editoras católicas. Logo, podemos dizer que o ensino de que Maria socorre e alivia, enquanto Cristo julga e pune, goza da cumplicidade e sanção de todo o clero católico. Os clérigos que canonizaram o senhor Afonso e o elevaram a Doutor da Igreja, assim como os que traduzem o seu livro e o prefaciam com louvor, recomendando-o, são cúmplices explícitos; e os clérigos que não ousam protestar contra isso, são cúmplices implícitos, pois quem cala consente. Assim provamos que: a) O catolicismo elevou Maria a um patamar acima do de Cristo; b) os ex-Padres Lutero e Chiniquy denunciaram e refutaram esse gesto que os protestantes consideram mariolátrico; c) os clérigos católicos dão suas mãos à palmatória, isto é, confessam que de fato cometeu-se o erro de pôr Maria acima de Deus, e acrescentam que já repararam esse erro, reconduzindo Maria ao seu devido lugar, e repondo Cristo no centro das devoções; d) as recentes edições do livro Glórias de Maria (a edição em poder deste autor é de 2005) provam que, segundo o catolicismo, Maria continua até hoje no mesmo lugar de sempre; embora os clérigos do catolicismo digam que já procederam às devidas correções desse erro em 1965. Sim, pois a Igreja Católica prossegue dizendo, através do livro Glórias de Maria, que quem salva é Maria, não Cristo, visto que o ofício deste não é o de nos socorrer e aliviar, mas sim, nos julgar e punir. Ora, o fato de o clero católico dizer que já corrigiu o erro de elevar Maria acima de Deus, prova que Lutero e Chiniquy não faltaram com a verdade, já que ninguém pode se retratar de um erro que não cometeu. E as recentes edições do livro Glórias de Maria, provam que na Igreja Católica a mãe de Jesus ainda está no mesmo patamar de onde, segundo o clero católico, ela foi removida a partir do Concílio Vaticano II. Bem, este é um parecer protestante com o qual, obviamente, não converge o clero católico. Este jura de pés juntos que já corrigiram isso desde a década de sessenta do século XX. Logo, o leitor deve tirar suas próprias conclusões. E não se subestime, julgando-se incapaz de fazê-lo. Não! Você é um ser racional! Não tenha medo de pensar! Não aposente a sua cabeça, antes, use-a! Aposte na sua inteligência!
2.2.3. Maria teria vencido Cristo
Embora a Igreja Católica pregue que só Cristo salva: “Jesus Cristo, único Redentor e Salvador nosso...” (Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 101. Grifo nosso), faz, entretanto, estas comprometedoras afirmações:
a) Maria nos salva com seus rogos: “Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas por sua múltipla intercessão continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (...) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira” (Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., p. 274. Grifo nosso).
Geralmente, os evangélicos refutam essa crença, alegando que invocar Maria é errado, visto não encontrarmos na Bíblia um só texto que nos autorize a invocar os mortos, e ainda respaldam-se em Deuteronômio, cap. 18. v. 11; e Isaías, cap. 8, vv. 19-20. Mas os católicos, baseando-se no que chamam de Tradição, se defendem dizendo que Maria está viva, pois já foi ressuscitada dentre os mortos e elevada ao Céu. Além disso, citando 2Macabeus, capítulo 15, versículos 11-16, argumentam que Onias e Jeremias, depois de mortos, intercediam a Deus pelos judeus. Os evangélicos, porém, rejeitam tanto a Tradição, quanto os Macabeus. Tradição? Macabeus? Que é isso? Vou lhe explicar:
Tradição: Todos os que lêem a Bíblia sabem que nem tudo que Jesus fez foi escrito (João, cap. 20. 30-31; 21. 25). Os evangélicos crêem que as palavras de Cristo que não foram anotadas, perderam-se com o tempo. Todavia, a Igreja Católica alega ter em seu poder os ensinos de Cristo que não foram registrados por escrito. A isso ela chama de Tradição. E acrescenta que a Tradição está acima da Bíblia: “...Acima da Bíblia está a Tradição, isto é, a pregação de Jesus Cristo que não foi escrita...” (Os Erros ou Males Principais dos “Crentes” ou Protestantes. Editora O Lutador, 7 ed., 1957, p. 26, lançado sob o IMPRIMATUR do Monsenhor Aristides Rocha). Muito poderíamos dizer acerca da Tradição; por ora, porém, consideremos que o fato de alegarem que a Tradição está acima da Bíblia, é indício de fraude. Medite e responda a si mesmo: Por que o que não foi escrito, mas passado de boca em boca através dos séculos, teria mais peso do que o que se escreveu? Será que é porque o que se escreve o vento leva, mas o que se fala fica? (Ironizo). Ora, isso é apelação, não? Bem, não quero mandar na sua cabeça. Raciocine e decida como bem quiser.
Macabeus: A Bíblia católica é maior do que a Bíblia evangélica. Esta corresponde a menos de 90% daquela. Trato deste assunto minuciosamente no capítulo IV do meu livro Análise Bíblica do Catolicismo Romano, também disponível no meu site www.pastorjoel.com.br . Aqui, porém, informo apenas que, dentre as muitas razões para rejeitarmos Macabeus, sobressai o fato de o seu autor pedir que os seus leitores o perdoem, caso encontrem no mesmo, algum erro. Isto testifica da humildade do escritor, assim como da falta de inspiração divina, já que Deus jamais nos pedirá que o perdoemos pelos Seus erros. Senão, vejamos o que consta de 2Macabeus, último capítulo, versículos 38-39: “... Porei aqui fim à minha narração. E se ela está bem organizada e como convém à história, isso é também o que eu desejo; mas se pelo contrário foi escrita com menos dignidade, deve-se-me perdoar” (Bíblia traduzida pelo padre António Pereira de Figueiredo, op. cit. Grifo nosso).
b) Maria salva: Tenho alguns panfletos católicos que afirmam sem rodeios que Maria salva: “Ela vai salvar a humanidade”. E: “O meu [de Maria] Imaculado coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus" (Grifo nosso). Estas afirmações são transcritas da obra que documenta as palavras que Maria teria dito aos pastorinhos em Fátima/Portugal, em 1917.
c) Maria salva mais do que Cristo:“Quando nos dirigimos a esta divina Mãe, não só devemos ficar certos de seu patrocínio, mas às vezes seremos até mais depressa atendidos e salvos chamando pelo nome de Maria, do que invocando o santíssimo nome de Jesus, nosso Salvador” (Glórias de Maria, op.cit., p. 118. Grifo nosso). Este texto não diz que Cristo não salva - pois como o leitor pode ver, faz-se referência a “Jesus, nosso Salvador” -, mas tão-somente esclarece que Ele não é tão rápido e eficiente quanto Maria. Em outras palavras: A salvação pode ser obtida através de Cristo, mas rapidez e eficiência, só com Maria. Logo, se você não tem pressa, vá a Cristo; mas, se você não dispõe de muito tempo, recorra a Maria já. Ela é vapt vupt. Em outras palavras: Jesus também salva, mas não tão rápido quanto Maria.
Por que Cristo não salva tão bem quanto Maria? A resposta é a seguinte ironia: Salvar não é a Sua especialidade. Ele é especialista em julgar e punir, visto ter sido este o ofício que o Eterno Pai lhe deu. E por que será que Maria é uma Salvadora mais eficiente do que Cristo? Novamente a resposta é a seguinte ironia: Salvar o pecador é a especialidade de Maria, visto que foi a ela que o Eterno Pai conferiu o ofício de nos socorrer e aliviar. Quando Cristo tenta salvar alguém, não salva tão bem quanto Maria, porque, neste caso, Ele está fazendo algo incompatível com a Missão que o Pai Lhe deu, que é ofício de julgar e punir;
d) Maria é a única Salvadora: Já informei, que um livro oficial da Igreja Católica, intitulado Glórias de Maria, assevera que o Reino de Deus consiste de justiça e misericórdia, que esta foi cedida a Maria, e aquela Deus reservou para si. Vejamos novamente: “Consistindo o reino de Deus na justiça e na misericórdia, o Senhor dividiu: o reinado da justiça reservou-o para si, e o reinado da misericórdia o cedeu a Maria”. E: “O Eterno Pai deu ao Filho o ofício de julgar e punir, e à Mãe o ofício de socorrer e aliviar os miseráveis” (Ligório, 2005:36-37. Grifo nosso). E diz mais: “Vós sois a única advogada dos pecadores” (Ibidem, p. 105. Grifo nosso). Logo, se você quer ganhar chibatadas, vá a Jesus Cristo, pois julgamento e punição são as suas incumbências, nas quais especializou-se. Ele é o Juiz que lhe sentencia, bem como o carrasco que executa a pena. Mas, se você quer cafuné, então recorra a Maria. Em outras palavras: Você quer ir para o Inferno? Recorra a Cristo, o Juiz que, por ser justo, lhe dará o que você merece: o Inferno. Você quer socorro e alívio, isto é, salvação? Só uma mulher pode lhe ajudar - Maria! O ofício que o Eterno Pai deu a ela, não é o mesmo que Ele deu ao Filho. Este recebeu o ofício de julgar e punir, mas aquela recebeu o ofício de nos socorrer e nos aliviar! Ora, o que esse livro está dizendo, é que não temos Salvador, e sim, Salvadora. E que Aquele que os profetas e os apóstolos pensavam ser o Salvador, na verdade é apenas o Juiz encarregado de nos julgar e condenar, bem como o carrasco incumbido de nos executar. O clero católico tem, pois, um "jesus" diferente do Jesus da Bíblia (2Co 11.4).
Talvez o clero católico tente se defender, alegando que não é bem assim. Mas, se as palavras ainda dizem alguma coisa, é isso que diz o livro do Bispo Afonso; e, portanto, é isso que os clérigos católicos estão dizendo, já que, além de canonizar o senhor Afonso e elevá-lo a Doutor da Igreja (gestos estes que implicam na aprovação do tal livro), ainda fazem constar da página 13 do mesmo, que o Glórias de Maria é aprovado pela Igreja. E, não bastasse tamanha cumplicidade, ainda promovem sua distribuição pelo mundo afora, traduzindo-o, editando-o, prefaciando-o com sobejos elogios, e recomendando a sua leitura.
***
Abaixo, mais alguns gestos marianistas dos quais divergem os evangélicos, por julgarem que os mesmos maximizam Maria além do que é justo e minimizam a Cristo:
1) Os protestantes sustentam, inspirados na Bíblia, que o nosso único Advogado é Jesus (1João, cap. 2, v. 1), porém, os marianos dirigem-se a Maria nestes termos: “Vós sois a única advogada dos pecadores” (LIGÓRIO, 2005:105, op. cit., grifo nosso);
2) Que o único Salvador é Cristo, é fé protestante que consta da Bíblia (Atos dos Apóstolos, cap. 4, v. 12). Todavia, a Igreja Católica ensina que [...] “Ninguém se salva a não ser por meio de Maria” (LIGÓRIO, 2005:143, op. cit.).
3) A Bíblia diz, e os protestantes o crêem, que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos, cap. 10, v. 13). Contudo, a Igreja Católica canonizou um homem que confessou que não ousava recorrer a Cristo: “Ó minha Rainha, sede-me advogada junto a vosso Filho, a quem não tenho coragem de recorrer” (LIGÓRIO, 2005:120, op. cit.);
4) Jesus disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á” [...] (João, cap. 10, v. 9). No entanto, Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja Católica, registrou que “Ninguém pode entrar no Céu, senão pela porta que é Maria” (LIGÓRIO, 2005:136, op. cit.);
5) Cristo asseverou que sem ele nada poderemos fazer (João, cap. 15, v. 5). Entretanto, segundo o marianismo, “Quem pede e quer alcançar graças, sem a intercessão de Maria, pretende voar sem asas” (LIGÓRIO, 2005:143, op. cit.), isto é, sem Maria nada poderemos fazer;
6) A Bíblia diz que Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1Timóteo, cap. 2. v. 5), mas a Igreja Católica prega: “Como não ser toda cheia de graça, aquela que se tornou a escada do paraíso, a porta do céu e verdadeira medianeira entre Deus e os homens?” (LIGÓRIO, 2005:131, op. cit., grifo nosso);
7) Sustentam as Escrituras que Jesus é a vida: (João, cap 1, v. 4: “Nele, estava a vida” [...]; 14, v. 6: “Disse-lhe Jesus: Eu sou [...] a vida” [...]; Colossenses, cap. 3, v. 4: [...] “Cristo, que é a nossa vida” [...]). Contudo, a Igreja Católica diz: “Que seria, pois, de nós [...] que esperança nos restaria de salvação, se nos abandonásseis, ó Maria, vida dos cristãos?” (LIGÓRIO, 2005:145, op. cit., grifo nosso);
8) Diz a Bíblia: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Filipenses, cap. 2, v. 10) . Mas os marianos fazem ecoar que a Santíssima Trindade determinou que ao nome de Maria “se dobrem os joelhos dos que estão no céu, na terra e no inferno” (LIGÓRIO, 2005:213, op. cit.).
9) A Bíblia diz que é Jesus quem batiza no Espírito Santo (Mt 3.11), porém, na revista Defesa da Fé, órgão oficial do Instituto Cristão de Pesquisas, março/abril de 1999, página 17, consta que há católicos carismáticos ensinando que é Maria quem batiza no Espírito Santo. Parece-me que esse é um ato isolado, ou seja, a Igreja Católica ainda não está pregando isso. É um ato estanque, próprio do moderno movimento carismático.
2.3. Maria – a rival do Espírito Santo?
Quanto a isso, vejamos a consideração abaixo.
2.3.1. Maria nos revela Jesus?!
O protestantismo acusa ainda a Igreja Católica de atribuir a Maria uma missão da competência exclusiva do Espírito Santo. Veja este exemplo:
O padre [...] S. Falvo [...] Ao afirmar que Maria revelaria Jesus [...] ele colocou sobre a mãe do Salvador [...] uma das atribuições do Espírito Santo [...]: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito”; [...] 1Co 2.10. [41]
2.3.2. Maria nos santifica?!
No seu livro Aprendendo a dizer sim com Maria, o padre [...] Marcelo Rossi diz: “Aqui veremos o que fazer para ter contato maior com nossa mãe, que, em todos os momentos, por sua intercessão, nos guarda em seu coração e nos conduz à santidade” [...]. Rossi [...] atribui à mãe do Salvador a função de santificadora, que, segundo as Escrituras, é uma das funções do Espírito Santo: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade”. [42]
2.3.3. É Maria quem nos converte à fé cristã?!
Convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo, é da competência do Espírito Santo (Jo 16.8). Logo, "só Ele nos induz à conversão", repetem em uníssono os evangélicos. Contudo, Santo Afonso de Ligório atribuía sua conversão a Maria: [...] "pois atribuía a Maria a sua conversão" (LIGÓRIO, 2005:6, op. cit.).
2.4. Outros gestos marianos
Vejamos agora outras afirmações marianas, das quais divergem os protestantes, por lhes parecer que tais declarações também usurpam o trono do Rei dos reis _ Jesus:
Se o meu Redentor, por causa de minhas culpas, me lançar fora de seus pés, eu me prostrarei aos pés de Maria, sua mãe, e deles não me afastarei enquanto ela não me alcançar o perdão (Ibidem, p. 102);
Em vão procura Jesus quem não procura achá-lo com sua Mãe (Ibidem, p. 139);
É tributada ao Filho e ao Rei toda a honra que se presta à Mãe e à Rainha (Ibidem, p. 131);
Maria é toda poderosa junto a Deus (Ibidem, p. 151);
Perca uma alma a devoção para com Maria e que será senão trevas? [...] Ai daqueles [...] que desprezam a luz deste sol, isto é, a devoção a Maria! [...] (Ibidem, p. 82).
Jesus Cristo é o único medianeiro de justiça [...]. Mas [...] Maria é medianeira de graças (Ibidem, p. 134);
E como poderia o Filho desatender à Mãe, mostrando-lhe esta os seios que o sustentaram? [...]. A excelsa Virgem hospedou a Deus em seu ventre; em paga de tal hospitalidade dele exige a paz para o mundo, a salvação para os perdidos, a vida para os mortos (Ibidem, pp. 209-210, grifo nosso);
[...] Maria é nosso único refúgio, socorro e asilo (Ibidem, p. 99);
Mas como em Jesus Cristo reconhecem e temem os homens a majestade divina, aprouve a Deus dar-nos outra advogada a quem recorrer pudéssemos com maior confiança e menor receio (Ibidem, p. 163, grifo nosso), etc.
Vimos que alguns dos fragmentos acima pinçados do livro Glórias de Maria, deixam claro que a Igreja Católica prega oficialmente que aos protestantes, por não serem devotos de Maria, só lhes restam as trevas, isto é, estão perdidos e sofrerão no além-túmulo as conseqüências dessa impiedade, caso persistam no erro. Isto está patente na impetração do “ai” que ela lança sobre os evangélicos _ “Ai daqueles [...] que desprezam [...] a devoção a Maria!” _, assim como na afirmação de que “Quem pede e quer alcançar graças, sem a intercessão de Maria, pretende voar sem asas”, isto é, não terá a graça pretendida. Mas os protestantes não podem se melindrar diante desta sentença, pois também, citando a Bíblia, a qual diz que só se deve adorar ou cultuar a Deus (Mateus, cap. 4, v. 10; 6, v. 24), proclamam unanimemente (os protestantes que destoam deste parecer são atípicos) que os marianos são idólatras, e que serão lançados no inferno (conforme previsto em Apocalipse, cap 21, v. 8, que ameaça os idólatras com o lago de fogo), caso não se convertam enquanto há tempo. E uma demonstração de que realmente os evangélicos crêem na condenação dos católicos, é o fato de o Instituto Cristão de Pesquisas (órgão interdenominacional e fiel às doutrinas basilares da fé protestante, que, por isso mesmo, pode se considerar porta-voz dos evangélicos, e, portanto, uma autêntica voz protestante) dizer: “Um católico praticante de suas doutrinas não pode ser salvo”.[43] Outro relevante exemplo, nos foi dado pelo jogador de futebol (goleiro), Taffarel, evangélico desde 1985, membro da Igreja Batista Central, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte/MG, dizer: “No catolicismo Deus estava distante de mim”.[44]
2.5. Glórias de Maria é marianismo oficial?
Bem, transcrevemos do livro Glórias de Maria, repetidas vezes, no intuito de mostrar algumas das afirmações católicas, das quais divergem os evangélicos. Mas, como estes fragmentos só servem para provar o que pretendemos, se são extraídos de obra oficial da Igreja Católica, urge que exibamos um laudo, provando que as nossas amostras foram submetidas ao rigor científico, e que sobreviveram ao mesmo, ou seja, que o Glórias de Maria é documento oficial da Igreja Católica. Eis, pois, o laudo comprobatório:
Em vida a Igreja o honrou, elevando-o à dignidade episcopal. Morto, elevou-o aos altares, deu-lhe a auréola de Doutor zelosíssimo, aprovou-lhe os escritos, depois de percorrê-los cuidadosamente.
Os Papas o distinguiram, chamando-o coluna do templo, estrela nas nebulosas do erro, mestre em Israel (LIGÒRIO, 2005:13, op. cit., grifo nosso);
[...] Santo Afonso [...] faleceu com 91 anos e lhe foi dado o título de ‘Doutor da Igreja (CECHINATO, 2001:313-314, op. cit.).
Doutores da Igreja são santos e santas que, nos diferentes períodos históricos da Igreja, distinguiram-se pela doutrina reta, grande sabedoria, santidade de vida e obras de notável valor (escritos ou pregação). O que eles ensinaram tem validade perene e universal. Suas obras servem de referência e de fonte aprovada pela Igreja para elaboração da Teologia e da vivência da fé (Ibidem, 2001:96, grifo nosso).
Consideremos mais estes dados do livro Glórias de Maria:
1) É obra que, existindo há 259 anos, já teve 800 edições;
2) é publicado por editoras católicas;
3) já foi traduzido em alemão, inglês, espanhol, francês, holandês e em outras línguas; 4) os tradutores e/ou editores (membros do clero) prefaciam as traduções, esbanjando elogios (LIGÓRIO, 2005:3, 9,11, op. cit.);
5) consta do próprio livro, como já vimos, que se trata de uma obra aprovada pela Igreja Católica, não sem antes percorrê-la “cuidadosamente”;
6) e, finalmente, os demais clérigos (papas, cardeais, arcebispos, padres, etc.), não repreendem tais tradutores e editores. Por tudo isso, salta aos olhos a cumplicidade de todos os clérigos. Conclusão: Glórias de Maria é livro oficial da Igreja Católica. Logo, seu conteúdo representa o pensamento oficial da Igreja Católica.
À base do que vimos sobre a definição de “Doutores da Igreja”, tudo quanto os mesmos falaram ou escreveram, deveria representar o pensamento da instituição católica. Mas não é bem assim. Por exemplo, Santo Tomás de Aquino, também Doutor da Igreja Católica, não acreditava no dogma católico intitulado Imaculada Conceição de Maria. Vejamos por ora, três exemplos comprobatórios deste fato: [...] “o teólogo Thomas de Aquino era uma voz que se manifestava veementemente contra o dogma de que Maria foi concebida sem o pecado original”; [45]
Porque Tomás de Aquino combatera a crença na Imaculada Conceição de Maria, os espanhóis do século XVII suspeitaram da santidade que lhe fora atribuída, quando de sua canonização e elevação a Doutor da Igreja. Sobre isso, diz certo livro do século XIX, agora republicado: “O povo chegou até a insultar as imagens de Tomás de Aquino que a combatia com veemência”; [46]
3) agora, leiamos o que escreveu o próprio Santo Tomás de Aquino:
A bem-aventurada Virgem foi santificada antes de receber vida? (...) se a bem-aventurada Virgem houvesse sido santificada de qualquer modo antes de receber a vida, nunca teria incorrido na mancha do pecado original; e, portanto, não teria necessidade da redenção e da salvação que é por Cristo, de quem se diz: Ele salvará o seu povo dos seus pecados. (...) logo a santificação da bem-aventurada Virgem foi depois de receber vida.[47]
É, pois, imprescindível que atentemos para o fato de que o livro Glórias de Maria só pode ser citado como prova, quer contra, quer a favor do catolicismo, porque consta do mesmo que a cúpula católica o sancionou: “aprovou-lhe os escritos, depois de percorrê-los cuidadosamente” (LIGÓRIO, 2005:13, op. cit., grifo nosso). Embora essa exigência devesse ser desnecessária, visto que se os tais Doutores “distinguiram-se pela doutrina reta, grande sabedoria, santidade de vida e obras de notável valor (escritos ou pregação); o que eles ensinaram tem validade perene e universal; e se suas obras servem de referência e de fonte aprovada”, é discrepante desautorizá-los aqui e acolá, aleatoriamente, diante de doutrinas sobre as quais já se tenha ocorrido até pronunciações ex-cátedras, como é o caso da suposta Imaculada Conceição de Maria, da qual nenhum católico pode discordar, sob pena de se tornar anátema. Ora, como manter nos altares, Santos doutores que não criam no que eu tenho de crer, sob pena de excomunhão?
Bem, novamente trazemos à memória que no presente subcapítulo propomos provar que o fervoroso marianismo constante das páginas do livro Glórias de Maria não é um ato isolado, e sim, uma postura oficial da Igreja Católica. E a título de mais algumas provas de que deveras Santo Afonso Maria de Ligório não está só, antes é ombreado pelas autoridades da sua igreja, veja as transcrições a seguir:
O papa Leão XIII afirmou em sua encíclica de rosário Octubri mense (1891): “Ninguém pode achegar-se a Cristo a não ser pela mediação de sua mãe”. O papa Pio X (1903-1914) asseverou que Maria é “a dispensadora de todos os dons, os quais Jesus adquiriu para nós por meio de sua morte e de seu sangue”. O papa Pio XI (1922-1939) disse: “Com Jesus, Maria redimiu a raça humana”. A conclusão a que chegou o papa Pio XII (1939-1958) em sua encíclica Mystice Corporis (1943), foi que Maria voluntariamente ofereceu Cristo no Calvário: “Que, livre de todo pecado, original ou pessoal, e sempre unida íntima e intensamente a seu Filho, o ofereceu no Calvário ao Pai eterno ... por todos os filhos de Adão”.
Por tudo isso é que o Vaticano II declarou que “havendo sido elevada ao céu, ela não pôs de lado esse papel salvífico, mas por seus múltiplos atos de intercessão continuou obtendo para nós os dons da salvação eterna” [...].
Quanto aos seus [de Maria] sofrimentos temporais aqui na terra, a Enciclopédia Católica ensina que ela “os suportou para nossa salvação.” Além disso: “No poder da graça da redenção obtida por Cristo, Maria, por haver entrado espiritualmente no sacrifício do seu Divino Filho pelos homens, fez expiação pelos pecados dos homens e (por conseguinte) teve mérito na aplicação da graça redentora de Cristo. Dessa forma, ela colabora na redenção subjetiva da humanidade” (ANKERBERG e WELDON, 1993:68-70. op. cit., grifo no original).
O escritor Guedes de Miranda, nos inteirou que nos séculos XII e XIII o culto a Maria estava no seu apogeu. Parecia até que a hiperdulia não era um detalhe do cristianismo, mas uma outra religião. Relembrando: “O culto a Maria _ a hiperdulia _ quase constitui uma religião à parte no decorrer dos séculos XII e XIII.” (MIRANDA, Guedes. Eu e o tempo, p. 17), citado por FERREIRA, 1986:897, op. cit..).
2.6. O marianismo em ascensão
O que vimos sobre Maria nos tópicos anteriores, certamente já nos deixou impressionados. No entanto, coisas mais estupendas estão por vir. Há quem diga que o marianismo está em ascensão. Como veremos abaixo, afirmam-se que há católicos pensando que o Catolicismo ainda não está honrando Maria à altura de seus méritos. Senão, veja os fragmentos apensados nos próximos tópicos:
2.6.1. Maria - a quarta pessoa da divindade?!
Há controvérsia quanto a se a Igreja Católica projeta ou não fazer de Maria a quarta pessoa da divindade. E essa polêmica também deve ser considerada, visto que um bom observador deve colher amostras de tudo que, de alguma maneira, se relacione com o objeto de sua pesquisa. Daí pinçarmos os fragmentos a seguir expostos à apreciação do leitor.
A Santíssima Trindade pode estar com os seus dias contados. Em seu lugar, a igreja católica estuda a proclamação da quarta pessoa da divindade, a Virgem Maria, em pé de igualdade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No novo “Quarteto Sagrado” proposto, Maria teria papéis múltiplos: filha do Pai, mãe do filho e esposa do Espírito Santo (DUARTE, 1998:7, op. cit..).
Não sabemos até onde a jornalista Leneide Duarte (articulista, cujo texto trasladamos parcialmente no parágrafo imediatamente anterior) estava segura do que escreveu. Que teria levado-a à conclusão de que a Igreja Católica projeta deificar Maria? Essa incógnita se torna ainda mais intrigante, quando lemos o Padre Dom Estêvão Bettencourt que, embora sem também emitir dados comprobatórios de sua afirmação, asseverou:
Jamais a Teologia católica pensou em justapor Maria ao lado das três Pessoas da SSma. Trindade. O que houve por volta de 2000 foi um movimento para pedir ao Santo Padre João Paulo II que definisse Maria como Co-redentora, visto que, na qualidade de Mãe, colaborou intensamente com seu Divino Filho. Tal campanha, porém, não surtiu efeito, pois se tratava de um título pouco fundamentado na Tradição.[48]
Contudo, Duarte não está só:
Quem leu a revista americana Newsweek, da última semana de agosto (1997), viu que, apesar de todos os avanços do mundo pós-moderno na área tecnológica, a alma humana continua primitiva em sua busca por ícones sagrados e em sua disposição de criá-los, mesmo que o caminho seja o de arranjar uma quarta pessoa para a Trindade, uma mãe para o Filho eterno de Deus, uma auxiliadora idônea para o Redentor e uma esposa para o Espírito Santo: [49]
Sobre esse item, julgo digno de nota o seguinte: 1) o jornal O Globo não está sozinho, pois só aqui no Brasil há pelo menos mais três obras veiculando esta mesma informação: O livro do ex-Padre José Barbosa Neto, op. cit.; a revista evangélica Vinde, ano 2, nº 23, out./97, pp. 58-9; e o teólogo Karl Weiss, que disse: “A loucura do catolicismo é tão sem limites que já há até mesmo aqueles que desejam um lugar para Maria na Santíssima Trindade” (WEISS, Karl. A Igreja que Veio de Roma. Rio de Janeiro: Universal Produções. 1 ed. 2ª tiragem, 2000, P.120); 2) Não me consta que a Igreja Católica tenha reivindicado (judicial ou extra-judicial) o direito de reposta. Isso é causa ganha, caso O Globo, a Newsweek , a Vinde, e a Universal Produções tenham faltado com a verdade. Pergunta-se, pois: Por que a Igreja Católica não fez uso deste direito? Resposta: Infelizmente não posso satisfazer sua curiosidade, visto que também ignoro o porquê disso. Será que o motivo pelo qual os clérigos católicos se calaram, seja porque não tinham como provar o contrário? Não sei. Mas, como bem o diz um velho provérbio, “onde há fumaça há fogo”. Isto significa que deve haver um fundo de verdade nessa história, embora, talvez, seus narradores sejam sensacionalistas, fantasiosos e mal informados sobre este assunto. Bem, o rigor científico deste livro exige que eu admita todas essas possibilidades, uma vez que o réu nega as acusações. Repito, não sei.
2.6.2. Ratificando Maria como co-redentora
Dentro de uma caixa no Vaticano, assinaturas de mais de 6 milhões de fiéis de 148 países solicitam que o Papa João Paulo II promova Maria ao mais alto cargo: o de Co-redentora. Para esses devotos, ela coopera plenamente com Jesus no processo de libertação da humanidade do pecado. [50]
Como o leitor pode ver, esta última transcrição confirma o que o Padre dom Estêvão Bettencourt dissera, a saber, que deveras houve uma campanha com o fim de definir Maria como Co-redentora.
Bettencourt observa, que a dita campanha não surtiu efeito porque se tratava de um título pouco fundamentado na Tradição. Ora, se é pouco fundamentado, então possui algum fundamento, mesmo que frágil. E qual é esse frágil fundamento? Bettencourt não entra no mérito dessa questão. Contudo, podemos perceber que por mais frágil que seja tal fundamento, a liderança católica crê que o mesmo é suficientemente sólido para sustentar esta doutrina. Haja vista o fato de a Igreja Católica já pregar textualmente que Maria é Co-redentora. Senão, veja estas transcrições:
A mariologia é definida como o estudo da teologia que "trata da vida, do papel e das virtudes da Bendita Mãe de Deus", as quais "demonstram... sua posição como Co-redentora e Mediadora de todas as graças” (ANKERBERG e WELDON, 1993:68, op. cit., citando a The Catholic Enciclopedia, p. 370, grifo nosso).
O catolicismo romano [...] considera Maria como se ela tivesse atributos da divindade, atribuindo-lhe os títulos: co-Redentora; Advogada; Refúgio dos pecadores; Arca de Noé; Medianeira, etc. (ICP Editora. Série Apologética. São Paulo, 2002, v. I, pp. 55-56. Grifo nosso).
Sendo assim, mais nada precisaria ser dito como demonstração de que, segundo o catolicismo, Maria é tida por Co-redentora das nossas almas; o que, além de demonstrar quão excelso é o marianismo no catolicismo (Maria é nossa Co-redentora!), deixa claro que essa doutrina, embora ainda não seja dogma, já é verdade de fé católica, universalmente proclamada e defendida pelos clérigos, bem como aceitas pelos fiéis leigos. Todavia, vejamos mais esta transcrição:
[...] “ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas [...]. Por isso a Bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de Advogada, Auxiliadora, Adjutriz, Medianeira”. [51]
Ora, se Maria é tudo isso, conjeturamos que os católicos que pleiteiam junto a seus mentores espirituais que ela seja definida solenemente como Co-redentora, não estão querendo demais. Aliás, o que eles querem que seja solenizado, já existe como doutrina universalmente admitida e pregada pelos clérigos católicos, visto que, como dito, a Enciclopédia Católica (em inglês) diz, com todas as letras, que Maria é Co-redentora da humanidade. Ademais, outras literaturas oficiais da Igreja Católica, também afirmam sem rodeios, que ela é o equivalente a isso. Obviamente, afirmar que ela “cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas”, como o sustenta o Compêndio do Vaticano II, é o mesmo que chamá-la de Co-redentora. Quem coopera na realização de uma obra é, inegavelmente, co-autor da mesma. Logo, a solenização desse ensino será um novo dogma, não uma nova doutrina. Nada falta para que solenizem essa doutrina, a não ser a boa vontade do clero, que deve estar esperando o momento oportuno.
Já dissemos: “O que eles querem que seja solenizado, já existe como doutrina universalmente admitida”. Talvez o respeitável leitor pergunte: "E há mesmo alguma diferença entre doutrina universalmente admitida, e aquela definida solenemente? Se sim, em que consiste tal diferença?" Primeiro, confirmemos a existência da diferença, depois demonstremos em que consiste a dita diferença.
Confirmando a existência da diferença: A Revista das Religiões op. cit., após informar que “mais de 6 milhões de fiéis de 148 países solicitam que o Papa João Paulo II promova Maria ao mais alto cargo: o de Co-redentora”, acrescenta: “Outro título que está sendo analisado pelas altas autoridades da Igreja é o de Medianeira, segundo o qual Maria serve de mediadora entre Jesus e a humanidade”.[52] Um leitor não familiarizado com temas e termos teológicos, normalmente pensa, após ler um texto desses, que até então a Igreja Católica ainda não prega que Maria seja Co-redentora e Mediadora, já que tais títulos ainda estão, segundo a Revista das Religiões, sendo analisados pela cúpula da Igreja. Mas é ledo engano. A Igreja Católica já prega abertamente que Maria é Co-redentora e Medianeira. Essa doutrina consta até da Enciclopédia Católica e do Catecismo da Igreja Católica, como já demonstramos. Recapitulando: [...] “demonstram... sua posição como Co-redentora e Mediadora” [...] (ANKERBERG e WELDON, 1993:68, op. cit.). [...] “Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira;”[53]
Em que consiste a diferença: Talvez o leitor pergunte: “Que falta ainda, já que essas doutrinas (de Maria como Co-redentora e Mediadora) constam até da Enciclopédia Católica, do Catecismo da Igreja Católica, e do Compêndio do Vaticano II, elaborados pelas altas autoridades da Igreja? Em que consiste a diferença?" Resposta: Uma doutrina católica pode constar até dos catecismos e outras obras oficiais dessa Igreja, sem ser definida solenemente, ou seja, sem ser dogma. A criação de um dogma, não significa a criação de uma nova doutrina, mas sim, uma ratificação solene de um ensino previamente estabelecido - não raramente, há séculos -, no intuito de torná-lo mais firme. Por exemplo, é sabido por todos que a crença de que Maria foi virgem antes, durante e após o parto, já tem quase dois mil anos de existência. Essa tese foi defendida por Santo Agostinho (354-430 a.D) e confirmada por Santo Tomás de Aquino (1225-1274 a.D) .[54] Entretanto, há o seguinte comentário de rodapé em uma Bíblia católica, como nota explicativa referente a Mateus, cap. 1, v. 25:
Mateus afirma a virgindade de Maria antes do parto. Que ela tenha permanecido virgem no parto e depois dele, nós o sabemos pelos santos Padres e pela Igreja, e é verdade de fé católica, isto é, universalmente admitida, embora ainda não tenha sido definida solenemente. [55]
No caso acima, definir solenemente nada mais é que o Papa ratificar ex-cátedra, com celebração, uma doutrina já admitida, da qual, daquele instante em diante nenhum católico típico duvida (e nem pode duvidar, sob pena de excomunhão), já que é impossível que esteja errada, visto ter sido sancionada solene e extraordinariamente pelo infalível sucessor de São Pedro: o Papa. Tal ensino torna-se assim, dogma, isto é, ponto indiscutível e irreversível. É como se o clero católico dissesse que há dois tipos de verdade: verdade universalmente admitida, e verdade definida solenemente.
Das muitas coisas que a Igreja Católica diz sobre Maria, só três são dogmas: 1) que ela é Mãe de Deus; 2) que ela é Imaculada; e 3) que, por ser imaculada, seu corpo não apodreceu no sepulcro, mas foi elevada ao Céu em corpo e alma, o que chamam de Assunção de Maria. Quanto à sua perpétua virgindade, tão difundida e defendida pelos clérigos, esta é apenas uma “verdade de fé católica [...] universalmente admitida [...] não [..] definida solenemente. Veja mais duas provas de que realmente há, de acordo com o clero católico, notável diferença entre verdade universalmente admitida, e verdade definida solenemente:
Quando a Igreja define um dogma, como o da Imaculada Conceição de Maria, ela está apenas proclamando de modo solene e extraordinário tal ou tal verdade já professada pelo povo de Deus. [56]
Ainda o Padre Bettencourt, discorrendo sobre a devoção a Maria, definiu o que ele chamou de “os três dogmas marianos”, como sendo os seguintes: “...Maternidade Divina...Imaculada Conceição...Assunção gloriosa aos céus...” (BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Católicos Perguntam. Op. cit., p. 103). Como o leitor viu, ele falou de “os três dogmas marianos”, e não de “três dos dogmas marianos”. Logo, os dogmas marianos são apenas três. E como ele os enumerou, sem mencionar a suposta Perpétua Virgindade de Maria, salta à vista que essa crença ainda não é um dogma definido solenemente.
Bem, fomos informados há pouco, pelo Padre Dom Estêvão Bettencourt, que de fato “houve por volta de 2000 [...] um movimento para pedir ao Santo Padre [...] que definisse Maria como Co-redentora” [...]. E que [...] “Tal campanha [...] não surtiu efeito, pois se tratava de um título pouco fundamentado na Tradição.” É digno de nota, porém, que esse ensino que, nas palavras de Dom Estêvão, é pouco fundamentado, conste até da Enciclopédia católica, do Catecismo da igreja católica e do Compêndio do vaticano ii. Se há pouco fundamento, por que essa doutrina foi inserida nas obras oficiais da Igreja? Talvez a resposta seja: Se há pouco fundamento, então há algum fundamento, visto que pouco não é sinônimo de zero. E é sobre este pouco fundamento que apoiamos esse ensino. Essa crença católica não está bem fundamentada, mas também não está sem fundamento algum.
Bem, certamente, a essa altura já está claro para o leitor, que, segundo o catolicismo, há distinção entre verdade de fé e dogma. Uma verdade de fé, universalmente admitida, pregada e defendida não só pelos leigos, mas também por todos os clérigos, e inclusive oficialmente, isto é, através de livros oficiais da religião católica (como é o caso do Catecismo da igreja católica), pode um dia virar ou não dogma. Talvez você pense assim: "Mas não há, etimologicamente, nenhuma diferença entre doutrina de uma religião e dogma". Sim, não há mesmo. Mas na Igreja Católica, estes termos recebem definições particulares. "E pode?", você talvez questione. "Tem podido", respondo-lhe eu. Não se esqueça que a casa é deles.
2.6.3. O marianismo do Padre Rahm
Referindo-se ao Padre jesuíta, Harold J. Rahm, fervoroso mariano e inflamado carismático, o Instituto Cristão de Pesquisas registrou algo que estarrece os protestantes:
No seu livro “Sereis Batizados no Espírito Santo”, Rahm [...] diz que a única devoção de Jesus na terra foi a sua devoção a Maria e essa ‘continua sendo a devoção de Jesus no céu’ (p. 41). No cúmulo da idolatria, Rahm diz: “Aleluia a Maria”... (p. 196). Ora, ALELUIA, que quer dizer “Louvai a Deus”, por seu próprio sentido, só pode ser atribuída a Deus.[57]
Até Jesus é devoto de Maria? Ele o foi na Terra, e agora o é no céu? A exclamação de louvor Aleluia, que significa louvai a Jeová, pode ser endereçada a Maria? Bem, os protestantes vêem quem isso diz, como herege digno de ser excomungado. A Igreja Católica, porém, não pensa assim, já que a Igreja Romana não impetrou nenhum anátema sobre o Padre Rahm. Bem, é oportuno inquirirmos: Maria já foi mesmo reconduzida a seu devido lugar, e Jesus já voltou a ser o centro das devoções, como dito há pouco pelo Padre Cechinato? A Santíssima Trindade já está mesmo acima de Maria, segundo a Teologia católica? Posicionar-se quanto a isso, não é apenas uma questão de fé ou de ponto de vista, já que a razão nos é comum. Logo, estas questões, tanto na ótica católica, quanto na ótica evangélica, merecem destemida reflexão, profunda investigação, e ousado posicionamento, já que os temas religiosos não podem ser tratados com covardia e leviandade, segundo apregoa as duas religiões, cujas crenças sobre a mãe de Jesus, são aqui expostas e confrontadas.
2.6.4. A cautela de um teólogo católico
Bem, já informei que Maria é, segundo a Igreja Católica, nossa Co-redentora, e Mediadora entre Deus e nós. E há quem empreenda transformar essas doutrinas em dogmas. Mas o teólogo católico Afonso Murad, desaconselha, nestes termos: “Um novo dogma significa mais um obstáculo para o ecumenismo. A tentativa de colocar Maria num nível divino muito alto cria um problema de diálogo entre o Catolicismo e as outras religiões cristãs” (Revista das Religiões, op. cit., página 28. Grifo nosso). Claro que, como bom jesuíta que é, o senhor Murad deixa transparecer que sua principal preocupação não é com a verdade, e sim, com o avanço do ecumenismo. Mas, de um jeito ou de outro, o certo é que ele não negou que Maria está, de fato, sendo colocada “num nível divino muito alto”. Certamente, o leitor não ignora que "colocar Maria num nível divino..." é o mesmo que elevá-la ao posto de Deusa. A palavra divino, neste contexto, designa isso. Logo, ele também reconhece que de fato Maria está sendo tratada como se fosse uma Deusa. Portanto, não estou só em minhas conclusões, e isso me parece relevante.
NOTAS REFERENTES AO CAPÍTULO II
34 CECHINATO, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja. 4 ed. Petrópolis: Vozes. 2001, p. 428, grifo nosso.
35 Compêndio do Vaticano II. pp. 111-112. Op. cit.
36 GOMES, José Gonçalves. “Mudança de paradigma: cristocentrismo versus mariocentrismo na renovação carismática”. Defesa da Fé. Jundiaí: Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), 68, mai. 2004, pp. 12-15, grifo nosso.
37 LIGÓRIO, Afonso Maria de. Glórias de Maria. 19 ed. Aparecida do Norte: Santuário. 2005, p. 190.
38 VALE, Agrício do. Por que Estes Padres Católicos Deixaram a Batina? Curitiba: A. D. Santos Editora. 2 ed., 1997, pp. 90–92
39 BOYER, Orlando. Heróis da fé. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus - CPAD. 31 ed., 2005, p. 15. Grifo nosso.).
40 (CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática. 13 ed., 1ª impressão, 2003, p. 13 ).
41 GONÇALVES, José. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. Resposta Fiel. São Paulo: Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 17, set/out/nov. 2005, pp. 20-25.
42 Ibidem
43 MAGALHÂES FILHO, Glauco Barreira. “A renovação católica carismática e o Espírito Santo”. Defesa da Fé. Jundiaí: ICP – Instituto Cristão de Pesquisas, 12, mai/jun. 1999, pp. 10-23.
44 FERREIRA, Douglas. “Tafarel, tetracampeão de Cristo”, Folha Universal, 5-11, mai, 1996.
45 DUARTE, Leneide. “A mulher na igreja, de Eva à Virgem Maria”. O Globo, Rio de Janeiro: 28 ago. 1998, p. 7.
46 JOINER, Eduardo. Manual Prático de Teologia. Rio de Janeiro: Central Gospel. 2004, p. 247.
47 CENTRO DE PESQUISAS RELIGIOSAS. “O dogma da imaculada conceição de Maria” (panfleto). Teresópolis: 1996, p. 2.
48 BITTENCOURT, Estêvão. “Polêmica cega”. Pergunte e Responderemos. Rio de Janeiro, Lúmen Christi, 44, mar. 2003, pp. 136-138, grifo nosso.
49 SENA NETO, José Barbosa de. Confissões Surpreendentes de um ex-padre. Niterói: Ados Ltda. 2004. P. 56. O grifo não é nosso.
50 ZIGLIO, Anapaula. “Verdades de fé”. Revista das religiões. São Paulo: Abril. Edição Especial, op. cit., pp. 28-29.
51 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 109.
52 ZIGLIO, Anapaula. “Verdades de fé”. Revista das religiões. São Paulo: Abril. Edição Especial, op. cit., pp. 28-29.
53 Catecismo da igreja católica. Op. cit., p. 274, grifo nosso.
54 GONÇALVES, José. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. Resposta Fiel. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 17, set-out-nov. 2005, pp. 20-25.
55 Bíblia Sagrada. 9 ed. Trad. Padre Matos Soares. São Paulo: Paulinas, 1981. Revisão de dom Mateus Rocha, grifo nosso.
56 BITTENCOURT, Estêvão. “Polêmica cega”. Pergunte e responderemos. Rio de Janeiro, Lúmen Christi, 44, mar. 2003, pp. 136-138, grifo nosso.
57 MAGALHÂES FILHO, Glauco Barreira. “O que é a renovação católica carismática”. Defesa da fé. Jundiaí: Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), 11, mar/abr. 1999, pp. 12-23.
CAPÍTULO III
OS HONORÍFICOS TÍTULOS DE MARIA
3.1. Mãe de Deus
A literatura oficial da Igreja Católica confere a Maria o título de Mãe de Deus.[58] Esse título, que remonta ao século III como vimos no capítulo I [1.2.2]), foi confirmado no Concílio de Calcedônia datado do ano 451 d.C. O raciocínio é: Jesus é Deus, e Maria é sua Mãe; logo, ela é Mãe de Deus. Que dizem os evangélicos sobre isso? Resposta: Há controvérsia entre os protestantes acerca deste assunto. Em nossas pesquisas, deparamos com o inesperado: um evangélico que destoa do parecer dominante, a saber, ele diz que Maria é mãe de Deus. Vejamos primeiro essa idéia destoante, e depois o parecer dominante.
3.1.1. Posição destoante
Como deixamos claro acima, deparamos com um só protestante que pensa diferente da maioria dos evangélicos. Talvez haja outros, mas ainda não os detectei. Vejamos agora o seu argumento em defesa dessa sua tese:
Muitos evangélicos têm objetado ao uso do termo “mãe de Deus”, como se o Concílio de Calcedônia estivesse ensinando que Maria é mãe da Trindade. Nada está tão longe da verdade quanto essa errônea interpretação. O título “mãe de Deus” (Theotókos, literalmente “portadora de Deus”) não foi dado em razão de Maria, mas em razão de Jesus Cristo. A ênfase está nele, não nela. O título quer dizer que ele é Deus, o que expressa uma verdade bíblica crucial. Maria portou em seu ventre aquele que, com o Pai e com o Espírito Santo, é um só Deus, agora e sempre. Ele fez-se homem sem deixar de ser Deus.
O termo Theotókos foi inspirado nas seguintes palavras de Isabel, mãe de João Batista, dirigidas a Maria: “Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe de meu Senhor?” (Lc 1.43). O termo Senhor aponta para a divindade de Jesus Cristo. [...] Aquele que estava no ventre de Maria, a quem ela amamentou e de quem cuidou, era o “Deus conosco” (Mt 1.23), verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O termo Theotókos aponta para essa confissão de fé cristológica.
Cabe lembrar que o termo “Deus” pode ser aplicado a cada pessoa da Santíssima Trindade. Sendo assim, se Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não há impropriedade em afirmar que Maria foi, de fato, mãe de Deus, ou seja, de Deus Filho, o Verbo encarnado. Se ficarmos só nisso, não estaremos violando nenhum preceito bíblico. [59]
3.1.2. Posição dominante
Aos evangélicos parece que o silogismo acima não resiste a um confronto com a Bíblia. Dizem que embora as premissas sejam verdadeiras (realmente a Bíblia diz que Jesus é Deus, e que Maria é, de fato, sua mãe), a conclusão é falsa, considerando que Jesus possui duas naturezas: divina e humana. Jesus é Deus-homem. Crêem, pois, renomados teólogos protestantes que as premissas em questão (posto que na pessoa de Jesus se dá a união hipotástica) não nos impedem de concluirmos que Maria não é Mãe de Deus, mas apenas a genitora do lado humano do Senhor Jesus. O fato de Isabel chamar Maria de “mãe do meu Senhor”, não demove os evangélicos da conclusão de que Maria não é mãe de Deus. E argumentam em tom refutatório, conforme os três exemplos a seguir apensados:
a) Se esse silogismo estivesse certo, poderíamos dizer:
Se Jesus dormia (Mt 8.24,25) e Ele é Deus, então Deus dorme; se Jesus disse que Ele de si mesmo não podia fazer coisa alguma (Jo 5.30), e Ele é Deus, então Deus não pode fazer nada; [...] se Jesus não estava em Betânia quando Lázaro morreu (Jo 11.15) e Ele é Deus, então Deus não é onipresente; se Jesus morreu (1Co 15.3) e Ele é Deus, então Deus não é imortal. Obviamente toda essa argumentação estaria errada, pois, como sabemos, a Bíblia afirma que Deus não dorme, tudo pode, é onipresente, imortal. [...]
Tanto os católicos, quanto os evangélicos reconhecem que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ambos crêem que todos os textos bíblicos que afirmam que Jesus era portador das mesmas limitações nossas, na verdade se referem ao Seu lado humano, e não à Sua Divindade. Assim fica claro que católicos e evangélicos não ignoram que Jesus é portador de duas naturezas: humana e divina. Deste modo, Maria pode ser mãe de Jesus sem ser Mãe de Deus. Ela é mãe do lado humano do Senhor, e não da Sua Divindade [...] (SANTANA, 2002:29-30, op. cit.).
b)
Como o filho não pode vir primeiro que a mãe, logo, Maria não é mãe de Deus. Se Maria é mãe de Deus, José é padrasto de Deus; Tiago, José, Simão e Judas são irmãos de Deus; Isabel é tia de Deus; João Batista é primo de Deus, e Eli é avô de Deus. [60]
c)
A Bíblia diz que Deus é eterno (Sl 90. 2; Is 40. 28), e, como tal, não tem começo. Como pode Deus ter mãe? Há contra-senso teológico nessa declaração. [...] isso pressupõe a divindade de Maria [...]. A Bíblia esclarece que Maria é mãe do Jesus homem e nunca mãe de Deus (At 1. 14). [61]
Como dissemos, os protestantes cremos que Maria só é mãe da humanidade de Jesus. A Igreja Católica, porém, prega que Maria é mãe não só da natureza humana de Jesus, mas também de sua divindade: [...] “Virgem Maria, Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo’” [...]. [...] “Mãe de Deus e do Redentor”. [...] "Mãe de Deus, mãe de Cristo e mãe dos homens” [...].[62] Atente para a inserção da conjunção aditiva “e”, e observe as preposições “de” e “do”, assim como para o emprego das vírgulas, separando os elementos. “Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo”; “Mãe de Deus e do Redentor”; “Mãe de Deus, mãe de Cristo e mãe dos homens”. Isto prova que a Igreja Católica não prega apenas que Maria, por ser mãe de Jesus, pode, de certo modo, ser chamada de Mãe de Deus. Isso bastaria para torná-la alvo das ponderações protestantes, mas a coisa não pára por aí. O catolicismo sustenta que Maria é Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo. Que quer dizer com isso a Igreja Católica? Parece-me óbvio, que com essas declarações, a Igreja Católica não quer dizer que Maria seja mãe não só do Filho, mas também do Pai. Certamente, a idéia que o clero católico quer passar com essas afirmações, é que Maria é mãe não só da natureza humana de Cristo, mas também de Sua divindade.
O que teria levado o irmão Aldo à destoante conclusão que ora consideramos? Bem, o termo Theotókos, a rigor não significa Mãe de Deus, mas sim, portadora de Deus. Isto significa que Theotókos não era tão inusitado quanto Mãe de Deus, em Português. Essa é uma tradução livre, deveras inusitada. A isso aquiescem renomados autores evangélicos, como, por exemplo, os apologistas do Instituto Cristão de Pesquisas - ICP -, que disseram: "O título Thetókos [...] era menos assustador do que [...] Mãe de Deus" (ICP Editora. Série Apologética. v. I, op. cit., p. 56).
Alguns têm objetado que não reconhecer Maria como Mãe de Deus induz à negação da Divindade de Cristo, e, por conseguinte, a uma Cristologia deficiente. Mas à maioria dos evangélicos, a verdade parece diametralmente oposta. É a atribuição da maternidade divina a uma mulher, que minimiza (ou melhor, tenta minimizar) o nosso grande Deus. Além disso, somos nós (de quem se suspeita uma Cristologia deficiente, por negarmos que Maria seja Mãe de Deus) que nunca pusemos Maria acima da Santíssima Trindade, como o clero católico confessou que o fez, e eu provei que ainda o faz (vimos isso no capítulo II deste livro). Nós nunca dissemos que Maria é a "única advogada dos pecadores”, a "verdadeira medianeira entre Deus e os homens”, etc., como o catolicismo o faz. Ora, Cristologia deficiente é a que exibem os que atribuem a uma descendente de Adão, as prerrogativas do Senhor Jesus. Ou dizer que Maria é nossa única Advogada, assim como a verdadeira medianeira entre Deus e os homens, não é conferir-lhe atributos privativos do Senhor Jesus? Pensem nisso os que ainda pensam!
3.2. Nossa Senhora
Embora a Bíblia diga que Jesus Cristo é o nosso único Senhor (1 Coríntios, cap. 8, v. 6; Judas, v. 4), não é novidade para ninguém que os clérigos católicos pregam que Maria, a mãe de Jesus, é Nossa Senhora. Isso, na ótica protestante, é conflitante, já que a Bíblia nos é base comum.
Relembramos que cada santo católico tem sua função definida, e área física (ou ponto geográfico) de ação delimitada. Santo Antônio é casamenteiro, São José é o padroeiro da boa morte, São Cristóvão é condutor dos motoristas, Santa Edwiges é a santa que socorre os endividados, São Sebastião é o padroeiro do Rio de Janeiro, etc. Mas, como se crê que Maria é Mediadora de todas as graças, mais de dois mil títulos lhe são conferidos: “Bendita entre todas as mulheres desde a era de Cristo, Maria é clamada por fiéis do mundo inteiro sob mais de dois mil nomes”.[63] Alguns desses títulos são, deveras, inusitados. Veja estes três exemplos:
a) Nossa Senhora do Ó. Neste caso, “ó” é um vocativo. “Nas rezas, os versos iniciam-se sempre com vocativos como ‘Ó Sabedoria’ ou ‘Ó Sol Nascente’. Daí, provavelmente, vem o nome ‘do Ó’”;[64]
b) Nossa Senhora do Carmo.“Carmo” é o mesmo que “Carmelo” para os íntimos dessa santa.[65] Seria Nossa Senhora do Carmelo, mas o carinho, a intimidade, e a devoção de seus devotos, tornaram-na conhecida por Nossa Senhora do Carmo: [A devoção a ela começou no século 12, quando] “um grupo de religiosos construiu no Monte Carmelo, na Palestina, uma capela em homenagem a Nossa Senhora”; [66]
c) Nossa Senhora Desatadora de Nós. Aqui “Nós” não é pronome pessoal, e significa plural de nó, que, por sua vez, simboliza o pecado. Esses “nós simbolizariam o pecado original e os pecados cotidianos. [...] Desatá-los seria a função de Maria”.[67]
Questionando o fato de os católicos atribuírem senhorio a Maria, perguntam os protestantes, incisivamente:
Será que o Senhorio exclusivo de Cristo não é alterado, quando o extendemos a uma mulher ou a qualquer outra criatura, por maior que seja a envergadura da mesma? Se o fato de Maria ter sido uma grande mulher fizesse dela Nossa Senhora, não seria razoável concluirmos que Moisés, Enoque, Elias, Elizeu, Paulo, Pedro, João, e outros grandes vultos do povo de Deus, são Nossos Senhores? Se nenhum grande homem pode ser Nosso Senhor, por que uma grande mulher poderia ser Nossa Senhora? Será que chamar Maria de Nossa Senhora não equivale a endeusá-la? Estaremos mesmo faltando com o devido respeito para com Maria, se ao invés de “Nossa Senhora”, a chamarmos de nossa conserva? Se Maria é Nossa Senhora, então podemos e devemos servi-la; mas como conciliarmos isto com Mt 6:24 que diz que não podemos servir a dois senhores? Veja também 1Sm 7:3-4. Se temos mesmo essa Senhora, por que a Bíblia não o diz? Será que Deus se esqueceu de mandar registrar isso? (SANTANA, 2002:27-29, op. cit.).
Crêem os protestantes que é pecado chamar Maria de senhora? Como pronome de tratamento, não. Veja a transcrição abaixo:
Talvez o leitor pense que estamos querendo dizer que é pecado chamar Maria de senhora. Mas é ledo engano. Se Maria ainda estivesse entre nós, certamente confabularíamos mais ou menos assim:
__Bom dia, irmã Maria! Como vai a senhora?
__Eu vou bem, graças ao Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E o senhor?
__Graças a Deus, não tenho de que reclamar. Todavia, não esqueça de mim em suas orações.
__Faça o mesmo por mim, meu irmão, pois também estou muito necessitada das orações dos Santos.
__Dona Maria, tenho que me despedir da senhora agora, porque senão, faltarei a meus compromissos agendados para hoje. Dê um abraço no irmão Zezinho e nos filhos com os quais o Senhor os brindou.
__Obrigada! Beijos para sua esposa e filhos.
__Obrigado! Até a próxima.
Veja o leitor que no fictício diálogo acima, chamamos a Maria de senhora, e ela, por sua vez, nos chamou de senhor. Mas nós o fizemos usando iniciais minúsculas, pois com estes pronomes de tratamento, tão-somente exteriorizamos o respeito recíproco que haveria entre nós, caso fôssemos contemporâneos. Porém, está claro que não é neste sentido que os católicos chamam a Maria de Senhora. Atente para o fato de que embora sejam muitas as mulheres de peso na Bíblia (Sara, Hulda, Débora, Abigail, Ana [mãe de Samuel], Ana [contemporânea do infante Jesus] e outras), só Maria é Nossa Senhora, segundo eles. Ademais, usam iniciais maiúsculas. Isto, dentro do contexto religioso, só seria cabível se ela não fosse uma criatura à parte de Deus, mas sim, integrante da Divindade (Ibidem).
3.3. Imaculada
Como já dissemos, tais quais os católicos, os evangélicos pregam que Deus escolheu Maria para ser a mãe virginal de Jesus; e que isso fez dela uma mulher incomum, tal a singularidade de sua experiência. Daí também confessarmos que ela é bem-aventurada, bendita entre as mulheres e muito agraciada por Deus. Mas param aqui, pois crêem que Maria era uma filha Adão, e, portanto, portadora do “vírus” do pecado, comum a toda a raça humana. Adão e Eva, nossos primeiros pais, por terem desobedecido a Deus, legaram a todos os seus descendentes o que se convencionou chamar de pecado original, isto é, a natureza pecaminosa. Quanto a isso, crêem os evangélicos que Cristo é a única exceção: “Todos pecaram, mesmo a mãe de Jesus (Rm 5. 12-15)” (Bíblia Apologética, 2000:712, op. cit.). Disso os católicos divergem, pois sustentam que há duas exceções: Jesus e Maria. O Vaticano II manteve que Maria foi [...] “como que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura. Dotada desde o primeiro instante de sua conceição dos esplendores de uma santidade inteiramente singular” [...]. E assim “preservada imune de toda mancha da culpa original” [...].[68] Porém, quem está certo? Bem, a fé transcende às fronteiras da razão humana, mas por isso mesmo, certamente não fica aquém do bom senso. E com isso concorda o Padre Bettencourt, que disse: [...] “nem mesmo a mais férvida prática religiosa pode se abstrair de uma base racional”.[69] Apresento, pois, as respectivas bases sobre as quais os católicos e os evangélicos apóiam suas convicções diametralmente opostas acerca do dogma católico da impecabilidade de Maria, para que arrazoando infiramos com conhecimento de causa.
3.3.1. Bases católicas
Os católicos alicerçam-se nas seguintes bases:
A) Infalibilidade papal
Um relevante dogma da Igreja Católica é a suposta infalibilidade papal, segundo a qual o Papa é infalível quando, em matéria de fé e costume, pronuncia ex-cátedra. Neste caso, crê-se ser impossível que Sua Santidade se equivoque, visto que Cristo o dotou de carisma de inerrância. Inerrância esta tão perfeita e confiável quanto o próprio depósito da Revelação divina, isto é, a Bíblia e a Tradição. Isso dá ao católico uma segurança que só vendo. A seguir, algumas amostras da fé católica na infalibilidade papal:
a) Diz o Catecismo da Igreja Católica
Para manter a Igreja na pureza da fé transmitida pelos apóstolos, Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a verdade. Pelo “sentido sobrenatural da fé”, o povo de Deus “se atém indefectivelmente à fé”, sob a guia do Magistério vivo da Igreja. A missão do Magistério está ligada ao caráter definitivo da Aliança instaurada por Deus em Cristo com seu Povo; deve protegê-lo dos desvios e dos desfalecimentos e garantir-lhe a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica [...]. Para executar este serviço, Cristo dotou os pastores de carisma de infalibilidade em matéria de fé e de costumes [...] Goza desta infalibilidade o Pontífice Romano, chefe do colégio dos Bispos [...]. Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina. [70]
b) Diz o padre Luiz Cechinato
[...]. “o papa, quando fala em lugar de Cristo sobre as verdades de nossa salvação, não pode errar, porque ele tem a assistência do Espírito Santo, e porque Jesus assume em seu próprio nome o que o papa decide. Assim disse o Senhor” [...] (CECHINATO, 2001:358, op. cit.).
c) Diz o padre Álvaro Negromonte
Um bom católico nunca põe em dúvida a autoridade da Igreja. Antes, procura ser cuidadoso da obediência que lhe deve. Cuidadoso e ufano. Vale a pena obedecer a quem manda com a mesma autoridade de Cristo e faz leis tão sábias.
Assistidos pelo Espírito Santo, o Papa e os bispos têm uma visão que nos falta nos negócios da Igreja. As suas ordens devem ser obedecidas e não discutidas. Quando nossos pontos de vista não coincidirem, será por deficiência nossa. [71]
d) Disse o Padre Garrido
O Pastor Hugh P. Jeter, em seu excelente livro de refutação às heresias da Igreja Católica, registrou: “O sacerdote não pode raciocinar por si próprio. Um sacerdote espanhol, M. Garrido Aladama, declarou que se um professor diz a um estudante de seminário que o branco é preto, a palavra do professor deve ser tomada como sagrada, e o aluno deve assumir que a sua própria vista o enganou” (JETER, 2000:66).
Antes de passarmos ao próximo subcapítulo, damos ciência de que os protestantes não crêem na alegada infalibilidade papal. Aliás, apoiados em Tiago, cap. 3. v. 2, que nos diz que "todos tropeçamos em muitas coisas", não admitem que exista homem infalível. Conseqüentemente, a inerrância atribuída ao Papa ou a quem quer que seja, não é crença comum a católicos e evangélicos (JETER, 2000:59-60. op. cit.).
B) Os Pais da Igreja
No Compêndio do Vaticano II, consta que nos Santos Padres (refere-se aos líderes dos cristãos dos primeiros séculos do cristianismo) prevaleceu “o costume de chamar a Mãe de Deus toda santa, imune de toda mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura”, bem como “Dotada desde o primeiro instante de sua conceição dos esplendores de uma santidade inteiramente singular” [...]. E assim “preservada imune de toda mancha da culpa original” [...].[72] Mas do fato de o clero católico confessar que essa crença prevaleceu entre os Padres da Igreja, se nos aflora a idéia de que não havia unanimidade entre eles quanto a isso. E se não eram unânimes, pesquisemos para sabermos de que lado está a verdade. Nenhuma unanimidade constitui prova de veracidade, mas onde há divergência há inegável inexatidão, já que não há verdades opostas entre si. E realmente não são poucas as autoridades da Igreja Católica que se opuseram à crença de que Maria não tinha a natureza pecaminosa hereditária. Veja estes exemplos:
a) Santo Agostinho (Bispo de Hipona e Doutor da Igreja): “O corpo de Maria foi formado por geração ordinária. Maria morreu por causa do pecado de Adão, pois que ela era também filha”; [73]
b) Papa Gregório, o Grande (Doutor da Igreja [vale lembrar que todos os Doutores da Igreja são Santos. Logo, o texto a seguir transcrito é de autoria de São Gregório]): “Pode compreender-se nessa passagem [ele se refere a Jó, cap. 14, v. 4] que o santo Jó, chegando com o seu pensamento até a encarnação do Redentor, viu que só Ele no mundo não foi concebido de sangue impuro, nascendo de uma virgem, para não ter uma concepção impura [...] Só esse foi verdadeiramente puro na sua carne”; (JOINER, 2004:246, op. cit.);
c) Santo Anselmo: Ele disse que Maria “não só foi concebida, mas nascida em pecado; como todas as pessoas, ela também pecou em Adão” (Ibidem);
d) Santo Tomás de Aquino: Vimos no capítulo II (2.5) que Santo Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, também acreditava que Maria pecou em Adão; que, portanto, não era perfeita; por cujo motivo careceu de um Salvador; e que o encontrou em Cristo;
e) Papa Inocêncio III: “Eva foi gerada sem pecado, mas gerou em pecado. Maria foi gerada em pecado” (CESAR, 2004:27-28, op. cit.);
f) Papa Leão I: Consta do importante documento intitulado Tomo de Leão, que o Papa Leão I (São Leão Magno, Doutor da Igreja), Bispo de Roma entre os anos 440-461, não cria que Maria tivesse sido isentada do pecado original. Disse ele: “O Senhor tomou da mãe a natureza, não a culpa” (Bíblia Apologética. 2000:1184, op. cit.). Logo, ele “não cria na Imaculada Concepção de Maria, já que ele acertadamente diz que o Filho não herdou a culpa da mãe” (Ibidem).
g) Quando em 1849, o Papa Pio IX publicou uma encíclica e a enviou a seiscentos bispos, pedindo-lhes sua opinião sobre sua intenção de solenizar mais esse dogma, embora tenha obtido apoio da maioria, cinqüenta e dois disseram “que os tempos não eram favoráveis à proclamação do dogma”, e quatro se manifestaram contra (CESAR, 2004:28, op. cit.; e JOINER, 2004:247-248, op. cit.). Ora, só até aqui já temos dez autoridades da própria Igreja Católica que categoricamente disseram não crer na alegada pureza congênita que o catolicismo atribui a Maria. E, não obstante essas opiniões contrárias, o Papa “Pio IX [...], no dia 8 de dezembro de 1854, [definiu] o dogma da imaculada concepção” (JOINER, 2004:248, op. cit.).
C) Nas “palavras” de Maria
Segundo o Padre Dom Francisco Prada, a certeza de que Maria era de fato imaculada, se funda pelo menos em duas consistentes bases: a infalível pronunciação papal e a ratificação da própria mãe de Jesus. Realmente consta da História e dos anais da Igreja Católica que em 1854 o papa Pio IX elevou à categoria de dogma a antiga crença na imaculada conceição de Maria; e que, após isso, a própria mãe de Jesus, numa de suas supostas aparições, teria dito, na França, à vidente Bernardete Soubirous que assim é. Veja a cópia a seguir:
[...] o pecado [...] submergiu toda a humanidade. Só a Virgem Santíssima [...] conservou-se à tona dessas águas imundas do pecado original. Foi o que decretou Pio IX, em 8 de dezembro de 1854.
[...]
A palavra infalível de Pio IX viu-se corroborada pelo testemunho da própria Mãe celeste que [...] assim falou à sua fiel confidente Bernardete: "Eu sou a Imaculada Conceiçã".[74]
Mas os protestantes, inspirados no fato de que a Bíblia proíbe consultar os mortos (Deuteronômio, cap. 18. v. 11), rechaça como falso, as supostas aparições de Maria.
Obviamente, o leitor notou que das dez autoridades católicas supracitadas, que rechaçavam como falso a suposta imaculada conceição de Maria, nem todos foram dos primórdios do cristianismo. Logo, não citei apenas os chamados Pais da Igreja.
3.4. Co-redentora
Maria, segundo o catolicismo, é co-autora da nossa salvação. Ela é coadjuvante de Cristo na redenção dos pecadores. Foi para tanto que ela teve que:
3.4.1. Morrer para nos salvar
Se somarmos a doutrina bíblica de que a morte é conseqüência do pecado (Romanos, cap. 5. v. 12; 6. v. 23), à pronunciação da Revista das Religiões, segundo a qual a Igreja Católica não diz que Maria não tenha morrido,,[75] é de se esperar que haja uma exposição católica, justificando tal falecimento. E de fato o há. Diferentemente dos evangélicos, segundo os quais, só Cristo morreu por nós, a Enciclopédia Católica afirma categoricamente que Maria morreu para nos salvar:
Maria não estava sujeita à lei do sofrimento e da morte, que são penas que se têm de pagar pelo pecado que está na natureza humana. Embora ela soubesse essas coisas, as experimentou e as suportou por nossa salvação (JETER, 2000:77, op. cit. citando a The Catholic Enciclopedia [Enciclopédia Católica], p. 285).
John Ankerberg e John Weldon, também registraram às paginas 41 e 69 de Os fatos Sobre o Catolicismo Romano, op. cit., que de fato esse ensino consta da página 285 da Enciclopédia Católica. E o fizeram em tom refutatório. E nisso foram ombreados pelo Pastor Jeter, que disse:: “Não há nenhuma base escriturística para tal doutrina” (JETER, 2000:77, op. cit.).
3.4.2. Ressuscitar dentre os mortos
Como os protestantes só se firmam na Bíblia, e esta silencia sobre a ressurreição de Maria e sua assunção ao céu, essa crença não consta de seus catecismos e manuais teológicos. A literatura católica, porém, garante que ela já ressuscitou: a) Disse São Bernardo: “Ao terceiro dia após a morte de Maria, quando os apóstolos se reuniram ao redor de sua tumba, eles a encontraram vazia. O corpo sagrado tinha sido levado para o paraíso celestial” [...] (WOODROW, 1966:26-27, op. cit., grifo nosso); b) disse Santo Afonso Maria de Ligório:
[...] Jesus preservou o corpo de Maria da corrupção depois da morte. Pois ser-lhe-ia desonroso corromperem-se as carnes virginais de que ele se havia revestido. Para o Senhor seria um opróbrio, portanto, nascer de uma mãe, cujo corpo fosse entregue à podridão (LIGÓRIO, 2005:242, op. cit.).
3.4.3. Ser assunta ao Céu
Um dos dogmas da Igreja Católica (do qual também divergem os evangélicos, por não estar na Bíblia) intitula-se Assunção de Maria. Essa antiqüíssima crença (que consta de um texto pseudo-epigráfico intitulado Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria, elaborado no século IV) foi defendida por Santo Agostinho (354 – 430), acatada com louvor por Santo Tomás de Aquino (1225 – 1274 d.C.), solenizada pelo Papa Pio XII, em 1º de novembro de 1950. Trata-se da crença de que Maria, ao despertar-se de sua dormitação (ressuscitar?), foi elevada ao Céu em corpo e alma. [76] Esse ensino consta também do Catecismo da Igreja Católica op. cit.: “[...] preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste [...].”[77] Mas, rebatendo essa invencionice, bradam os evangélicos:
De onde vem mais esse ensino antibíblico? [...] da literatura apócrifa [...]. Algum texto bíblico é invocado para corroborar essa crença católica? Não, apenas Tomás de Aquino, que cita Agostinho, que por falta de evidência bíblia usou de silogismos, e não a Bíblia: ‘Agostinho prova com razões que a Virgem foi assunta ao céu em corpo, o que, contudo, não o diz a Escritura’ (Suma Teológica, volume 8, pág. 3729)”.[78]
Certamente, por causa desse dogma [ele se refere ao dogma da Imaculada Conceição de Maria], a Igreja viu-se obrigada a criar um outro dogma quase cem anos depois, ou seja: O DA ASSUNÇÃO DE MARIA EM CORPO AO CÉU. A Bíblia declara que o salário do pecado é a morte, e por causa do pecado o homem morrerá e seu corpo se desfará na terra voltando ao pó donde era (veja Romanos 6:23 e Eclesiastes 12:7). A questão levantada, então, era: Poderia o corpo de Maria corromper-se na sepultura após sua morte? Se de fato ela era imaculada (sem pecado), poderia ela sofrer a penalidade do pecado? Por causa disso em 1º de novembro de 1950 a Igreja criou o dogma de que Maria foi assunta ao Céu em corpo, ou seja, seu corpo não foi consumido na sepultura. E a Igreja ainda diz que tais dogmas são revelações de Deus que devem ser cridas por todos os fiéis, e que, se não o fizerem, naufragarão na fé e se condenarão a si mesmos! [...] Mas ... na verdade nada disso aconteceu, pois não há evidência histórica nem teológica de tais fatos.[79]
3.5. Bem-aventurada
Disse Maria: [...] “todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas, cap. 1. v. 48). Os clérigos católicos crêem que estas palavras justificam o culto a Maria: [...] “desde o Sínodo de Éfeso, o culto do povo de Deus a Maria cresceu maravilhosamente [...] de acordo com suas próprias proféticas palavras: ‘Chamar-me-ão bem-aventurada todas as gerações’” [...].[80] Mas, como a Bíblia chama todos os servos de Deus de bem-aventurados (Salmos 1, v. 1; 128, v. 1; Mateus, cap. 5, vv. 3-11; Apocalipse, cap. 22, v. 14, etc.), concluem os protestantes que estas palavras de Maria estão sendo mal interpretadas pelo clero católico. Doutro modo, dizem eles, todos seríamos igualmente dignos de culto, tendo que cultuarmos uns aos outros.
3.6. Bendita entre as mulheres
Disse Isabel a Maria: [...] “Bendita és tu entre as mulheres” [...] (Lucas, cap. 1. v. 42). Muitos dos católicos com os quais confabulamos, serviram-se deste versículo no intuito de com o mesmo justificarem o culto a Maria. Entretanto, os protestantes se valem de um argumento similar ao adotado no subcapítulo anterior (4.5), alegando que, segundo a Bíblia, Jael também era bendita entre as mulheres (Juízes, cap. 5. v. 24, trad. de Matos Soares). Aliás, todos os servos de Deus são benditos (Mateus, cap. 25. v. 34; Deuteronômio, cap. 28. vv. 3-6). Concluem, pois, os protestantes que ser bem-aventurada não é o mesmo que ser digna de culto. De outro modo, até o autor destas linhas seria digno de culto (tanto direto, como indiretamente), já que, como servo de Deus que é, considera-se um bendito entre os homens.
3.7. Rainha do Universo
Já exaramos que o livro Glórias de Maria chama a mãe de Jesus de Rainha. Voltamos, contudo, ao assunto para tecermos sobre o mesmo algumas considerações até então omitidas. Essa doutrina consta também do Catecismo da Igreja Católica: [...] “‘foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo’”.[81]
ARMANI registrou no seu já citado livro que, segundo a fé católica, Maria é Rainha dos Confessores, Rainha dos Profetas, Rainha dos Patriarcas, e Rainha dos Apóstolos (ARMANI, 2000:35). Aos protestantes, porém, parece estranho o fato de a Bíblia silenciar sobre essa suposta entronização de Maria. Essa alegada coroação de Maria como Rainha do Universo, Rainha dos profetas, etc., é, na ótica evangélica, algo relevante demais para não ser registrado nas Escrituras. Argumentam ainda que, segundo o Apocalipse, o apóstolo João foi arrebatado em espírito ao céu, onde viu coisas maravilhosas, exceto a Rainha em seu trono de glória:
O livro de Apocalipse refere-se aos salvos na glória e ao ‘Cordeiro que foi morto’, no meio do trono [...], ao louvor das hostes [...], aos doze fundamentos da cidade com os nomes dos doze apóstolos [...], mas não faz sequer uma referência a Maria. (SENA NETO:2004:56, op. cit., citando a revista Vinde, Niterói, 2, 23 out., 1997, p. 58-59. Grifo no original).
Também o ex-Padre Aníbal, em seu livro A Virgem Maria, faz veemente protesto a essa suposta coroação e entronização de Maria como Rainha.[82]
3.8. Mãe dos fiéis
O Vaticano II mantém que Maria é a Mãe dos fiéis.[83] Em defesa da crença nessa maternidade mariana, geralmente os católicos citam João, cap. 19, vv. 25-27, onde Jesus diz que o apóstolo João era filho de Maria. Mas os protestantes crêem que essa maternidade, muito longe de ser espiritualizada, significa apenas que Jesus confiou sua mãe aos cuidados do discípulo João. Apóiam essa opinião no fato de que “desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (João, cap. 19, v. 27). Eis a prova: [...] “MULHER, EIS AÍ O TEU FILHO. Até mesmo na agonia da sua morte, Jesus é solícito pelo bem estar da sua mãe. Indica “o discípulo a quem ele amava (certamente João) para cuidar dela”.[84] A Bíblia de versão católica op. cit., traduzida em português pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo, traz, como nota de rodapé, um texto que dá ao versículo em questão o mesmo parecer emitido pelos protestantes: [...] “pediu-lhe Jesus que tomasse a seus cuidados a Maria” (p. 782). Ora, se já há até uma Bíblia católica “anotada [...] por eminentes especialistas” (p. 1), aquiescendo à postura evangélica de não espiritualizar o texto em questão, conferindo a Maria uma suposta maternidade que o contexto não corrobora, certamente já passou da hora de parar com esse negócio de “provar dentro da Bíblia” que Maria é nossa Mãe;
3.9. A maior das criaturas
Discorrendo sobre Maria, asseverou o Vaticano II que ela foi [...] “exaltada [...] acima de todos os homens e anjos” [...].[85] Mas os apologistas norte-americanos já citados, Ankerberg e Weldon, refutam a essa alegada exaltação que, segundo o catolicismo, Deus teria conferido a Maria:
Lucas relata um incidente interessante na vida de Jesus. Com efeito, a História nos diz que, à parte de seu papel como portadora e mãe do Messias, Maria não foi uma pessoa singular nem especialmente abençoada. Na verdade, nas palavras de Jesus, observamos que, “pelo contrário”, aqueles que obedecem a Deus são mais bem-aventurados do que se tivessem dado à luz a Jesus. É quase como se Deus estivesse se dirigindo ao dogma católico: “...Uma mulher, que estava entre a multidão, exclamou e disse-lhe: Bem-aventurada aquela que te concebeu e os seios que te amamentaram! Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam! (Lucas 11. 27-28). Com freqüência, Jesus se referia a si mesmo como o ‘Filho do homem’, mas nunca, como dizem os católicos, como o ‘Filho de Maria’ ” (ANKERBERG e WELDON, 1997:66-72).
3.10. Cheia de graça
Diz mais o Vaticano II: [...] “A Virgem de Nazaré é por ordem de Deus saudada pelo Anjo anunciador como ‘cheia de graça’ (cf. Lc 1, 28)”.[86] E a maior parte das Bíblias católicas, também verte este versículo (Lucas, cap. 1. v.28) assim. Mas nem todos os clérigos da Igreja Romana concordam que o anjo tenha chamado Maria de “cheia de graça”. Por exemplo, tenho em meu poder um Novo Testamento de edição católica, publicado em 1969 sob o imprimatur do então Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Presidente da Comissão Central da CNBB, Angelo Cardeal Rossi, no qual Lucas, cap. 1, v. 28 está traduzido assim: [...] “‘Alegra-te, muito favorecida’” [...].[87] Aqui temos, portanto, clérigo contra clérigo. E de que lado estará a razão? A maioria dos meus leitores, certamente não poderá se posicionar eruditamente, por desconhecerem as línguas originais em que a Bíblia foi escrita. Contudo, considero importante informar, que embora eu conheça o Grego bíblico mui superficialmente, posso garantir que o Vaticano II está forçando o texto em questão, a dizer o que não diz. E, para não ficar só nas minhas palavras, informo que comigo estão renomados peritos bíblicos. Mas, para não cansar o leitor com uma pilha de citações, convido-lhe a vir comigo, a apreciar somente o parecer do Pastor Esequias Soares da Silva, profundo conhecedor do Hebraico e do Grego. Ouçamo-lo:
A [...] expressão “cheia de graça” procede de um verbo grego que significa “outorgar ou mostrar graça”. Sua tradução correta é “agraciada, favorecida”, e não “cheia de graça”, como aparece nas versões católicas da Bíblia. A tradução “cheia de graça” não resiste à exegese séria da Bíblia sendo contrária ao contexto bíblico e teológico. Mais uma vez, revela-se a tentativa de divinizar Maria (SILVA, 2006:43, op. cit.).
3.11. Perpetuamente virgem
É sabido que uma das crenças católicas é que Maria, embora casada com José, nunca se relacionou sexualmente; antes, manteve-se virgem durante todo o curso de sua estada neste mundo. Quanto aos irmãos de Jesus, mencionados em Mateus, cap. 12. vv. 46-50; 13, vv. 55-56; Marcos, cap. 6, v. 3; João, cap. 2, v. 12; 7, vv. 3-5, etc., os teólogos católicos crêem, diferentemente dos protestantes, que são primos do Senhor, e não filhos de Maria: “No hebraico e aramaico não há palavra própria para designar os primos, que são simplesmente chamados ‘irmãos’”.[88] Maria teria tido, pois, um só filho: Jesus (Bíblia Apologética, op. cit., p. 1064). Ademais, registramos no capítulo I (1.6.2) que, segundo a Teologia católica, Maria permaneceu “virgem no parto” [...], isto é, seu hímen não se rompeu quando ela deu à luz Jesus: [...] “seu Filho primogênito [...] não lhe violou, mas sagrou a integridade virginal” (Compêndio do Vaticano II, op. cit., p. 106). Essa mesma crença é esposada pelo Padre Prada: "Estando a Virgem no estábulo de Belém, saiu dela como um raio de sol, sem manchar ou romper o cristal de sua pureza, o Filho divino que ela carregara em seu seio" (PRADA, Francisco. Novenário. São Paulo: A M Edições. 3 ed. 1996, p. 66).
Essa crença tornou-se conhecida pelo nome de “nascimento virginal”. Mas os Pastores protestantes Claudionor Corrêa de Andrade e Esequias Soares da Silva, refutando essas doutrinas (“virgindade perpétua de Maria” e “nascimento virginal de Jesus”), contra-argumentam de maneira irrefutável:
a) Pastor ANDRADE:
[...] “não houve o que se convencionou chamar de nascimento virginal; o que realmente se deu foi o mistério da concepção virginal [...].
Maria, como todas as demais mulheres, sentiu as dores de parto ao dar à luz a Cristo; e, Jesus, à nossa semelhança, deixou o ventre materno, natural e não sobrenaturalmente, ao nascer em Belém de Judá. [89]
Pastor SILVA:
A Bíblia declara com todas as letras que José não a conheceu até o nascimento de Jesus (Mt 1.25). Os irmãos e irmãs de Jesus são mencionados nos evangelhos, alguns são chamados por seus nomes: Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13. 55; Mc 6.3). Veja ainda Mt 12. 47 e Jo 7. 3-5. Afirmar que “irmãos”, aqui, significa “primos” é uma exegese ruim e contraria todo o pensamento bíblico (SILVA, 2006:44, op. cit. Os itálicos são nossos).
De acordo com o catecismo católico Verdade e Vida, retro-citado , “Jesus é o único filho de Maria mostrado ainda pela designação enfática (com o artigo), ‘O filho de Maria’ (Mc 6, 3)” (Verdade e Vida, 1986:30, op. cit., grifo no original). Quer-se dizer com isso que o fato de Jesus ser chamado de o filho, e não de um filho ou um dos filhos, prova que Ele é filho único. Porém, os protestantes contra-argumentam mais ou menos assim:
Em Gálatas, cap. 1, v.19, Tiago é chamado, no original, de “o irmão do Senhor”. Como neste caso também há o artigo no original, raciocinemos: Se o artigo definido, precedendo o substantivo “filho”, constante de Marcos, cap. 6, v. 3, servisse para provar que Jesus era filho único de Maria, certamente provaria também que Tiago era seu único irmão. Ora, filho único não tem irmão. E, considerando que o clero católico prega que os irmãos de Jesus mencionados em Mateus, cap. 13, v. 55 são seus primos, teríamos que concluir que a Bíblia é contraditória. Sim, pois poderíamos dizer que ela diz em Mateus, cap. 13, v. 55 que Jesus tinha quatro primos (e Tiago seria um dos tais), e, contraditoriamente, que Tiago era seu único primo. Afinal, Tiago era o único irmão de Jesus, ou seu único primo? Se os clérigos católicos disserem que era seu único primo, ver-se-ão em apuros com Mateus, cap. 13, v. 55, visto dizerem que “os irmãos” aqui aludidos são primos. E se disserem que era seu único irmão, lá se vai a suposta virgindade de Maria, pois que então Jesus teria um irmão (SANTANA, 2002:43, op. cit., com adaptação).
Há sólida base teológica para se crer na eterna virgindade de Maria? Esta pergunta recebe uma resposta negativa por parte dos teólogos protestantes; já os teólogos católicos a respondem positivamente, pois dispõem, conforme crêem, de duas fontes inteiramente confiáveis: os santos Padres e a infalível Igreja: “São Mateus afirma a Virgindade de Maria antes do parto. Que ela o tenha sido no parto e depois do parto, no-lo afirmam os Santos Padres e, infalivelmente, a Igreja”.[90] Sim, essa doutrina é confirmada pelos Santos Padres; infalíveis papas; e inúmeros bispos em comunhão com o Papa (o que os torna tão infalíveis quanto o Papa). E, como se tudo isso não bastasse, dois Doutores da Igreja, a saber, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, ensinaram essa que, segundo pregam os chefes dos católicos, é uma verdade de fé católica, e até citam a Bíblia, intuindo provar que não são hereges. Sim, o Doutor Angélico ratificou o que escrevera o Bispo de Hipona, numa explanação de Ezequiel, cap. 44, v. 2, o seguinte:
Que significa a porta fechada na Casa do Senhor, senão que Maria sempre será intacta? E que significa a expressão “nenhum homem passará por ela”, senão que José não a conhecerá? E “só o Senhor entrará e sairá por ela”, senão que o Espírito Santo a fecundará e dela nascerá o Senhor dos anjos? E que significa “estará eternamente fechada”, senão que Maria será virgem antes, durante e depois do parto? (Suma Teológica, pág. 3746) (GONÇALVES. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. p. 20-25, op. cit.).
Como vimos, enquanto apreciávamos o parecer do Pastor Silva, um dos argumentos protestantes contra a teoria da perpétua virgindade de Maria defendida pelos católicos, é o fato de a Bíblia dizer que José “não a conheceu até que ela deu à luz seu filho, o primogênito” (Mateus, cap. 1. v. 25). Crêem os evangélicos que a preposição “até”, constante do texto em lide, à luz do contexto remoto prova [...] “que depois do nascimento de Jesus, José e Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal” (Bíblia Apologética, 2000:1043, op. cit.). E acrescentam que [...] “nenhum autor do Novo Testamento ensina a doutrina da virgindade perpétua de Maria” (Ibidem. Grifo no original). Mas os clérigos católicos retrucam dizendo que a preposição em questão [...] “tem peculiaridade semítica em sua linguagem, designando apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem aludir-se ao que haveria de acontecer no futuro” (Bíblia Apologética, 2000:1043, op. cit..). Com isso querem dizer que o versículo ora considerado, garante apenas que José e Maria não praticaram o coito antes do nascimento de Jesus. Quanto a se após o parto, Maria manteve ou não um relacionamento conjugal normal, com seu marido, a Bíblia silencia, dizem eles.
Os evangélicos crêem que as passagens bíblicas que chamam a Jesus de filho primogênito de Maria (Mateus, cap. 1, v. 25; Lucas, cap. 2, v. 7; 23), à luz do contexto remoto também testificam contra a teoria da virgindade perpétua de Maria, defendida pelos clérigos católicos. Mas estes rebatem dizendo que “o termo primogênito não significa que a mãe de Jesus tenha tido outros filhos após Ele” (Ibidem, p. 1135. Grifo no original).
Como refutar tudo isso? Assim: Segundo a Bíblia, o marido e a mulher têm o dever recíproco de pagarem a devida benevolência (1 Coríntios, cap. 7, vv. 3-5), isto é, a obrigação de se entregarem mutuamente à prática do coito. Teriam José e Maria transgredido este mandamento de Deus? Em caso de uma resposta positiva por parte dos católicos, lhes formulamos as seguintes perguntas: Afinal, José e Maria eram santos, ou obstinados pecadores? Maria foi um exemplo a ser seguido por todas as mulheres casadas, ou uma relapsa? Ah!, eles fizeram voto de se doarem exclusivamente a Deus? Sendo assim, por que se casaram? De acordo com a Bíblia, os que querem se manter virgem para sempre, não devem se casar (1 Coríntios, cap. 7 vv. 1, 8-9, 26-28, 38). Aliás, nada mais óbvio. Logo, José e Maria certamente sabiam disso. Por que os padres e as freiras não se inspiram no exemplo de José e Maria, e se casem? Não fizeram ambos, tais quais José e Maria (segundo crêem), o voto de castidade? Ah! Eles doaram suas virgindades a Deus porque queriam dispor de mais tempo para servirem ao Senhor? Se sim, deveriam permanecer solteiros, visto que, casando-se, teriam que um cuidar do outro e, deste modo, que tempo a mais dispunham? Ah! Casando-se com José ela teria alguém que, passando-se por marido sem sê-lo da fato (mas apenas de direito), cuidaria do menino Jesus? Lembrem-se, porém, que ela foi desposada por José quando nenhum dos dois sabia ainda que Maria havia sido eleita pelo SENHOR para ser a mãe do Messias (Mt 1. 18-25; Lc 1. 26-38). Os evangélicos não cremos na perpétua virgindade de Maria, mas parece-me que se nisso crêssemos, Deus não nos condenaria por um equívoco tão banal. Sim, porque se José e Maria tinham ou não relações sexuais, que nos importa? Que tenho eu a ver com isso? Porventura, crer que Maria era um ser humano normal, e que portanto, mantinha relações sexuais com seu marido, tinha orgasmo e dava à luz filhos, lhe tira o mérito? Há, porventura, qualquer impureza no ato sexual dentro da moldura do casamento? Se sim, por que então, Deus, ao criar a humanidade, macho e fêmea nos fez? E se não, por que então o clero católico faz tanta tempestade em copo d’água? Com estes argumentos aquiescem todos os evangélicos, segundo me consta. Porém, os católicos, por acreditarem que o Papa é infalível, preferem seguir sua Santidade. E este é um direito que não lhes pode ser negado.
Se José e Maria tinham ou não relações sexuais, esta não é uma questão de vida ou morte, ou seja, de salvação ou perdição. Este tema não é, sequer, digno de um debate teológico (cf.: Romanos, cap. 14).
3.12. Estrela da Manhã e muito mais
Uma revista oficial da Renovação Católica Carismática, publicou um artigo de autoria de Murilo S. R. Krieger, arcebispo de Maringá/PR, que outorga a Maria os títulos de Estrela da Manhã (a Bíblia confere este título a Jesus [Apocalipse, cap. 22, v. 16]), Mãe dos viventes, Porta do céu, Glória de Jerusalém e Tabernáculo da Aliança.[91]
No entanto, estamos cientes que os protestantes só a reconhecem como mãe de Jesus. Em referência aos títulos que o catolicismo tributa a Maria, o teólogo ARMANI comenta: “A Bíblia não oferece qualquer sustentação teológica” [a essa] “exaltação e adoração de Maria que a Igreja Católica ensina ao povo” (ARMANI, 2000:35).
NOTAS REFERENTES AO CAPÍTULO III
58 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., p. 274.
59 MENEZES, Aldo dos Santos. Por que abandonei as testemunhas de Jeová. São
Paulo: Vida, 2001, p. 347 (nota de rodapé).
60 LOPES, Hernandes Dias. O papado e o Dogma de Maria. São Paulo: Hagnos.
2005, p. 97.
61 SILVA, Esequias Soares da. Lições Bíblicas. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das
Assembléias de Deus (CPAD), Abr/jun. 2006, pp. 39-46.
62 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., pp. 103-104.
63 SANTOS, Flávia, et al. “Formas de cultuar”. Revista das religiões. São Paulo: Abril,
mai. 2005, pp. 34-82.
64 Ibidem.
65 Ibidem.
66 Ibidem.
67 Ibidem.
68 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 105, 107.
69 BETENCOURT, Estêvão Tavares. Crenças, religiões, igrejas e seitas: quem são?
São Paulo: O Mensageiro de Santo Antônio, julho de 2003, p. 158.
70 Catecismo da igreja católica. Op. cit., p. 255.
71 NEGROMONTE, Álvaro. O Caminho da Vida. 15 ed. Rio de Janeiro: José Olympio,
1957, p. 240, grifo nosso.
72 Compêndio do vaticano ii. Op. cit., p. 105, 107.
73 CESAR, Erlie Lenz. A Virgem Maria no Contexto das Sagradas Escrituras. 2 ed. Rio
de Janeiro: Patmos, 2004, p. 28.
74 (PRADA, Francisco. Novenário, 3 ed. São Paulo: AM edições, 1996, p. 67. Grifo
nosso).
75 ZIGLIO, Anapaula. “Verdades de fé”. Revista das Religiões. São Paulo: Abril, mai.
2005, pp. 28-29.
76 GONÇALVES, José. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. Resposta Fiel. Rio de
Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 17, set/out/nov.
2005, pp. 20-25.
77 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., p. 273.
78 GONÇALVES, José. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. Resposta Fiel. Rio de
Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 17, set/out/nov.
2005, pp. 20-25.
79 CENTRO DE PESQUISAS RELIGIOSAS. “O dogma da imaculada conceição de
Maria”. Teresópolis: 1996, p. 2-3 (Parênteses nossos).
80 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 111.
81 Catecismo da Igreja Católica. Op. cit., p. 273.
82 REIS, Aníbal Pereira. A virgem Maria. São Paulo: Caminho de Damasco, 1999, pp.
54-58.
83 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 104.
84 Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias da
Deus (CPAD), sexta impressão, 1998, pp. 1610-1611.
85 Compêndio do Vaticano II. Op. cit., p. 111.
86 Ibidem, p. 105.
87 ROSSI, Ângelo Cardeal. “Novo Testamento”. São Paulo: Herder, 1970, p. 77.
88 ARQUIDIOCESE MILITAR DE BRASÍLIA. Verdade e vida. 4 ed. Brasília: 1986, p.
30.
89 ANDRADE, Claudionor Corrêa de. “Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro
Deus”. Lições bíblicas. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus
(CPAD), set/out/nov/dez, 2006, pp. 17-24.
90 TINTORI, Euzébio. Novo testamento comentado pelo Padre Euzébio Tintori. São
Paulo: Pia Sociedade de São Paulo. 1950, p. 10.
91 KRIEGER, Murilo S. R. “Maria: seu nome, seus títulos”. Brasil Cristão. Campinas:
Associação do Senhor Jesus, 34, mai. 2000, p. 7.
CAPÍTULO IV
OUTRAS POLÊMICAS SOBRE MARIA
4.1. Ela dormitou
Já informei nas páginas precedentes, que na The Catolic Enciclopedia, não só consta que Maria realmente morreu, como também relata o porquê dessa morte (para a nossa salvação), bem como a subseqüente ressurreição que, por sua vez, seguiu-se de sua assunção ao céu. Contudo, este autor estaria sendo inexato ou sonegando informação, se omitisse o que registrou o Pastor Erlie Lenz César. Segundo ele, é crença católica que:
Maria [...] tendo sido [...] isenta do pecado original não poderia morrer como qualquer ser humano comum. Assim Deus [...] concedeu-lhe o privilégio da dormição, ou seja, ela não faleceu mas dormiu para entrar na eternidade e depois de três dias deste sono bem aventurado ascendeu aos céus (CESAR, 2004:72, op. cit, grifo no original).
O texto acima diz, que enquanto o corpo de Maria dormitava, sua alma se encontrava no céu. Depois, quando sua alma foi reunida ao seu corpo, ela despertou da dormição, e foi elevada ao céu. Por isso,
os católicos romanos celebram três festas em honra a Maria: a primeira é a subida de sua alma, sem corpo, ao céu; a segunda é quando, pouco tempo depois, o corpo e a alma se juntaram (ressurreição?) para a subida ao céu; e a terceira é a sua coroação como Rainha dos Anjos e Senhora do Universo (SENA NETO, 2004:67, op. cit.).
4.2. O transporte angelical da casa de Maria
Num contexto em que a depreciação é patente, disse o Pastor Ralph Woodrow, o seguinte:
Os católicos acreditam que a casa na qual Maria viveu em Nazaré está agora na cidadezinha de Loreto, na Itália, tendo sido transportada para lá pelos anjos!
A The Catholic Enciclopedia diz: “Desde o século quinze, e possivelmente até antes disto, a ‘Santa Casa’ de Loreto tem sido enumerada entre os mais famosos santuários da Itália... O interior mede somente 9,40m por 3,90m. Um altar fica numa extremidade abaixo de uma estátua enegrecida pelo tempo, da Virgem Mãe e seu Divino Infante... digna de veneração em todo o mundo, por causa dos divinos mistérios realizados nela... Foi aqui que a santíssima Maria, Mãe de Deus, nasceu; foi aqui que ela foi saudada pelo Anjo; foi aqui que o Verbo eterno foi feito carne. Os anjos transportaram esta Casa da Palestina para a cidadezinha de Tersato na Ilíria no ano da salvação de 1291 no pontificado de Nicolau IV. Três anos depois, no princípio do pontificado de Bonifácio VIII, ela foi levada novamente pelo ministério dos anjos e foi colocada em um bosque... onde tendo mudado sua estação três vezes no decorrer de um ano, completamente, pela vontade de Deus ela tomou sua posição permanente neste local... Que as tradições proclamadas assim, de maneira rude, para o mundo tem sido plenamente sancionadas pela Santa Sé, nem por um momento pode permanecer em dúvida. Mais de quarenta e sete papas tem de várias maneiras prestado homenagens ao santuário, e um imenso número de Bulas e Breves proclamam sem qualquer dúvida a identidade da Santa Casa de Loreto com a da Santa Casa de Nazaré” (WOODROW, 1966:64-65, op. cit., citando a The catholic enciclopedia, v. XIII, p. 454, grifo no original).
Sem comentário.
4.3. Maria versus serpente
Segundo a Bíblia, Deus vaticinou que a cabeça da serpente estava fadada a ser ferida pela semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis, cap. 3, v. 15). Católicos e protestantes crêem que este texto é messiânico, isto é, um vaticínio da vinda de Cristo ocorrida há dois mil anos: “Os cristãos vêem nesta menção à descendência da mulher uma velada referência ao Messias na sua luta contra Satanás e na sua vitória final sobre as forças do mal”.[92] E há unanimidade (segundo me consta) entre os evangélicos, que, de acordo com esta passagem bíblica, é a semente (neste caso, semente é o mesmo que descendente, posteridade, filho) da mulher quem feriu a cabeça da serpente, isto é, frustrou os planos de Satanás, derrotou o diabo, salvando os que crêem. Mas os católicos já não são tão coesos sobre isso: “Há pensadores católicos que dizem que esta passagem refere-se a Maria, sua Imaculada Conceição e sua atuação na obra da redenção” (Bíblia Apologética. 2000:13. Op. cit.). Realmente, diz certo periódico católico: [...] “Maria, por fim, esmagará a cabeça da serpente”.[93] E essa corrente teológica existente entre os católicos, de que Maria é quem fere a cabeça da serpente, é oficial? Bem, o Vaticano II, referindo-se a Maria, disse que ela [...] “é profeticamente esboçada na promessa dada aos primeiros pais caídos no pecado, quando se fala da vitória sobre a serpente (cf. Gn 3, 15)” (Compêndio do Vaticano II, op. cit., p. 105). Mas este texto, que me pareceu dúbio mesmo à luz do contexto, pode estar apenas querendo dizer que foi previsto no Éden que de Maria nasceria o futuro vencedor da serpente: Jesus. De fato, tenho uma Bíblia de versão católica que traduz o versículo em questão, de modo a não deixar dúvida em qualquer leitor, que o vencedor da serpente é Jesus: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” [94] Há sob esta passagem bíblica, uma nota de rodapé, fazendo a seguinte observação: “Esta: trata-se da posteridade da mulher [...] Jesus Cristo [...].” (O grifo não é nosso). Isto significa que, apesar de haver entre os católicos quem pense e diga que esmagar a cabeça da serpente, é da competência de Maria, há, entretanto, renomados clérigos da Igreja Romana, esposando um parecer teológico tal qual o nosso. Logo, os católicos que de nós divergem, precisam refletir sobre isso.
4.4. As aparições de Maria
Sobre as supostas aparições de Maira, veja as considerações abaixo:
A devoção a Maria acentuou-se consideravelmente a partir de suas aparições em vários pontos do mundo que logo se transformaram em santuários e lugares de peregrinação (CESAR, 2004:69, op. cit.). Entre as muitas aparições de Maria, reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica, algumas são mais famosas, como, por exemplo, a de Lourdes, na França, em 1858; e a de Fátima, em Portugal, em 1917 (Ibidem).
Os evangélicos, por acreditarem que Maria faleceu no século I, inferem que contatá-la transgride Deuteronômio, cap. 18, v. 11, que proíbe a consulta aos mortos. O repúdio evangélico pelas alegadas aparições de Mara, é notório e indisfarçável. O supracitado ex-Padre Aníbal até escreveu um livro para tratar especificamente das “aparições” de Maria em Fátima/Portugal. Seu título é: Outro Conto do Vigário: a Senhora de Fátima, publicado pela editora Caminho de Damasco. Este título, por si só demonstra o desdém do autor por essa crença.
4.5. Maria – vestida do sol e coroada
Apocalipse, cap. 12, vv. 1-17 nos fala de uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Alguns católicos interpretam que essa mulher é Maria. Referindo-se a essa crença, disse o Pastor COSTA: “A interpretação não é das mais felizes” (COSTA, 2004:143, op. cit.). A seguir, Costa registra que a Bíblia de Jerusalém (de versão católica), embora diga que “É possível que João pense também em Maria” (Ibidem, p. 144), afirma com segurança: “Ela representa o povo santo dos tempos messiânicos (Is 54; 60; 66. 7; Mq 4. 9-10), e, portanto, a Igreja em luta” (Ibidem, p. 144). Ademais, COSTA nos fala dos comentários de uma Bíblia católica, Edição Ecumênica, traduzida pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo, editada pela BARSA em 1964, com notas explicativas de autoria do Monsenhor José Alberto L. de Castro Pinto, então Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, e, portanto, aprovada pela Igreja Católica, que comenta Apocalipse, cap. 12, v. 1, assim: [...] “Não é símbolo da SS. Virgem, mas sim, do povo de Deus, primeiro, Israel, que deu ao mundo Jesus Cristo segundo a carne e depois o ‘Israel de Deus’, isto é, a Igreja’ [...]. Por acomodação a Igreja aplica este versículo à SS. Virgem” (Ibidem, p. 146).
4.6. Odiada pelos evangélicos?!
Os muitos e acirrados debates entre católicos e protestantes sobre a mãe de Jesus Cristo, têm gerado muitos preconceitos e não pouca animosidade de ambos os lados.
Registramos na INTRODUÇÃO a este trabalho, que há clérigos da Igreja Católica insinuando que os evangélicos odeiam a Maria. E, mais inusitado ainda, há evangélicos se auto-acusando quanto a isso. Vejamos as demonstrações destes fatos:
4.6.1. Parecer católico
Sabe-se que os evangélicos temos para com Maria inestimável apreço. Mas o fato de não lhe tributarmos hiperdulia, leva inúmeros católicos a inferir que odiamos a mãe de Jesus. Embora esse não seja o parecer da maioria dos católicos, essa não tem sido a atitude apenas de leigos, mas também de clérigos. Há clérigos insinuando que nós, os evangélicos, odiamos, negamos, rejeitamos, denegrimos e insultamos a Maria. Até mesmo nossa inteligência já foi posta em xeque. Vejamos, portanto, o que os Padre André Carbonera, Battistini e Prada insinuaram, lendo suas respectivas afirmações:
Padre Carbonera:
Muitos afirmam crer em Jesus, mas têm ódio da mãe do mesmo Jesus. Ah! eu adoro Jesus! Tenho Jesus no coração. Jesus é meu tudo. Desconhecem, entretanto, negam, rejeitam e insultam a mãe de Jesus. [...] Em nosso peregrinar terráqueo, quanto mais pistolões houver, melhor! Por que jogar fora, então, os que pedem e rezam por nós, bem pertinho de Deus e de Jesus, como Maria e os santos? Seria uma inútil auto-suficiência e uma enorme burrice! [....]. [95]
Frei Battistini:
[...] os que não gostam de Maria são mais perfeitos do que os anjos? [...] Os que não amam [...] Maria estão contra a Bíblia [...]. Fulano diz que é seu amigo, mas não gosta de sua mãe. Você o aceita como seu amigo? Os que não amam a Maria, terão coragem de dizer a Jesus que o amam? [96]
Bem, Battistini disse os que, sem determinar a quem se referia, mas deixou claro que tais odiosos existem. E aí, parafraseando os apóstolos interrogo: "porventura, sou eu, Battistini?".
Padre Prada:
O Padre Dom Francisco Prada também insinuou que nós, os evangélicos (por crermos que Maria se relacionava sexualmente com o seu esposo José), somos ignorantes e que denegrimos a mãe de Jesus. Disse ele: “Assim, aqueles que se prevalecem do Evangelho para denegrir a Virgem Santíssima dão provas de ignorância...” (PRADA, 1996:66. Op. cit., reticência no original). Ele disse aqueles, sem determinar a quem se referia, mas pareceu-me claro, à luz do contexto, que se trata de uma refutação aos evangélicos. E disse mais: [...] “Nossa Senhora, tão ultrajada pelo ódio dos ímpios e pela omissão e indiferença de alguns que ainda se dizem cristãos”. (Ibidem, página 40, grifo nosso). Ímpios que odeiam a Maria? A quem ele se referia? Seriam os evangélicos? Bem, Prada crê que eles existem, mas (talvez por ser muito ético) não quis identificá-los. E quais são os que, embora se dizendo cristãos, são omissos e indiferentes para com Maria? Este mistério também não me parece indecifrável, mas, como dizem, deixa p’ra lá.
4.6.2. Opiniões protestantes
Há, entre os evangélicos, uma controvérsia quanto à legitimidade do tratamento que dispensamos a Maria. Há os que dão as mãos à palmatória, bem como os que se sentem caluniados. São dois pareceres diametralmente opostos. Ei-los:
A) Auto-acusação
Por mais incrível que possa parecer, há evangélicos dizendo que tanto os católicos, quanto os protestantes se equivocam no trato para com Maria. Dizem que os católicos foram além do limite, e que os evangélicos estão aquém do devido. Chamam a isso de Maria demais e Maria de menos, respectivamente.
Em defesa da tese rotulada por alguns de Maria de menos, escreveu certo Pastor evangélico:
De uma forma geral, o povo evangélico menospreza Maria. Nós temos de dar as mãos à palmatória, pois de uma forma geral, nós evangélicos zombamos e ridicularizamos a figura de Maria [...]. Alguns denominam uma de suas imagens de “pretinha”, maneira racista, discriminatória e depreciativa de mencionar quem quer que seja! [97]
B) Auto-absolvição
Até o presente, só vimos três evangélicos esposarem a opinião exteriorizada pelo Pastor Vieira: o próprio, e mais dois. Estes, pessoalmente; aquele, através de seu livreto. A maioria esmagadora dos evangélicos, segundo detectamos, destoa do Pastor Vieira, e aquiesce ao que registraram os Pastores José Gonçalves e José Barbosa de Sena Neto, conforme exposto a seguir:
Pastor Gonçalves:
[...] os evangélicos são constantemente acusados de não gostarem da mãe de Jesus. É evidente que essa acusação é improcedente, o oposto dela é a verdade, pois os evangélicos são os que realmente dão à mãe do Salvador o lugar que a ela é atribuído pelas Escrituras.[98]
Pastor Sena Neto:
O ex-Padre (atualmente Pastor evangélico) José Barbosa de Sena Neto tachou as crenças católicas sobre Maria (que ela é digna de culto; sua imaculada concepção; sua perpétua virgindade; sua ressurreição [?] e assunção ao céu em corpo e alma; seus títulos: Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, Co-redentora, Mãe de Deus, Mediadora, Advogada, Nova Eva, etc.) de “exagerada veneração a Maria, endeusamento de Maria, sofisma, falta de senso, futilidade, falsa e sacrílega doutrina, conto da carochinha, conto do vigário, grosseiras heresias...” (SENA NETO: 2004:52-78. Op. cit.).
4.7. Maria e a água feita vinho
Por mais incrível que possa parecer, já ouvi inúmeros católicos, tanto leigos quanto clérigos, dizerem que o fato de Jesus efetuar o milagre da transformação da água em vinho, após Maria lhe notificar que o vinho havia acabado (Jo 2.1-11), justifica a devoção que eles têm para com ela. Dizem que o milagre da água feita vinho em atenção ao seu pedido nas bodas de Caná da Galiléia, prova a eficácia de seu múnus advocatício junto a Cristo, em prol dos seus devotos. Todavia, os que lêem a Bíblia sabem que não só Maria, mas todos os que se dirigiram a Cristo com fé, amor e humildade, foram por Ele socorridos (Mt 8. 2-3; 9. 1-8, 18-34; 15. 21-28, etc.). Até um bandido encontrou refúgio no meigo Nazareno (Lc 23.43).
Certamente já está mais que claro que os evangélicos não negam que podemos e devemos orar a Jesus. O que discutimos aqui, é se é certo ou não invocar Maria. Os católicos dizem que sim, mas não dispõem de nenhuma prova bíblica. Tudo se fundamenta apenas na tal de Tradição, assim como na palavra de homens suficientemente megalomaníacos para arrogarem a si o título de infalíveis. Estes, lançando mão de um texto que trata de um assunto, dizem que o mesmo está dizendo o que eles bem querem que ele diga. Este é, por exemplo, o caso de Jo 2.1-11. O fato de neste texto Maria aparecer intercedendo pelos noivos (ao dizer a Jesus que o vinho havia acabado), e ter seu pedido atendido, é, segundo o clero católico, mais uma evidência de que um pedido dela por nós é tiro e queda. Textos assim são usados amiúde como prova de que Maria é a verdadeira medianeira entre Deus e nós, nossa única advogada, a porta do Céu, etc. E impetrando ais sobre os que deles discordam, dão o assunto por errado. Afinal, o Papa é o cara. Ele é infalível. E, sendo assim, quem pode contestá-lo?
Jo 2.1-11, no máximo serve para provar que Jesus ouve as nossas orações, e que devemos orar uns pelos outros.
É digno de nota que quando Maria disse a Jesus “Não têm vinho” (Jo 2.3), Ele lhe disse: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2.4). Logo, não está Ele às ordens dela. E, posto que finalmente fez o milagre da transformação da água em vinho, armemo-nos do pensamento de que Ele é suficientemente misericordioso para nos socorrer, o que justifica perseverarmos na oração a Ele. Imitando a Maria, levemos a Cristo nossas queixas. Certamente Ele nos atenderá também. Isso, e mais nada.
NOTAS REFERENTES AO CAPÍTULO IV
92 SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. Bíblia de Estudo Almeida. Barueri. 2000, p. 22.
93 VIANA, Maria Lúcia. “Maria, cheia de graça”. Brasil Cristão. Campinas: Associação
do Senhor Jesus. 22, mai. 1999, p. 12.
94 (Bíblia Sagrada. São Paulo: Editora “Ave Maria” Lt.da. Traduzida pelo Centro Bíblico
Católico. 38 ed. 1982. Grifo nosso).
95 RINALDI, Natanael. “Odeiam os evangélicos Maria, mãe de Jesus?” Defesa da Fé.
Jundiaí: Instituto Cristão de Pesquisas, 8, set/out. 1998, pp. 26-36, grifo nosso.
96 BATTISTINI, Frei. A Igreja do Deus Vivo. 33 ed. Petrópolis: Vozes, 2001, pp. 29-
30.
97 VIEIRA, José Jacó. Em Defesa da Virgem Maria. Maringá: s.e. 1999, p. 13.
98 GONÇALVES, José. “A verdade sobre Maria mãe de Jesus”. Resposta Fiel. Rio de
Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 17, set/out/nov.
2005, pp. 20-25.
CONCLUSÃO
Obter e fornecer informações sobre o marianismo, bem como acerca da acirrada polêmica que , entre católicos e protestantes, gira em torno deste tema, informações estas que nos dessem base para posicionarmos a bel-prazer, mas com conhecimento de causa, era o que pretendíamos quando nos lançamos às pesquisas de onde coletamos os fragmentos que utilizamos na tecelagem do presente texto. E se, embora sem esgotar o tema, galgamos esse patamar, então atingimos um de nossos alvos. E sentir-me-ei bem retribuído, se destas páginas alguém haurir algum proveito para a sua vida espiritual. Isso me fará sentir útil a Deus, ao próximo, à Igreja... e, por conseguinte, me fará feliz. Não posso ser inútil e feliz, concomitantemente.
Este livro é, também, um desagravo à atitude irresponsável de clérigos maldosos que, apostando na ingenuidade de seus liderados, inculcam-lhes que nós, os evangélicos, odiamos a mãe de Jesus, para, deste modo, induzi-los à animosidade contra nós. Deduzo que ficou claro ao leitor, que a verdade nua e crua é que a nossa postura teológica acerca da irmã Maria, esposa do nosso prezado irmão José, muito longe de ser um ato de burrice - como sem rodeios e sem pestanejar o disse o Padre André Carbonera - , nada mais é que um retorno ao cristianismo original.
Embora só o primeiro capítulo se intitule O Culto a Maria, tratamos deste tema do princípio ao fim deste opúsculo. Tal de dá porque cada um dos exageros que constituem o marianismo, ou é culto a Maria, ou é um detalhe desse culto. E ver o que a Bíblia e a História têm a dizer sobre tais exorbitâncias, é o que chamei de O Culto a Maria à Luz da Bíblia e da História.
Empreendemos prestar relevante trabalho a Deus, à humanidade, e em particular, aos sequiosos pela verdade. E dando-o por encerrado, o disponibilizamos ao público ledor, para que o julgue e lhe confira o Grau que lhe parecer justo. Com docilidade e humildade prometemos apreciar as críticas construtivas oriundas dos sábios que altruística e ousadamente ponderarem o conteúdo deste livro. Aliás, não só apreciar, mas também acatar as novas idéias sugeridas, desde que deveras nos pareçam convincentes. Não me envergonharei de me retratar, caso alguém me prove à luz da Bíblia e da História, que minha pronunciação é inexata. Mas de modo algum cederei a atitudes inquisitórias dos que, por não saberem respeitar a opinião alheia, apelam para a baixaria, como é o caso dos que, perseguindo-nos, se valem até de calúnias e termos de baixo calão, tachando-nos de burros que odeiam e denigrem a mãe de Jesus, a quem amamos, veneramos, respeitamos e esforçamos por imitar!
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BÍBLIAS DIVERSAS
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Bíblia de Estudo Pentecostal. 6 ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias
da Deus (CPAD), 1998.
Bíblia Sagrada. Centro Bíblico Católico. São Paulo: Editora “Ave Maria” Lt.da
Bíblia Sagrada. Revista e Corrigida. Traduzida por João Ferreira de Almeida. Barueri:
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Bíblia Sagrada. Traduzida pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo. São Paulo: Novo
Brasil Editora Ltda, s.d.
Bíblia Sagrada. 9 ed. Traduzida pelo Padre Matos Soares. São Paulo: Edições Paulinas,
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